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Ações da Shein despencam 10% em estreia na Bolsa de Hong Kong

ResumoA Shein registrou queda de até 10% nas ações na estreia na Bolsa de Hong Kong, após IPO que avaliou a varejista em US$ 26 bilhões. A capitalização ficou abaixo do pico de US$ 100 bilhões alcançado em 2022. O desempenho inicial reflete cautela do mercado diante de desafios operacionais e concorrência no setor de moda rápida.

As ações da Shein despencaram até 10% na estreia na Bolsa de Hong Kong, após IPO que avaliou a varejista em US$ 26 bilhões, abaixo do pico de US$ 100 bilhões de 2022. Entenda o impacto.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 01 de setembro de 2026
Ações da Shein despencam 10% em estreia na Bolsa de Hong Kong

As ações da Shein despencaram até 10% em sua estreia na Bolsa de Hong Kong, após um processo de anos para realizar uma oferta pública inicial (IPO) que avaliou a empresa em uma fração do que ela já chegou a valer. Os papéis caíram para HK$ 43,72 nas primeiras horas, ante o preço de IPO de HK$ 48,56, antes de recuperar parte das perdas. A pressão de venda foi intensa: as ofertas de venda foram atingidas três vezes mais frequentemente do que as ofertas de compra eram executadas.

A empresa levantou HK$ 13,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão) na oferta, que atribuiu à companhia um valor de mercado ligeiramente superior a US$ 26 bilhões, tornando-a uma das maiores empresas de vestuário e moda listadas em bolsa no mundo. Ainda assim, o valor permanece abaixo dos cerca de US$ 30 bilhões da varejista sueca H&M. Para quem acompanha o setor, o número acende um alerta: a Shein, que já foi avaliada em quase US$ 100 bilhões em 2022, agora negocia a um múltiplo de mais de 15 vezes o lucro projetado, cerca do dobro dos 7,4 vezes atribuídos à PDD, dona da Temu, e superior aos 10,7 vezes do índice de referência Hang Seng, de Hong Kong.

A listagem é um teste do apetite dos investidores por varejistas de internet, um setor que enfrenta ventos contrários: inflação, interrupções no comércio internacional e cautela dos consumidores em mercados importantes, incluindo a China. A operação também oferece uma nova referência para a avaliação de empresas de comércio eletrônico transfronteiriço, após anos de escrutínio regulatório e de uma mudança no entusiasmo dos investidores em direção a companhias envolvidas na expansão da inteligência artificial. "Com os investidores favorecendo empresas de IA e tecnologia em Hong Kong, o apelo da Shein é relativamente limitado como uma companhia tradicional de e-commerce que depende fortemente da competição por preços", disse Shen Meng, diretor do banco de investimentos Chanson & Co., com sede em Pequim.

As dificuldades no primeiro dia se encaixam em uma tendência recente de grandes empresas que abriram capital em Hong Kong com desempenho fraco. Embora as novas listagens na cidade tenham registrado, em média ponderada, alta de cerca de 29% no primeiro pregão, segundo dados da Bloomberg, a varejista de moda caminha para ser a terceira empresa consecutiva a iniciar as negociações em queda após levantar mais de US$ 1 bilhão. A Zhongji Innolight caiu 2% em julho, enquanto a Luxshare, fornecedora da Apple, fechou em baixa de 1,6% em seu primeiro dia, também em julho.

Fundada na China e sediada em Cingapura, a Shein construiu uma gigante global do fast fashion com uma cadeia de suprimentos baseada em dados. As tentativas de abrir capital nos EUA e no Reino Unido fracassaram após obstáculos regulatórios e políticos, e Hong Kong acabou sendo o local escolhido. A um múltiplo de 15 vezes o preço sobre o lucro, "a ação já incorpora parte de uma recuperação do crescimento antes que ela tenha sido entregue", disse Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments.

A Shein garantiu apoio de investidores-âncora, incluindo Boyu Capital, Tiger Global Management, General Atlantic, Tencent Holdings Ltd. e UBS Asset Management Singapore, com compromisso de não vender ações por seis meses. Os quatro fundadores continuarão detendo quase 60% da empresa e cerca de 90% dos direitos de voto, com bloqueio de 24 meses. Catherine Lim, analista da Bloomberg Intelligence, avalia que o fim do lock-up em março de 2027 será um teste mais relevante do que a estreia. No primeiro trimestre, a empresa registrou prejuízo de US$ 99 milhões, ante lucro de US$ 395 milhões um ano antes.

O que esperar

A Shein enfrenta pressão crescente: tarifas dos EUA, imposto de importação da Europa sobre produtos de baixo valor e interrupções logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. A Bloomberg informou que o CFIUS está analisando a aquisição da Everlane devido a riscos à segurança nacional relacionados a dados pessoais de americanos. Para o investidor, o recado é de cautela: a avaliação pode continuar com desconto até que a administração prove que a reformulação do modelo de negócios reativa o crescimento.

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