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Governança rendeu 224% a mais na América Latina, diz Morgan

Empresas latino-americanas com as melhores práticas de governança corporativa entregaram retornos 224% superiores aos de companhias com estruturas mais frágeis nos últimos 15 anos, segundo estudo do Morgan Stanley com 183 empresas da região. Na metodologia de pesos iguais, a diferença ficou em 145%.

O banco concluiu que "vale a pena ser bem governado" na América Latina e sustenta que critérios de governança funcionam como diferencial para seleção de ações, sobretudo em uma região marcada por elevada concentração acionária e forte influência de controladores.

Brasil lidera pontuação de governança na região

O Brasil aparece como principal referência em governança corporativa na América Latina. As empresas brasileiras apresentaram as melhores pontuações tanto em critérios ponderados por valor de mercado quanto em pesos iguais. O relatório atribui parte desse desempenho à evolução regulatória do mercado local e ao papel do Novo Mercado da B3, que elevou padrões de proteção aos acionistas minoritários e de transparência.

As companhias brasileiras também foram as que mais se beneficiaram do chamado "sinal de governança": as mais bem avaliadas superaram as de pior classificação em cerca de 159% desde 2009. Para os estrategistas, o Brasil segue como mercado mais avançado da região em governança, mesmo com reformas mais amplas tendo perdido intensidade nos últimos anos.

Concentração de controle é o gargalo

O principal desafio regional não está mais nas estruturas de ações com diferentes direitos políticos, mas na concentração do controle societário. O item "controle acionário" recebeu a pior avaliação em toda a região, com aproximadamente um terço das empresas na menor nota possível. Em contrapartida, cerca de 72% das companhias obtiveram nota máxima em "uma ação, um voto".

O free float médio global é de 82%, enquanto na América Latina alcança apenas 56%, o que reduz a influência dos minoritários e amplia riscos ligados ao controle concentrado.

Governança também aparece ligada a crescimento

Entre as empresas com melhores pontuações, o Morgan Stanley destaca B3 (B3SA3), Localiza (RENT3), Vibra Energia (VBBR3), Copel (CPLE3), Lojas Renner (LREN3), Totvs (TOTS3), Equatorial Energia (EQTL3), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Ultrapar (UGPA3). Na carteira latino-americana, as preferências citadas são B3, Vale, Mercado Livre e Grupo Financiero Banorte.

As companhias de melhor governança também mostraram crescimento de receita superior ao das piores classificadas no período. E negociam, em média, a 10,7 vezes lucro, contra 12,4 vezes do quartil inferior. Para o banco, isso sugere que boas práticas reduzem riscos e podem contribuir para crescimento, menor custo de capital e geração superior de valor ao acionista.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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