Ações europeias fecham na mínima em dois meses após alta do BCE
Índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,7% a 635,97 pontos, o menor nível desde 8 de julho, depois que o BCE elevou a taxa de depósito a 2,5% e sinalizou riscos inflacionários ligados ao choque de energia.
As ações europeias caíram para a mínima em dois meses nesta quinta-feira (10), depois que o Banco Central Europeu (BCE) elevou os custos dos empréstimos e alertou para um aumento da inflação provocado pelo choque de energia decorrente da guerra. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,7%, para 635,97 pontos, seu nível mais baixo desde 8 de julho.
Em resumo, o que mudou:
- O BCE subiu a taxa de depósito em 25 pontos-base, para 2,5%, o segundo aumento neste ano.
- A autoridade monetária alertou que o choque energético pode se espalhar pela economia da zona do euro.
- O banco elevou a projeção de crescimento para 2026 de 0,8% para 0,9% e agora espera inflação média de 3% neste ano.
- O STOXX 600 fechou no menor patamar desde 8 de julho.
A decisão busca impedir que a alta nos preços da energia, decorrente da guerra no Irã, contamine a economia da zona do euro, particularmente vulnerável ao choque por sua dependência das importações de combustível. "Os riscos de inflação podem estar aumentando e um novo aumento em dezembro pode ser mais provável do que improvável, mas o BCE ainda precisa agir com cautela", disse Mark Wall, economista-chefe para a Europa do Deutsche Bank. "A economia tem se mostrado resiliente nos últimos seis meses, mas o rápido aumento dos preços do gás significa que o choque negativo de oferta está se intensificando. Isso acabará prejudicando o crescimento."
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou em coletiva após a reunião que "os riscos para as perspectivas de inflação são de alta" e que as pressões de preços podem permanecer acima da meta por um período prolongado. Ela ressaltou, no entanto, que o banco não se comprometeu antecipadamente com nenhuma medida futura.
O movimento se refletiu nas principais praças. Em Londres, o índice Financial Times recuou 0,57%, a 10.608,92 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,84%, a 25.361,15 pontos. Em Paris, o CAC-40 perdeu 0,49%, a 8.116,76 pontos. Em Milão, o Ftse/Mib teve desvalorização de 0,13%, a 51.807,40 pontos. Em Madri, o Ibex-35 registrou baixa de 0,18%, a 19.659,80 pontos. Na contramão, em Lisboa, o PSI20 valorizou-se 0,11%, a 9.455,72 pontos.
Para quem acompanha renda fixa, a leitura é direta: juro mais alto por mais tempo tende a pressionar o valuation das ações e a reabrir prêmio nas curvas de dívida soberana. O BCE sinalizou que não se compromete antecipadamente com nenhuma medida futura, o que mantém a volatilidade no radar.