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EWZ e Ibovespa: opções disparam com trade eleitoral

ResumoO Ibovespa subiu 1,42% na quinta-feira (10), aos 188.268,59 pontos, com giro de R$ 30 bilhões. O avanço de 6,11% em setembro reflete o trade eleitoral, que também impulsiona opções no EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em Nova York.

O Ibovespa subiu 1,42% na quinta-feira (10), aos 188.268,59 pontos, com giro de R$ 30 bilhões. O avanço de 6,11% em setembro reflete o trade eleitoral, que também impulsiona opções no EWZ.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 11 de setembro de 2026
EWZ e Ibovespa: opções disparam com trade eleitoral

O Ibovespa fechou a quinta-feira (10) em firme alta de 1,42%, aos 188.268,59 pontos, perto das máximas do dia. O giro somou R$ 30 bilhões e o índice acumula ganho de 6,11% em setembro. O movimento é atribuído ao chamado trade eleitoral, que também tem elevado as apostas em opções no EWZ, o maior ETF de ações brasileiras negociado em Nova York.

Segundo operadores, houve aumento das compras de calls e call spreads, estruturas usadas para apostar na valorização dos ativos. O fenômeno ocorre tanto no BOVA11, ETF que replica o Ibovespa, quanto no EWZ, que sobe 7% apenas no começo deste mês. As call spreads combinam compra e venda de opções de compra em diferentes níveis de preço, reduzindo o custo da aposta em relação à compra simples de calls.

A pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta endossou a expectativa de que a chapa à direita está se fortalecendo e reduzindo a distância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No segundo turno, o levantamento mostrou empate técnico entre os principais candidatos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente, com 46,4% (ante 42,6% na pesquisa anterior), enquanto Lula tem 46,2% (ante 47,1%). Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico. No primeiro turno, Lula mantém a liderança com 43%, mesmo patamar de agosto, e Flávio soma 37,4%, ante 34%.

A leitura do mercado é de que uma disputa mais equilibrada abre espaço para mudança de rumo político e fiscal, levando investidores a realizar movimentos no mercado à vista e futuro que se retroalimentam. Norberto Sangalli, broker de renda variável da Nippur, afirma que o movimento no EWZ tem sido incomum e concentrado nesse tipo de aposta. Ele destaca que as apostas eleitorais, antes previstas para depois do pleito, começaram a antecipar o resultado. "As posições começaram a migrar para outubro, refletindo a percepção de que a disputa mais equilibrada nas pesquisas pode gerar reprecificação mais rápida dos ativos brasileiros", diz.

Roberto Moura, head de renda variável da Grand Capital Invest, observa que o posicionamento fica mais claro no vencimento de novembro, após o segundo turno. Segundo ele, os negócios se concentram em calls, sobretudo em strikes altos, na região de 200 mil e 210 mil pontos do Ibovespa. "Essa estrutura serve para turbinar o ganho se a bolsa disparar num cenário de mudança política", afirma.

Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, aponta que um dos sinais mais claros é a abertura do diferencial entre a volatilidade implícita (IV) e a histórica (HV) do EWZ. A IV subiu para cerca de 41,5%, enquanto a HV de 200 dias permanece próxima de 26,1%. "É um comportamento clássico de pré-evento. A volatilidade implícita sobe antes do fato sem que a volatilidade efetivamente observada acompanhe o movimento, porque o mercado está comprando proteção antes da definição das urnas", afirma. Para ele, o fenômeno não deve ser interpretado necessariamente como otimismo com o Brasil, mas como estratégia de hedge diante de um evento binário.

Saadia acrescenta que o aumento da demanda por opções também ajuda a explicar parte da valorização recente do EWZ. Quando market makers ficam na ponta vendedora das calls compradas, precisam comprar os ativos correspondentes para neutralizar a exposição à alta. À medida que esses ativos se valorizam, o hedge pode exigir novas compras, reforçando o movimento do Ibovespa e do EWZ.

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