Axia, Auren, Engie e Copel: destaques do 2º tri
Axia, Copel e Engie cresceram no 2T26, enquanto a Auren sofreu com custos e alavancagem. Entenda o que separou as elétricas no trimestre.
Axia, Auren, Engie e Copel: quais se destacaram mais entre as elétricas no 2º tri?
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) expôs realidades opostas entre as principais elétricas listadas. Axia Energia (AXIA3), Copel (CPLE3) e Engie Brasil (EGIE3) cresceram na operação, impulsionadas por melhores condições no mercado de geração. A Auren (AURE3), por outro lado, seguiu pressionada pelos custos de compra de energia e pela alavancagem elevada.
Resposta direta: o que separou as elétricas no 2T26?
No 2T26, Axia, Copel e Engie reportaram Ebitda em alta de 12%, 21% e 23%, respectivamente, beneficiadas pela geração e por preços mais altos de energia. A Auren viu seu Ebitda cair 15% e registrou prejuízo líquido de R$ 379 milhões, com custos de compra de energia avançando cerca de 33%.
Axia: o maior crescimento operacional do grupo
A Axia entregou o maior crescimento operacional entre as empresas analisadas. O Ebitda ajustado atingiu R$ 6,4 bilhões no trimestre, alta de 12% na comparação anual, impulsionado principalmente pelo negócio de geração. O lucro líquido alcançou R$ 1,7 bilhão, avanço de 35% na base anual.
Segundo o UBS BB, a companhia se beneficiou de um GSF mais favorável (99,2%, ante 95,6% um ano antes), preços mais altos no mercado livre e maiores ganhos com modulação. A margem de contribuição da geração cresceu 17% em um ano, para R$ 3,7 bilhões. Os preços médios dos contratos no ACL avançaram 24%, chegando a R$ 191/MWh.
Os investimentos somaram R$ 3,12 bilhões no trimestre, 53% acima do mesmo período de 2025. Na transmissão, a contribuição ficou estável em R$ 4 bilhões, mas a empresa destinou R$ 1,1 bilhão para reforços e melhorias e outros R$ 636 milhões para expansão, um dos maiores ciclos de investimento da década.
O destaque para o mercado, porém, foi a geração de caixa. A companhia informou R$ 3,7 bilhões de capital disponível para alocação no trimestre, elevando para R$ 7,7 bilhões o total no semestre. XP e UBS BB veem esses recursos indo para dividendos e recompra de ações, com potencial de retorno de cerca de 5% apenas com os anúncios já feitos.
Copel: consistência na distribuidora
A Copel apresentou Ebitda consolidado de R$ 1,61 bilhão, alta de 21% na comparação anual. O lucro líquido recorrente ficou em R$ 645 milhões, crescimento de 13%. O destaque veio da distribuidora, cujo Ebitda avançou 33%, para R$ 766 milhões, acima das projeções do UBS BB.
O desempenho foi sustentado pelo aumento de 7,2% nos volumes faturados de energia, favorecido pela atividade econômica e pelas temperaturas mais elevadas no início do trimestre. A XP ressaltou a evolução da margem bruta regulatória (Parcela B), que avançou cerca de 18% em relação ao ano anterior.
O lucro total chegou a R$ 1,05 bilhão, alta de 82,6%, impulsionado pelos negócios de comercialização e distribuição. Já o braço de geração e transmissão registrou Ebitda de aproximadamente R$ 838 milhões, crescimento de 10%. A geração hidrelétrica caiu 10,9% por desinvestimentos, e a eólica recuou 17,4% com o aumento do curtailment, que saltou de 15,7% para 23,7%.
Os analistas também elogiaram o controle de custos. Segundo o UBS BB, os custos gerenciáveis recuaram 1% na comparação anual, um desempenho positivo em ambiente inflacionário. Para a XP, a companhia combina crescimento com dividendos elevados, sustentada por uma gestão vista como uma das melhores do setor.
Engie: um dos trimestres mais fortes da safra
A Engie Brasil entregou um dos resultados operacionais mais fortes da temporada. O Ebitda alcançou R$ 2,05 bilhões, crescimento de 23% na comparação anual, acima das estimativas do UBS BB. A geração total cresceu 6,5%, para 9,5 TWh.
O desempenho foi impulsionado pela aquisição das hidrelétricas Santo Antônio do Jari e Cachoeira Caldeirão, pela entrada gradual de novos projetos e por condições hidrológicas favoráveis em parte do portfólio. A receita líquida também foi beneficiada por esse cenário.
Auren: o lado mais fraco da comparação
A Auren ficou no lado mais fraco. Embora o Ebitda de R$ 749 milhões tenha saído em linha com as expectativas, o indicador recuou 15% em relação ao 2T25. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 379 milhões.
Tanto UBS BB quanto XP apontaram o aumento dos custos de compra de energia, que avançaram cerca de 33% na comparação anual, como o principal problema. A empresa compensou parte do impacto com ganhos de modulação de R$ 71 milhões, mas isso não neutralizou a pressão da posição comprada de energia e das despesas financeiras mais altas.
O UBS observa ainda que a Auren permanece entre as companhias mais intensivas em investimentos da cobertura, com alavancagem de 5,3 vezes dívida líquida/Ebitda e desembolsos relevantes para a conclusão do projeto Cajuína 3.
O que isso significa para o investidor
Os resultados reforçam uma divisão clara no setor elétrico. Empresas como Axia, Copel e Engie capturam benefícios de crescimento operacional, disciplina financeira e maior capacidade de remuneração ao acionista. A Auren, por sua vez, segue dependente de uma melhora no equilíbrio energético e de avanços estruturais para reduzir os efeitos do curtailment e dos custos de energia.
Para quem acompanha o setor, a leitura é direta: a geração exposta a preços de energia tem sido o motor dos resultados, enquanto a posição comprada e a alavancagem seguem limitando a recuperação da Auren. Acompanhar os próximos balanços e a evolução do GSF e do curtailment será essencial para calibrar expectativas resultados do setor elétrico 2026.
Perguntas Frequentes
Qual elétrica teve o maior crescimento de Ebitda no 2T26?
A Engie Brasil liderou com alta de 23% no Ebitda, para R$ 2,05 bilhões, seguida pela Copel (21%) e pela Axia (12%).
Por que a Auren teve prejuízo no 2T26?
A Auren registrou prejuízo de R$ 379 milhões, pressionada pelo aumento de cerca de 33% nos custos de compra de energia e por despesas financeiras mais elevadas.
O que é curtailment e como afetou as elétricas?
Curtailment é o corte de geração por falta de escoamento ou demanda. Na Copel, os cortes eólicos saltaram de 15,7% para 23,7%, reduzindo a produção.
As elétricas devem pagar dividendos maiores?
A Axia informou R$ 3,7 bilhões de capital disponível no trimestre, e XP e UBS BB veem potencial de retorno de cerca de 5% com os anúncios já feitos dividendos de elétricas 2026.