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Ambev deve mostrar força no Brasil no 2T, mas mercado já precifica trimestre forte

Ambev deve mostrar força no Brasil no 2T, mas mercado já precifica trimestre forte

A Ambev deve mostrar força no Brasil no segundo trimestre de 2025, com avanço de receita e volumes, mas o mercado já precifica esse desempenho, limitando o potencial de alta das ações. A análise conecta os resultados esperados ao cenário macroeconômico e às expectativas dos investidores.

Resultados esperados para o 2T25: crescimento no Brasil

A Ambev, maior fabricante de bebidas do Brasil, deve reportar no 2T25 um crescimento de receita no mercado doméstico. O segmento premium, que inclui marcas como Stella Artois e Corona, continua puxando o faturamento, com margens mais altas. A recuperação do consumo em bares e restaurantes, após o período de restrições, também contribui para o avanço.

Segundo analistas, a receita líquida da Ambev no Brasil deve crescer entre 5% e 7% na comparação anual, impulsionada por volumes e mix de produtos. O mercado de cerveja como um todo no Brasil cresceu 3% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). A Ambev, com cerca de 60% de participação de mercado, tende a se beneficiar desse movimento.

Rentabilidade: custos controlados e ganhos de eficiência

A margem EBITDA da Ambev no Brasil deve ficar estável ou ligeiramente acima do 1T25, em torno de 38% a 40%, refletindo custos de insumos controlados e ganhos de eficiência operacional. O programa de digitalização da distribuição, iniciado em 2023, já reduziu despesas logísticas em 2% no ano passado.

No entanto, o câmbio continua sendo um ponto de atenção. O real depreciado frente ao dólar encarece insumos importados, como lúpulo e malte. A Ambev, porém, tem hedge cambial para cerca de 60% das compras do ano, o que mitiga parte desse impacto.

Mercado já precifica trimestre forte: o que esperar das ações

As ações da Ambev (ABEV3) acumulam alta de 8% no segundo trimestre, refletindo as expectativas de resultados sólidos. O mercado já embute um crescimento de receita de 6% e margem EBITDA de 39% para o 2T25. Isso significa que, mesmo que os números venham em linha com as projeções, o potencial de alta das ações pode ser limitado.

O múltiplo EV/EBITDA da Ambev está em 12,5x, acima da média histórica de 11x, indicando que o papel não está barato. Para o investidor, o risco é de realização de lucros após a divulgação dos resultados, caso o mercado já tenha precificado o bom desempenho.

Cenário macroeconômico: inflação e juros pesam no consumo

O cenário macroeconômico brasileiro apresenta sinais mistos. A inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), acima do centro da meta de 3%, o que pressiona o poder de compra das famílias. A taxa Selic, atualmente em 9,75% ao ano (Banco Central, maio/2026), inibe o consumo de itens discricionários, como cerveja em bares.

Por outro lado, o mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em 7,2% no trimestre encerrado em maio (IBGE, PNAD Contínua, mai/2026), sustenta a renda das famílias. A combinação de juros altos e emprego em alta cria um ambiente de consumo seletivo, beneficiando marcas premium, mas pressionando o segmento popular.

Concorrência e inovação: o que esperar para o segundo semestre

A Ambev enfrenta concorrência crescente de marcas artesanais e de grandes players como Heineken e Grupo Petrópolis. A Heineken, por exemplo, investiu R$ 1,5 bilhão em capacidade produtiva no Brasil em 2024, segundo dados da empresa. Para se diferenciar, a Ambev aposta em inovação, com lançamentos como a cerveja sem álcool e edições limitadas.

No segundo semestre, a expectativa é de que a Ambev intensifique a estratégia de premiumização, com foco em marcas de maior valor agregado. O verão, que concentra 40% do consumo anual de cerveja no Brasil, será um teste para a capacidade de execução da empresa.

O que esperar do guidance para 2025

A Ambev deve manter o guidance de crescimento de receita entre 4% e 6% para 2025, com margem EBITDA entre 38% e 40%. A empresa também deve reiterar o compromisso com a geração de caixa, com investimentos de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões no ano.

Para o investidor, o ponto de atenção é a capacidade da Ambev de entregar crescimento em um ambiente de juros altos e inflação persistente. O mercado já precifica um trimestre forte, mas o segundo semembro será decisivo para confirmar a tendência.

Perguntas Frequentes

A Ambev deve superar as expectativas do mercado no 2T25?

É possível, mas o mercado já embute um trimestre forte, com crescimento de receita de 6% e margem EBITDA de 39%. Superar essas expectativas exigiria um desempenho excepcional em volumes ou margens.

Qual o principal risco para as ações da Ambev?

O principal risco é a realização de lucros após a divulgação dos resultados, caso o mercado já tenha precificado o bom desempenho. Além disso, a inflação e os juros altos podem pressionar o consumo no segundo semestre.

Como o câmbio afeta os resultados da Ambev?

O real depreciado encarece insumos importados, como lúpulo e malte. A Ambev tem hedge cambial para cerca de 60% das compras do ano, o que mitiga parte do impacto, mas não elimina o risco.

A Ambev está cara para os padrões históricos?

O múltiplo EV/EBITDA de 12,5x está acima da média histórica de 11x, indicando que o papel não está barato. O investidor deve considerar se o prêmio pago se justifica pelo potencial de crescimento.

Qual a perspectiva para o segundo semestre de 2025?

A expectativa é de que a Ambev intensifique a estratégia de premiumização, com foco em marcas de maior valor agregado. O verão será um teste para a capacidade de execução da empresa.

Análise de resultados da Ambev no 1T25 Perspectivas para o setor de bebidas no Brasil em 2025 Como investir em ações da Ambev

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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