Bolsa na terceira onda: potencial de alta, dizem Moraes e Stormer
André Moraes e Alexandre Wolwacz (Stormer) afirmam que a Bolsa brasileira já vive a terceira onda de valorização, iniciada em 2025. O movimento combina fluxo estrangeiro, preços descontados e alinhamento entre macro e gráfico, mas riscos externos podem adiar o ciclo.
Bolsa já vive a 'terceira onda' com potencial de forte alta, dizem Moraes e Stormer
André Moraes, analista e CEO da Trade ao Vivo, e Alexandre Wolwacz, o Stormer, trader desde 1998, afirmam que a Bolsa brasileira já vive a chamada terceira onda de valorização, iniciada em 2025. O movimento reúne entrada de capital estrangeiro, preços descontados e alinhamento entre cenário macroeconômico e análise gráfica, segundo entrevista concedida ao InfoMoney na Expert XP 2026.
André Moraes, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, e Alexandre Wolwacz (Stormer), sócio-fundador da Liberta, explicam por que consideram que a terceira onda já começou, onde enxergam a oportunidade e quais riscos podem adiar o movimento.
Fluxo estrangeiro e preços deprimidos: os primeiros sinais
O primeiro sinal da mudança aparece no fluxo estrangeiro, que ganhou força enquanto a Bolsa rompia o topo histórico em 2025. Para Stormer, esse retorno sustenta a leitura de que o movimento pode ser mais amplo. "Primeiro, o retorno do investidor estrangeiro que começou a entrar no país com mais força a partir de janeiro", afirma.
Ao mesmo tempo, a ausência do investidor pessoa física reforçaria a interpretação contrária ao sentimento predominante. Para o trader, a descrença coincide com preços deprimidos, tanto quando medidos em dólares quanto pela relação preço/lucro. "Isso também costuma ser um sinal de fundo muito forte, um sinal de que a Bolsa atingiu o seu nível mais baixo", afirma.
Comparação histórica com ciclos de 2002 e 2016
Na visão de André Moraes, o cenário ganha força porque os fundamentos macroeconômicos e o momento gráfico apontam na mesma direção. Como referência, ele compara a configuração atual aos ciclos iniciados em 2002 e 2016.
"O primeiro, de 2002 até início de 2011, que deu para o Ibovespa uma alta em torno de 800%, e o segundo, entre 2016 e 2021, que deu em média 300%", afirma. Entretanto, as altas anteriores funcionam como comparação histórica, e não como projeção para o novo ciclo. O ponto central está na semelhança entre as condições que precederam aquelas valorizações e o quadro atual. "É muito difícil a gente ter condições macro e condições gráficas alinhadas no mesmo momento. E a gente tem isso agora", destaca Moraes.
Assimetria risco-benefício e mudança de estratégia
A oportunidade estaria na assimetria entre o risco assumido e o retorno possível. Como a tese identifica o movimento em fase inicial, haveria espaço para uma alta prolongada sem entrar depois de uma valorização madura. "A vantagem é que nós temos realmente um risco baixo e um potencial de ganho muito grande, ou seja, aquilo que a gente chama de relação risco-benefício", explica Stormer.
Segundo o trader, a vantagem não depende de acertar oscilações isoladas, mas de reconhecer uma mudança estrutural antes que ela se torne consenso. Nesse caso, a pessoa física poderia capturar uma parcela maior do movimento esperado antes que a euforia reduza a assimetria. "Nós temos um cenário em que se surge uma oportunidade que ela é ímpar. Raríssimas vezes nós vamos ter isso. Nós vamos ter em torno de duas ou três vezes por década no máximo", estima Stormer.
Contudo, aproveitar a possível alta exige contrariar o comportamento mais comum do mercado. Stormer avalia que decisões guiadas pela emoção afastam o investidor justamente quando os preços oferecem maior margem de segurança. "Então, quando as pessoas estão com medo, elas não compram. Quando elas estão eufóricas, elas compram muito", observa. Como resultado, o investidor tende a comprar perto dos topos e vender nas regiões de fundo. Por isso, a terceira onda não seria apenas uma oportunidade, mas um teste de disciplina. "Então, essa inversão na forma de pensar e olhar o mercado é que talvez seja o ponto principal para a pessoa poder capturar bem isso", argumenta Stormer.
Além disso, a forma de operar precisaria mudar. Moraes compara os últimos cinco anos a uma guerra de trincheiras, marcada por exposições breves e alvos curtos. "Porque nos últimos cinco anos a gente viveu uma guerra de trincheira, ou seja, você tira a cabeça para fora, dá um tiro e volta para dentro da trincheira", descreve. Agora, um mercado mais direcional exigiria operações longas e tolerância às oscilações da tendência. Assim, repetir a estratégia desenvolvida para movimentos curtos poderia fazer o trader sair cedo demais. "Você vai precisar alongar as suas operações. Você vai ter muito mais segurança, muito mais timing. Isso exige uma mudança na estratégia a ser adotada", ressalta Moraes.
Essa conclusão parte da experiência de Moraes na primeira onda. Na ocasião, uma saída antecipada o deixou fora da maior parte da tendência. "Eu entrava na operação, saia dois dias depois, passava mais três meses subindo sem parar e eu estava de fora porque não percebi a mudança que precisava na minha estratégia", recorda. Da mesma forma, Stormer diferencia estratégias de volatilidade, marcadas por entradas e saídas rápidas, de operações direcionais. Nesse ambiente, os recuos usados como pontos de entrada podem nem aparecer. "No momento que a gente entra em uma onda estendida, uma onda de movimentação mais direcional, o trader vai ter que saber operar de uma forma direcional", assinala.
Riscos: geopolítica externa e inflação do petróleo
Apesar da convicção, a terceira onda não é apresentada como um cenário inevitável. Para Stormer, os principais fatores capazes de interromper o fluxo esperado viriam do exterior, uma vez que as forças políticas brasileiras já estariam refletidas nos preços. "Eu acho que o fator que pode realmente pode travar tudo isso seriam fatores geopolíticos internacionais, mais até mesmo do que os nacionais", alerta. Nesse sentido, uma ruptura entre potências poderia reduzir o fluxo estrangeiro para o Brasil. Para Stormer, o risco externo ganha relevância porque as incertezas domésticas já estariam nos preços. "No meu entendimento, as forças políticas aqui no Brasil já estão descontadas nesse atual instante dentro do gráfico em si e dentro do preço que a gente vê na Bolsa", sustenta.
Para Moraes, porém, a inflação representa o principal inimigo da Bolsa brasileira e dos mercados internacionais. Uma escalada do petróleo para US$ 120 ou US$ 150 por barril ampliaria a pressão sobre os preços e poderia postergar o ciclo. "E a alta do petróleo é inflação na veia", enfatiza. O analista ressalta que a convicção não impede uma mudança de opinião caso os sinais contrariem o diagnóstico atual. Assim, a tese permanece condicionada ao comportamento do mercado, e não à necessidade de defendê-la a qualquer custo. "Nem sempre a gente acerta, mas a gente quer muito acertar", reconhece.
Legado e apresentação da tese
Moraes admite que a pouca experiência limitou a dupla na primeira onda. Já no segundo ciclo, os dois chegaram mais preparados, com mais capital, e conseguiram aproveitar melhor o movimento. "Eu quero dizer que eu e o Stormer, na primeira onda, a gente tinha pouco dinheiro e pouca experiência, e a segunda onda salvou a gente", recorda.
Mais do que buscar o resultado financeiro do novo ciclo, Moraes e Stormer querem ajudar outros investidores a reconhecer a possível mudança de mercado. "E agora a gente quer deixar um legado, a gente quer preparar o maior número de pessoas possível para essa terceira onda", declara Moraes. Por isso, Moraes e Stormer apresentarão a tese nos dias 3, 4 e 5 de agosto. A dupla explicará os sinais identificados e as estratégias para tentar aproveitar o movimento, caso o cenário se confirme. "Então fica o convite, dias 3, 4, 5 de agosto, a gente vai falar especificamente sobre o que a gente enxerga e como aproveitar", anuncia Moraes.
Perguntas Frequentes
O que é a terceira onda da Bolsa?
É um movimento amplo de valorização que, segundo André Moraes e Stormer, começou em 2025. A tese combina entrada de capital estrangeiro, preços descontados e alinhamento entre macroeconomia e análise gráfica.
Quem são André Moraes e Stormer?
André Moraes é analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos. Alexandre Wolwacz (Stormer) é trader desde 1998 e sócio-fundador da Liberta.
Quais são os riscos para a terceira onda?
Os principais riscos apontados são fatores geopolíticos internacionais, que podem reduzir o fluxo estrangeiro, e a alta do petróleo, que pressiona a inflação e pode postergar o ciclo.
Como o investidor pessoa física pode aproveitar?
Os traders recomendam mudar a estratégia de curto prazo para operações mais longas e direcionais, evitando decisões emocionais de comprar na euforia e vender no medo.
Quando será apresentada a tese?
Moraes e Stormer apresentarão os detalhes da tese nos dias 3, 4 e 5 de agosto, explicando os sinais identificados e como tentar aproveitar o movimento.