BBSA3: pior já passou? CFO vê mudança dando frutos
Banco do Brasil (BBSA3): O pior já passou? CFO vê mudança dando frutos
O Banco do Brasil (BBSA3) entregou um lucro de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 3,3% no ano e de 13% no trimestre. O mercado esperava R$ 3,5 bilhões. O resultado veio em meio à tensão no setor financeiro, com a alta da inadimplência dando frutos.
Resposta direta: O pior pode ter passado para o Banco do Brasil (BBSA3). No 2T26, o banco lucrou R$ 3,9 bilhões, 13% acima do trimestre anterior, superando a expectativa do mercado de R$ 3,5 bilhões. O CFO Giovanne Tobias vê a mudança de mix de carteiras, priorizando fora do agro, dando frutos, apesar da inadimplência ainda elevada.
O que explica o lucro acima do esperado?
A tesouraria deu uma 'forcinha' para o banco, com alta de 2,1% no trimestre e de 10% no ano, para R$ 9 bilhões. Segundo o CFO do banco, Giovanne Tobias, em vídeo publicado no YouTube, a melhora é reflexo da mudança de mix do BB, que passou a priorizar outras carteiras fora do agronegócio, que passa por dificuldades.
A margem financeira também ajudou. A linha subiu 9,6%, para R$ 27,5 bilhões. Tobias afirma: 'A margem financeira veio muito boa. Na visão trimestral, ela está praticamente estável, mas aqui nós estamos carregando um peso da inadimplência.'
Houve ainda uma 'forcinha' da própria Selic, a taxa básica de juros, que turbinou o número.
A mudança de mix: o agro fica de lado?
O executivo destacou que a melhora é reflexo da mudança de mix do BB. O banco passou a priorizar outras carteiras fora do agronegócio, que enfrenta dificuldades. 'Eu considero que é um resultado que demonstra a capacidade do Banco do Brasil de enfrentar essa situação, principalmente no agro, e, ao mesmo tempo, estar entregando lucro e um resultado forte.'
Para o investidor pessoa física, isso significa que o banco está buscando diversificar suas fontes de receita, reduzindo a dependência de um setor que tem sofrido com a inadimplência. como analisar resultados de bancos
Receita de serviços: o destaque positivo
Outro destaque do trimestre, na visão do executivo, foi a receita de prestação de serviços, que ele considerou 'extremamente positiva', com crescimento de 4,2% no ano.
'Nós só não entregamos mais receitas aqui por conta da seguridade. Ali, nós tivemos um efeito da Selic e também menos contratação.', explicou Tobias.
Capital: preparado para crescer em 2026
Tobias elegeu ainda o capital como outro dado positivo, 'porque continuamos crescendo nossa carteira'.
'Tivemos questões regulatórias pontuais, mas terminamos o trimestre com um nível de capital que consideramos extremamente adequado à nossa perspectiva de expansão da nossa carteira, olhando para o ano de 2026'.
Os pontos de atenção: inadimplência e custo de crédito
Tobias também citou os pontos de atenção do resultado. Segundo ele, o custo de crédito 'continua forte, mas já demonstra uma estabilização'.
O custo do crédito subiu 16% no ano, para R$ 18,5 bilhões, mas teve alívio de 2,1% contra o primeiro trimestre.
'Eu acho que isso é um ponto também positivo, mas ainda inspira cuidados a inadimplência na carteira rural.', alertou o CFO.
Houve também crescimento da inadimplência na carteira de pessoa física, principalmente em cartões de crédito e nos créditos que não são consignados, que correspondem ao crédito direto ao consumidor, sem garantias.
O que dizem os números do agro?
De acordo com Octaciano Neto, fundador da Zera, a trajetória da inadimplência e do custo de crédito começa a dar sinais de melhora, mas ainda exige atenção.
No agronegócio, o estoque de inadimplência continuou subindo, com o INAD+30d passando de 7,35% no 1T26 para 8,97% no 2T26, enquanto a Perda Esperada avançou de R$ 40,6 bilhões para R$ 43,7 bilhões, no quarto trimestre seguido de alta.
Por outro lado, o fluxo de novos atrasos desacelerou significativamente: o New NPL caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões no trimestre, quase metade do pico registrado no 4T25. Ao mesmo tempo, a cobertura desses novos NPLs aumentou de 102,9% para 145,9%.
'A combinação indica que o pior pode ter passado, embora a recuperação deva ser gradual, já que o estoque elevado ainda reflete problemas de safras anteriores, enquanto a queda nas novas entradas sugere melhora na qualidade das concessões.', analisa Octaciano Neto.
O que isso significa para o investidor?
Para quem investe em BBSA3, o cenário é de cautela com otimismo. O banco mostra capacidade de entregar lucro mesmo em um ambiente adverso, mas a inadimplência no agro e na pessoa física ainda exige monitoramento. como investir em ações de bancos
A recuperação deve ser gradual. O estoque elevado de inadimplência ainda reflete problemas de safras anteriores, mas a queda nas novas entradas sugere melhora na qualidade das concessões.
Perguntas Frequentes
O Banco do Brasil pagou dividendos no 2T26?
A fonte não menciona dividendos no período. O foco do resultado foi o lucro de R$ 3,9 bilhões e a análise do CFO sobre a mudança de mix e a inadimplência.
O que é INAD+30d?
É o indicador de inadimplência que mede os atrasos acima de 30 dias. No agro, subiu de 7,35% no 1T26 para 8,97% no 2T26.
O que é New NPL?
É o fluxo de novos empréstimos que entram em atraso. Caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões no trimestre, o que indica melhora na qualidade das concessões.
A inadimplência da pessoa física preocupa?
Sim, houve crescimento da inadimplência na carteira de pessoa física, principalmente em cartões de crédito e em créditos não consignados, sem garantias.
O que é a Perda Esperada?
É uma estimativa do banco para perdas futuras com calotes. No agro, avançou de R$ 40,6 bilhões para R$ 43,7 bilhões, no quarto trimestre seguido de alta.