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Kapitalo aposta no real e reduz juros no Brasil após agosto

A Kapitalo, uma das maiores gestoras independentes de fundos multimercados do país, cortou aplicações em juros reais e nominais no Brasil e ampliou posições na moeda brasileira nos fundos Kappa e Zeta. A mudança consta no relatório de gestão de agosto da casa, conhecida por estratégias mais agressivas.

Em resumo: a gestora reduziu juros no Brasil, aumentou exposição ao real, manteve compras em ações brasileiras e diminuiu posições em ações globais. Os dois fundos seguem a mesma estratégia, com níveis de risco diferentes.

Os ganhos de agosto vieram em boa parte da bolsa: 3,80% no Kappa e 5,82% no Zeta. Ainda assim, ambos ficaram abaixo do CDI no acumulado do ano, com 6,36% e 3,83%, o equivalente a 68% e 41% do indicador até agosto.

Segundo o relatório, setembro começou com cortes em posições de juros no Reino Unido e na Zona do Euro e aumento em dólar canadense. Em commodities, a gestora iniciou investimentos em cobre e montou posição vendida em açúcar, reduziu apostas na queda de petróleo e ouro e zerou compras em milho.

No cenário externo, a Kapitalo segue vendo o conflito entre Estados Unidos e Irã sem perspectiva de resolução no curto prazo. A gestora espera que a próxima decisão de juros nos EUA seja novamente apertada e dependente dos dados de inflação de agosto.

No Brasil, a avaliação é de que os sinais de desaceleração da atividade se confirmaram em agosto. Dados de confiança da Fundação Getulio Vargas, segundo a gestora, sugerem continuidade da perda de força da economia no segundo semestre.

A Kapitalo projeta dinâmica mais favorável para a inflação no curto prazo, mas lista riscos adiante. Um deles é a discussão sobre o fim da escala 6 por 1, cujo impacto inflacionário poderia ser absorvido em parte por produtividade e ajustes do mercado de trabalho, com pressão maior sobre serviços.

Outro ponto é o El Niño. A transmissão inicial para os preços pode se concentrar em alimentos in natura já no último trimestre deste ano, enquanto quebras de safra podem atingir grãos e carnes, sobretudo a partir da segunda metade de 2027. A intensidade desses efeitos depende da atividade e da massa salarial: desaceleração mais forte pode compensar parte da pressão.

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Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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