Investimentos

Calvície vira aposta nos EUA após remédios para obesidade

ResumoA Veradermics registrou alta de quase 500% em suas ações desde fevereiro, impulsionada pelo interesse farmacêutico em tratamentos contra calvície após o sucesso de remédios para obesidade. Novos medicamentos capilares, desenvolvidos por empresas como a Veradermics, têm previsão de chegada ao mercado americano em 2027. O movimento transforma a queda de cabelo em nova aposta comercial nos Estados Unidos.

Após o boom dos remédios para obesidade, farmacêuticas miram a calvície. Ações da Veradermics subiram quase 500% desde fevereiro. Novos tratamentos podem chegar ao mercado em 2027.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 29 de agosto de 2026
Calvície vira aposta nos EUA após remédios para obesidade

Após o sucesso dos medicamentos para obesidade, as farmacêuticas encontraram uma nova aposta: a calvície. A queda de cabelo de padrão hereditário afeta cerca de 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres nos Estados Unidos, mas não há novos medicamentos aprovados desde o fim dos anos 1990. Essa lacuna abriu espaço para uma corrida bilionária, e Wall Street já recompensa as empresas que lideram a frente.

A promessa de tratamentos inovadores fez as ações da Veradermics Inc., negociadas sob o código MANE, dispararem quase 500% desde a abertura de capital em fevereiro. Já os papéis da Absci Corp. mais que dobraram em 2026. A Cosmo NV também apresentou resultados positivos com um tratamento experimental, embora suas ações em Zurique tenham sido pressionadas pelo sucesso de concorrentes americanos.

Para quem não pode ou não quer fazer um transplante capilar, restam duas opções: o minoxidil tópico, princípio ativo do Rogaine, ou a finasterida, vendida como Propecia. Ambos podem causar efeitos colaterais debilitantes, como palpitações cardíacas e redução da libido. É por isso que a busca por alternativas mais seguras e eficazes movimenta o setor.

O mercado lembra o boom dos GLP-1, que levaram a Eli Lilly a superar US$ 1 trilhão em valor de mercado e a Novo Nordisk a se tornar, por um breve período, a empresa mais valiosa da Europa. A diferença: medicamentos contra calvície provavelmente continuarão sendo pagos diretamente pelo consumidor, sem cobertura dos planos de saúde.

Uma das terapias mais próximas do mercado é o clascoterona tópico da Cosmo, que bloqueia no folículo capilar o hormônio que contribui para a queda dos fios. A companhia planeja pedir aprovação à FDA no primeiro trimestre de 2027, e analistas do Jefferies estimam vendas globais de até US$ 3 bilhões. Já a Veradermics anunciou em abril resultados positivos de um comprimido de minoxidil, que pode ser o primeiro aprovado para calvície feminina.

A Absci, por sua vez, desenvolve o ABS-201, uma injeção projetada com inteligência artificial, com dados preliminares esperados para o segundo semestre. "Obesidade e queda de cabelo são mercados de consumo grandes", disse Geoff Hsu, da OrbiMed. Mas o risco é alto: antes dos GLP-1, toda uma geração de remédios contra obesidade fracassou, e alguns laboratórios entraram em falência.

Apesar das avaliações elevadas, analistas seguem otimistas. "Esta é uma história de tudo ou nada. Eu compraria agora porque ainda está barata", disse Gil Blum, da Needham, sobre a Absci. Para o investidor, o ciclo pode virar: quem entrar cedo pode colher retornos expressivos, mas o risco de fracasso é parte do jogo.

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