Investimentos

Estrangeiros voltam à bolsa brasileira: R$ 3,2 bi na semana

ResumoO fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira registrou entrada líquida de R$ 3,2 bilhões na última semana, conforme relatório do Bank of America (BofA). O movimento reverte parcialmente a saída de R$ 22 bilhões observada em agosto. O Ibovespa liderou a alta entre as principais bolsas globais no período.

Depois de retirarem quase R$ 22 bilhões em agosto, investidores estrangeiros voltaram a aportar R$ 3,2 bilhões na bolsa brasileira na última semana, segundo o BofA. Ibovespa lidera alta entre as principais bolsas do mundo.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 29 de agosto de 2026
Estrangeiros voltam à bolsa brasileira: R$ 3,2 bi na semana

Depois da debandada bilionária nas primeiras semanas de agosto, os investidores estrangeiros voltaram a aportar recursos na bolsa brasileira. Segundo o Bank of America (BofA), os 'gringos' injetaram R$ 3,2 bilhões na última semana, revertendo parte dos quase R$ 22 bilhões retirados no mercado à vista no mês passado. No acumulado do ano, o saldo de capital estrangeiro segue positivo, em R$ 16 bilhões.

Com o alívio recente, o Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,9% em dólares. Em termos nominais, a alta foi de 2,71%. O resultado colocou a B3 na liderança isolada entre as principais bolsas do mundo e dos mercados emergentes.

Segundo os estrategistas do BofA, o Brasil ganhou fôlego com a rotação geográfica dentro dos mercados emergentes. Os fundos de emergentes, excluindo a China, captaram US$ 700 milhões na semana. Em destaque, a Coreia do Sul, que vinha acumulando fortes aportes há meses, sofreu saídas expressivas. Parte dessa liquidez migrou para a América Latina (+US$ 200 milhões) e para fundos dedicados exclusivamente ao Brasil (+US$ 100 milhões).

O Brasil também apresenta o maior desconto entre as bolsas da América Latina. Considerando o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) projetado para 12 meses, a bolsa negocia com desconto de 23% em relação à média histórica e de 17% frente a pares latino-americanos.

O BofA avalia que os investidores seguem em compasso de espera pelo desfecho das eleições. Pesquisas recentes mostram maior convergência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL). A evolução das investigações relativas ao Banco Master e as investigações sobre o filho de Lula (Lulinha) são questões-chave que podem afetar a corrida eleitoral.

O risco fiscal também entra na conta. "Independentemente de quem vencer as eleições, todos os candidatos reconhecem a necessidade de reformas fiscais para restaurar a credibilidade das políticas públicas e garantir a sustentabilidade da dívida no futuro", diz o banco. As medidas propostas pelos candidatos sobre o tema ainda não estão claras e só devem ser conhecidas após o resultado do pleito.

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