Blue chips puxam Ibovespa: até onde vão Vale, Petrobras e Itaú?
As blue chips voltaram ao centro do rali da Bolsa brasileira. Vale, Petrobras, Itaú e Axia Energia avançaram nesta terça-feira (8) e ajudaram o Ibovespa a flertar novamente com os 190 mil pontos, em sessão marcada por entrada de capital estrangeiro, commodities em alta e forte queda dos prêmios de juros. Conjuntamente, VALE3, ITUB4, PETR4, PETR3 e AXIA3 representam cerca de 37,5% da carteira teórica do Ibovespa.
O Ibovespa terminou a véspera com alta de 1,20%, aos 187.366,84 pontos, depois de alcançar 189.487,70 pontos na máxima. O retorno do investidor estrangeiro às compras na B3 sustenta o movimento: nos três primeiros pregões de setembro, o saldo de capital externo estava positivo em R$ 3,9 bilhões. Quando o estrangeiro entra, ele entra nas ações mais líquidas. A lógica ajuda a explicar por que mineração, petróleo, bancos e energia aparecem rapidamente no radar.
Há outros ingredientes. O Bank of America elevou as ações brasileiras para overweight, apoiado na expectativa de um ciclo mais profundo de cortes de juros. O banco projeta a Selic em 11,25% ao fim de 2027, ante estimativa anterior de 12,75%. As taxas dos DIs recuam, enquanto petróleo e minério de ferro dão suporte às gigantes de commodities.
O que o gráfico do Ibovespa mostra
O índice segue acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, preservando tendência de alta no curto prazo. O afastamento em relação às médias, porém, indica que o movimento já percorreu bastante terreno. A primeira barreira está em 189.490 pontos. Se superada, o próximo teste aparece em 192.890 pontos. Acima daí, o mercado voltaria a mirar a máxima histórica de 199.354 pontos. O IFR de 14 períodos, aos 79,30 pontos, está em zona de sobrecompra, o que aumenta a possibilidade de realização no curto prazo, sem sinalizar reversão. Suportes iniciais em 181.420 e 178.000 pontos.
Vale: minério em alta e resistências à frente
A Vale, maior peso individual, com 11,16% do Ibovespa, encontra fundamento e gráfico na mesma direção. O minério de ferro completou a quarta sessão consecutiva de alta na China, com o contrato em Dalian avançando 1,36%, para 744,5 iuanes por tonelada, maior nível desde o fim de julho. A ação rompeu a linha superior do canal de baixa e negocia acima das médias. Barreiras em R$ 81,31 e R$ 83,35. Rompidas, abrem espaço para R$ 87,58 e a máxima histórica de R$ 89,41. IFR em 60,79 pontos. Suportes em R$ 77,35, R$ 74,70 e R$ 69,84.
Petrobras: petróleo perto de US$ 100 e IFR em sobrecompra
PETR4 e PETR3 somam cerca de 12,9% do Ibovespa. O Brent fechou a US$ 97,92, máxima de seis semanas, após ataques a instalações da Arábia Saudita. PETR4 renovou máxima histórica em R$ 49,19. Acima disso, alvos em R$ 50,30, R$ 52,75 e R$ 55,00. IFR em 72,93 pontos, já em sobrecompra. Suportes em R$ 46,00, R$ 43,60 e R$ 39,70.
Itaú: canal descendente é o desafio
ITUB4, com 8,6% do Ibovespa, avançou 1,22%. O Bank of America elevou o preço-alvo de R$ 50 para R$ 51. O papel testa a linha de tendência de baixa de um canal descendente. Superar a linha e as resistências de R$ 42,65 e R$ 44,31 abre caminho para R$ 47,45 e a máxima de R$ 48,82. IFR em 65,36 pontos. Perda de R$ 41,35 aumenta chance de retorno às médias, com suportes em R$ 39,45 e R$ 37,50.
Axia: recuperação em região importante
Com 4,85% do Ibovespa, AXIA3 se recupera desde o suporte em R$ 49,30 e permanece acima das médias. O papel chegou a uma região especialmente relevante, mas a análise técnica desta matéria considera exclusivamente PETR4 para Petrobras, conforme a fonte original.
Em resumo, o pano de fundo melhorou, mas os gráficos ainda pedem confirmação. Vale e Itaú precisam vencer resistências; Petrobras mostra otimismo já precificado. O Ibovespa, sobrecomprado, pode realizar no curto prazo sem reverter a tendência.