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MGLU3 cai após balanço: o que desagradou o mercado?

Ações do Magazine Luiza (MGLU3) caem após balanço; o que desagradou o mercado?

As ações do Magazine Luiza (MGLU3) figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (7), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Os papéis abriram o pregão no negativo e aprofundaram a queda na primeira hora de negociação. Por volta das 11h10, as ações recuavam 5,91%.

Apesar de a companhia ter apresentado margens operacionais mais resilientes e desempenho sólido nas lojas físicas e nos serviços financeiros, analistas destacaram a continuidade da fraqueza do e-commerce e os desafios para a retomada do crescimento. O que desagradou o mercado, afinal? A resposta está na combinação de receita fraca, prejuízo maior que o esperado e geração de caixa ainda pressionada.

O que o balanço do 2T26 mostrou?

O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões reportado no mesmo período em 2025. Já na linha ajustada, que desconsidera receitas e despesas não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 675,3 milhões no 2T26, uma queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, a cifra é de R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2025.

A receita bruta totalizou R$ 11,1 bilhões, um recuo de 2,2% na comparação anual. Já a receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões no período de abril a junho deste ano.

Apesar do resultado, o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025, o tom da administração é positivo no que diz respeito aos próximos trimestres.

Por que as ações caíram? A visão do JPMorgan

Para o JPMorgan, o resultado foi marcado por uma "linha de receita fraca com margens ligeiramente melhores". O banco destacou que o Ebitda ajustado superou as expectativas, beneficiado pelo controle de despesas e pela contribuição da Luizacred, mas ponderou que o prejuízo líquido ajustado ficou abaixo do esperado e que a geração de caixa permaneceu fraca.

Diante desse cenário, a instituição manteve recomendação underweight, equivalente à venda, para os papéis.

O principal ponto de preocupação do JPMorgan continua sendo a desaceleração das vendas digitais. No trimestre, o GMV online caiu 12% na comparação anual, enquanto o GMV consolidado recuou 5%. Na visão dos analistas, o ambiente macroeconômico desafiador, somado à forte concorrência no comércio eletrônico, segue limitando o potencial de crescimento da companhia, mesmo com a estabilidade das margens.

BTG Pactual: leitura construtiva, com destaque para as lojas físicas

O BTG Pactual teve uma leitura mais construtiva do balanço. O banco ressaltou que as lojas físicas continuam sendo o principal destaque da operação, com crescimento de 9,7% nas vendas mesmas lojas (SSS), impulsionado principalmente pela demanda por televisores e outros produtos relacionados à Copa do Mundo.

Além disso, destacou que a margem Ebitda permaneceu estável em 8%, refletindo disciplina comercial, controle de custos e melhor desempenho da Luizacred. Segundo o BTG, o trimestre reforça que a estratégia da companhia está cada vez mais focada na rentabilidade e na eficiência operacional.

O banco também chamou atenção para a melhora dos indicadores de crédito da Luizacred e para a geração positiva de caixa operacional, sustentada pela redução de estoques. Apesar de reconhecer os desafios para o crescimento, o BTG manteve recomendação de compra para as ações.

XP Investimentos: números fracos, mas em linha

A XP Investimentos classificou os números como fracos, mas amplamente em linha com as expectativas. Na avaliação da corretora, o ambiente macroeconômico e competitivo continua pressionando os resultados da varejista, especialmente no canal online.

A casa destacou que a principal surpresa negativa veio da operação de vendas próprias (1P), impactada pelo repasse dos maiores custos de chips de memória aos preços finais dos produtos, o que reduziu a demanda em categorias de eletrônicos.

Segundo a XP, a retração do e-commerce continua sendo o principal entrave para uma recuperação mais consistente da companhia. Por outro lado, a corretora ressaltou a resiliência das lojas físicas, beneficiadas pela Copa do Mundo, pelos ganhos de participação de mercado e pela expansão da oferta de crédito via CDC.

A XP também destacou o forte desempenho da Luizacred e a conclusão da migração da originação de CDC para a Magalupay, movimento que tende a melhorar gradualmente a rentabilidade da vertical financeira.

O que pode melhorar nos próximos trimestres?

Entre os pontos positivos para os próximos trimestres, a XP chamou atenção para a recente parceria da Magazine Luiza com a Amazon na operação de vendas próprias, anunciada em junho, além da expectativa de novos acordos comerciais.

A corretora também destacou avanços em iniciativas como Magalu Ads, Magalu Cloud e WhatsApp da Lu, que podem contribuir para diversificar as fontes de receita da companhia. Ainda assim, manteve recomendação neutra para os papéis, avaliando que o cenário operacional segue desafiador.

O que isso significa para o investidor?

Para quem acompanha a varejista, o ciclo atual pede paciência. A fraqueza do e-commerce não é exclusiva da Magazine Luiza, mas a empresa enfrenta concorrência acirrada e um ambiente macroeconômico que limita o consumo. O lado positivo está na rentabilidade das lojas físicas e na vertical financeira, que seguem como pilares de sustentação.

A parceria com a Amazon e as novas iniciativas de receita podem ser os catalisadores que o mercado espera, mas ainda não há data para uma virada consistente. O ciclo sempre vira, mas o timing depende de variáveis que a companhia não controla, como juros e confiança do consumidor.

Perguntas Frequentes

Por que as ações do Magazine Luiza caíram após o balanço?

As ações caíram porque o mercado foi desagradado pela fraqueza do e-commerce, com GMV online em queda de 12%, e pelo prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões, além da geração de caixa ainda fraca.

Qual foi o prejuízo do Magazine Luiza no 2T26?

O prejuízo líquido foi de R$ 72,5 milhões, uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões no mesmo período de 2025. Na linha ajustada, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões.

O que o JPMorgan recomendou para MGLU3?

O JPMorgan manteve recomendação underweight, equivalente à venda, citando a desaceleração das vendas digitais e a geração de caixa fraca.

O BTG Pactual recomenda compra ou venda de MGLU3?

O BTG Pactual manteve recomendação de compra, destacando o crescimento de 9,7% nas vendas mesmas lojas e a margem Ebitda estável em 8%.

O que a XP disse sobre o balanço do Magazine Luiza?

A XP classificou os números como fracos, mas em linha com as expectativas, e manteve recomendação neutra, destacando a resiliência das lojas físicas e a parceria com a Amazon.

Qual foi a receita do Magazine Luiza no 2T26?

A receita bruta totalizou R$ 11,1 bilhões, um recuo de 2,2% na comparação anual. A receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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