Ações da Coreia do Sul disparam 22% em 10 dias com chips
Ações da Coreia do Sul disparam 22% em 10 dias com retomada da febre dos chips
O principal índice da bolsa sul-coreana, o Kospi, acumula alta de cerca de 22% desde a mínima de 30 de julho, puxado pelas fabricantes de chips Samsung Electronics e SK Hynix. O movimento ocorre em meio a uma recuperação global das ações ligadas à inteligência artificial (IA), após uma queda histórica no mês passado.
O que isso significa para você: se você investe em fundos ou ETFs internacionais, a recuperação sul-coreana pode sinalizar uma virada no setor de tecnologia, mas ainda há riscos no horizonte. A alta recente não apaga a queda de 22% em julho, a pior mensal desde a crise financeira global.
Por que o Kospi subiu 22% em 10 dias?
O Kospi chegou a subir 4,8% nesta quinta-feira, ampliando o ganho acumulado. As fabricantes de chips de memória Samsung Electronics e SK Hynix lideraram o movimento, com ganhos superiores a 5% cada.
O entusiasmo voltou diante de sinais de que as grandes empresas de tecnologia globais continuam investindo maciçamente em IA, conforme mostram os resultados mais recentes. O sentimento mudou drasticamente em relação aos meses anteriores, quando liquidações forçadas de apostas alavancadas em fabricantes de chips provocaram interrupções nas negociações e eliminaram bilhões de dólares em patrimônio de investidores de varejo.
Medidas recentes do governo para limitar ETFs alavancados de ações individuais e sinais de redução das dívidas de margem dos investidores também ajudaram a estabilizar o mercado.
O papel da inflação americana e do Fed
Um relatório de inflação mais moderado nos EUA, divulgado na quarta-feira, deu novo impulso aos mercados. A redução dos temores de altas iminentes dos juros pelo Federal Reserve favoreceu empresas de chips negociadas nos EUA, o que se refletiu na Ásia.
Além disso, as expectativas de que Samsung e SK Hynix anunciem em breve planos de retorno de capital aos acionistas melhoraram o sentimento nas últimas sessões.
O que dizem os especialistas
Kang DaeKwun, CEO da Life Asset Management, avalia que o mercado exagerou na queda durante o desmonte das posições alavancadas. "Penso que o mercado exagerou na queda durante o desmonte das posições alavancadas, e a recuperação atual é natural, à medida que os fluxos se estabilizaram", disse. "Dito isso, acho que será difícil sustentar uma alta contínua até vermos alguma estabilização na narrativa de IA e nas taxas de juros dos EUA."
Já Qian Zhang, especialista em investimentos em ações de mercados emergentes da Baillie Gifford, aponta um gargalo físico: "Por causa dos agentes de IA e da IA física, a demanda por memória explodiu, mas entramos nesse movimento com uma capacidade de oferta bastante limitada, e esse é o gargalo". Ele ressalva: "Não estamos dizendo que o mundo construirá data centers para sempre nesse ritmo, mas existe um gargalo físico real que apenas algumas empresas no mundo conseguem resolver."
Ainda há riscos: estrangeiros seguem vendendo
Apesar da recuperação, investidores estrangeiros continuam, em termos líquidos, vendendo ações sul-coreanas. Eles retiraram mais de US$ 100 bilhões do mercado de ações do país neste ano, depois que o mercado ficou excessivamente concentrado e sobrevalorizado. Alguns fundos estrangeiros, porém, começaram a retornar, após a liquidação reduzir as avaliações para níveis mais atraentes.
O Kospi ainda está cerca de 24% abaixo do pico registrado no fim de junho. O índice despencou 22% em julho, na pior queda mensal desde a crise financeira global.
Demanda por chips: curto prazo sólido, concorrência chinesa no radar
Embora a ameaça crescente da concorrência chinesa tenha esfriado a forte valorização das ações de memória, as perspectivas de demanda no curto prazo continuam sólidas. A expansão da IA para novas aplicações e o aumento do uso cotidiano da tecnologia estão impulsionando a necessidade de chips.
Para o investidor pessoa física, o cenário misto pede cautela: a alta recente é real, mas sustentada em parte por fluxos de varejo e pela expectativa de retorno de capital. Quem entrou na mínima de julho tem ganho de 22%, mas quem comprou no pico de junho ainda amarga perda de 24%.
O que observar nos próximos meses
- Narrativa de IA: se as grandes empresas de tecnologia continuarem a anunciar investimentos maciços, a demanda por memória tende a se manter.
- Taxas de juros dos EUA: um Fed mais dovish favorece ações de crescimento, incluindo chips.
- Planos de retorno de capital: Samsung e SK Hynix podem anunciar dividendos ou recompra de ações, o que atrairia investidores.
- Fluxo estrangeiro: se a venda líquida estrangeira diminuir, o Kospi pode ganhar mais tração.
- Concorrência chinesa: a ameaça no setor de memória pode limitar a valorização no longo prazo.
Perguntas Frequentes
O Kospi ainda está abaixo do pico?
Sim. Apesar da alta de 22% desde a mínima de 30 de julho, o índice ainda está cerca de 24% abaixo do pico registrado no fim de junho.
Por que as ações de chips subiram tanto?
A retomada dos investimentos em IA pelas grandes empresas de tecnologia globais e um relatório de inflação mais moderado nos EUA impulsionaram o setor.
Quais empresas lideraram a alta?
Samsung Electronics e SK Hynix, com ganhos superiores a 5% cada.
Os estrangeiros estão comprando ações sul-coreanas?
Ainda não em termos líquidos. Eles retiraram mais de US$ 100 bilhões neste ano, mas alguns fundos começaram a retornar.
Qual o risco para quem investe agora?
A alta pode não se sustentar sem estabilização na narrativa de IA e nas taxas de juros dos EUA, segundo o CEO da Life Asset Management.
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