Bolsa após julho: riscos e oportunidades para agosto, diz Empiricus
Após a recuperação do Ibovespa em julho, o analista Ruy Hungria, da Empiricus Research, aponta os riscos e oportunidades para agosto. Inflação, Selic, balanços e eleições seguem no radar.
Após alta da Bolsa, o que esperar de agosto? Analista da Empiricus aponta os principais riscos e oportunidades
O mercado brasileiro fechou julho em cenário mais favorável que nos meses anteriores, mas ainda exige cautela, avalia Ruy Hungria, analista da Empiricus Research. Em entrevista ao Giro do Mercado, nesta sexta-feira (31), ele listou os pontos de atenção para os investidores.
O que esperar de agosto? Para o analista, apesar da recuperação do Ibovespa em julho, seguem no radar as incertezas com inflação, perspectivas para a Selic, temporada de resultados e avanço do calendário eleitoral. A recomendação é uma postura seletiva na Bolsa.
Inflação e política monetária: o foco desde abril
Desde abril, o principal foco do mercado tem sido a trajetória da inflação e seus impactos sobre a política monetária. Em julho, houve melhora temporária, impulsionada pela trégua nos conflitos geopolíticos e pela queda dos preços do petróleo, fatores que aliviaram parte das preocupações com os preços.
"Entretanto, no meio desse caminho, o cenário voltou a se deteriorar com a intensificação dos conflitos e a recuperação das cotações da commodity para patamares mais elevados, pressionando novamente as expectativas de inflação", afirmou Hungria.
Apesar disso, os indicadores inflacionários divulgados recentemente vieram melhores que o esperado. Isso reforça a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para uma flexibilização monetária mais intensa do que a atualmente precificada pelo mercado.
Balanços do 2º trimestre: o próximo teste
Embora o cenário seja mais construtivo para os ativos brasileiros, a temporada de balanços do segundo trimestre será fundamental para definir a direção do mercado nos próximos meses. "Precisamos entender se as companhias continuarão entregando resultados resilientes ou se a atividade econômica começará a mostrar sinais mais claros de enfraquecimento", disse Hungria.
Diante desse contexto, ele defende uma postura seletiva. A preferência deve recair sobre empresas com baixos níveis de endividamento, geração consistente de caixa, posição de liderança em seus segmentos e maior capacidade de atravessar períodos de desaceleração econômica e juros elevados.
O que acompanhar nas próximas semanas
Além dos balanços, Hungria destaca que os investidores devem acompanhar de perto os próximos indicadores de inflação e a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode trazer novas sinalizações sobre a trajetória dos juros.
O cenário político também ganhará relevância. Com a aproximação das eleições, a divulgação das pesquisas eleitorais tende a exercer influência cada vez maior sobre os ativos brasileiros, elevando a volatilidade dos mercados.
Para quem busca oportunidades, a recomendação é focar em empresas resilientes, com fundamentos sólidos para atravessar um cenário de juros ainda elevados. como investir em ações com juros altos
Perguntas Frequentes
O Ibovespa deve continuar subindo em agosto?
O analista vê cenário mais construtivo, mas a direção dependerá dos balanços do 2º trimestre e dos próximos dados de inflação.
Quais setores são mais indicados para agosto?
Empresas com baixo endividamento, geração de caixa e liderança de mercado são as preferidas do analista.
Como as eleições podem afetar a Bolsa?
As pesquisas eleitorais tendem a aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros nas próximas semanas.
O que o Copom pode sinalizar?
A reunião pode trazer novas indicações sobre a trajetória da Selic, influenciando as expectativas do mercado.