Armor Capital vê Bolsa no preço justo e aposta no câmbio
A Armor Capital avalia que a Bolsa brasileira não está mais barata e vê o Ibovespa em fair value. A gestora, que prefere o câmbio, projeta dólar a R$ 5,25 e Selic em 13,75% ao ano. Entenda a leitura da casa para os próximos meses.
Armor Capital vê a Bolsa num preço justo e tem outra aposta para os próximos meses
A Bolsa brasileira já não está "barata" e faltam gatilhos para o retorno do Ibovespa (IBOV) aos níveis recordes, na avaliação da Armor Capital. A gestora, que prefere o câmbio, está comprada em real e vendida em bolsa, com projeção de dólar a R$ 5,25.
Resposta direta: o que a Armor Capital diz sobre a Bolsa?
A Armor Capital avalia que a Bolsa brasileira está em fair value, ou seja, bem precificada para os riscos atuais. A gestora vê a Selic em patamar elevado, o que exige desconto para compensar o custo de carrego. A preferência da casa é pelo câmbio, com posição comprada em real.
Por que a Armor Capital vê a Bolsa em fair value?
Segundo Paula Moreno, co-CIO e sócia da gestora, a Bolsa brasileira está "muito 'fair', em um fair value", em entrevista ao Money Times. A executiva explicou que a Selic elevada exige que a bolsa tenha um desconto para compensar o custo de carrego.
"Ela está muito bem precificada para os riscos que temos no atual cenário", acrescentou.
Na visão da gestora, a volatilidade do mercado deve seguir elevada no curto prazo, diante das incertezas envolvendo a guerra entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio, a trajetória dos juros norte-americanos e as eleições de outubro no Brasil. "A janela do terceiro trimestre promete ser uma janela ainda de muita volatilidade."
Quando a Bolsa pode voltar a subir com consistência?
Um eventual movimento de alta mais consistente da bolsa ficaria mais concentrado no fim do ano e dependeria, principalmente, de um desempenho mais forte das bolsas em Wall Street. A leitura da Armor é que, sem esse gatilho externo, o Ibovespa tende a oscilar sem direção clara.
A aposta da Armor Capital: câmbio no lugar da Bolsa
Hoje, a preferência da Armor é pelo câmbio. A gestora está comprada em real e vendida em bolsa brasileira. A projeção para câmbio é de R$ 5,25, ligeiramente acima da estimativa dos analistas consultados pelo Banco Central no último Boletim Focus.
Essa alocação reflete a visão de que o real tem espaço para se valorizar, enquanto a bolsa já precificou os riscos do cenário. A aposta no câmbio, portanto, é a principal posição tática da casa para os próximos meses.
Fluxo estrangeiro: o que dizem os dados da B3?
Depois de dois meses consecutivos de saída, o "gringo" voltou à bolsa brasileira em julho. Segundo dados da B3, os investidores estrangeiros encerraram o mês passado com saldo positivo de R$ 2,5 bilhões em ações listadas.
Apesar da retomada das entradas, Paula Moreno afirma que o movimento recente tem o mesmo fundamento do início do ano: a rotação global em meio às incertezas do cenário internacional.
"No início do ano houve um movimento de diversificação para outras regiões, beneficiando o Brasil. Depois, com a guerra e o fortalecimento do dólar, parte desse fluxo saiu. Agora estamos vendo uma volta, mas não é uma volta grande. É um movimento simplesmente de rotação."
Selic e juros americanos: o cenário da Armor para 2026
A continuidade dos cortes da Selic também deve sustentar o interesse pelos ativos locais, com juros parados nos Estados Unidos. Hoje, o cenário da Armor Capital é de Selic a 13,75% ao ano, ou seja, uma nova redução de juros na decisão de setembro e manutenção da taxa até dezembro no Brasil. Nos Estados Unidos, a taxa de juros deve permanecer na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
"A inflação surpreendeu para baixo e o Banco Central continua cortando os juros. Esse é um fator positivo para o Brasil", afirmou.
A combinação de juros locais em queda com juros americanos estáveis tende a favorecer o fluxo para ativos brasileiros, na avaliação da gestora.
Tarifas dos EUA: impacto limitado para o Brasil
Para a Armor, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no mês passado também têm impacto limitado. "Do ponto de vista de alocação, não mudou nada para a gente", afirmou Paula Moreno.
Ela afirma que a maior parte da pauta exportadora do Brasil para os EUA continua isenta da sobretaxa, casos de combustíveis, café, carnes, suco de laranja e aeronaves. Considerando essas exceções, o impacto financeiro estimado da medida seria de aproximadamente US$ 9 bilhões, nas contas da Armor.
Isso deve ser compensado pela alta recente dos preços do petróleo, na visão da gestora.
"Nós temos uma adição da ordem de US$ 15 bilhões com os preços do petróleo mais elevados. Isso tem um impacto maior do que o do 'tarifaço'", afirmou.
Exposição à Ásia protege exportadoras brasileiras
Segundo a gestora, o Brasil também continua relativamente protegido, já que muitas empresas exportadoras têm maior exposição à Ásia do que aos Estados Unidos. Essa diversificação geográfica reduz o peso das tarifas americanas na pauta exportadora nacional.
Perguntas Frequentes
A Bolsa brasileira está barata?
Na avaliação da Armor Capital, não. A gestora vê o Ibovespa em fair value, ou seja, bem precificada para os riscos do cenário atual.
Qual é a projeção da Armor para o dólar?
A projeção da Armor Capital é de R$ 5,25, ligeiramente acima da estimativa dos analistas consultados pelo Banco Central no último Boletim Focus.
O que a Armor Capital recomenda: Bolsa ou câmbio?
A gestora está comprada em real e vendida em bolsa brasileira, indicando preferência pelo câmbio no momento.
Qual é a projeção da Armor para a Selic?
A Armor Capital projeta Selic a 13,75% ao ano, com nova redução em setembro e manutenção até dezembro.
As tarifas dos EUA afetam o Brasil?
O impacto é limitado, estimado em US$ 9 bilhões, e deve ser compensado pela alta do petróleo, que adiciona US$ 15 bilhões, segundo a Armor.
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