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Bilionário vende ilha por US$ 7,9 mi, mas governo nega propriedade

O bilionário americano Tim Draper colocou à venda a Lupita Island, no Lago Tanganica, na Tanzânia, por US$ 7,9 milhões. O anúncio foi feito em 28 de agosto na rede social X, com a promessa de concluir rapidamente as negociações. Dias depois, o governo da Tanzânia informou que Draper não é proprietário da terra que anunciou estar vendendo.

Segundo o Ministério de Terras, Habitação e Desenvolvimento Habitacional da Tanzânia, a terra pertence à Tanzania Investment and Special Economic Zones Authority (TISEZA), uma autoridade estatal. A Firelight Safaris Ltd., da qual Draper é acionista, possui um direito derivado concedido pela TISEZA para desenvolver e operar um empreendimento turístico no local. Isso significa que o terreno em si não está sendo vendido por Draper. A transação envolve a operação turística e os direitos de investimento associados ao resort, não a propriedade da ilha.

Lupita tem cerca de 110 acres, aproximadamente 44,5 hectares. Draper passou quatro anos desenvolvendo o local, que ganhou dez chalés, spa, academia, sala de jogos, bares e piscina. O resort oferece praia privativa, passeios de barco, caiaque, mergulho com snorkel e pesca, conta com mais de 30 funcionários e pode ser acessado por uma combinação de avião e barco.

O investidor já havia informado à Forbes que recebeu "várias ofertas" de potenciais compradores. Em 31 de agosto, porém, o governo tanzaniano divulgou comunicado esclarecendo a situação jurídica. A Firelight Safaris pode transferir seu investimento para outro interessado, desde que siga as leis e procedimentos do país. A propriedade da terra permanecerá com a autoridade estatal.

A situação não surpreende quem acompanha a trajetória de Draper. Em seu livro How to Be the Startup Hero, ele escreveu que não tinha documentos do governo da Tanzânia comprovando a propriedade da ilha. O empreendimento avançou com autorização local, mas a questão documental ficou sem solução definitiva.

Draper tem patrimônio estimado em US$ 2,3 bilhões pela Forbes. Participou de investimentos em Tesla, SpaceX, Skype e Coinbase. Em 2014, comprou em leilão do governo americano 29.656 bitcoins apreendidos do Silk Road por US$ 18,7 milhões, cerca de US$ 632 por bitcoin.

Para investidores, o caso ilustra a diferença entre direito de uso e propriedade em mercados emergentes. Antes de comprar ativos em jurisdições com histórico fundiário complexo, vale verificar a cadeia documental e o papel de autoridades locais. A tentativa de venda de Draper, feita diretamente nas redes sociais, sem corretora ou plataforma imobiliária, chamou atenção pela forma incomum. Mas o desfecho depende de um alinhamento jurídico que ainda não ocorreu.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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