Fleury: CEO diz que difícil é manter rentabilidade; veja estratégia
Em podcast da XP, a CEO do Fleury, Jeane Tsutsui, diz que crescer é fácil, mas manter rentabilidade exige disciplina. Grupo foca em eficiência e capital.
"Crescer bastante é fácil; o difícil é manter rentabilidade", diz CEO do Fleury
O mercado de medicina diagnóstica vive um cenário de incertezas, marcado por envelhecimento populacional, fragmentação, consolidação de grandes grupos e juros acima do esperado. Nesse contexto, o Grupo Fleury (FLRY3) concentra esforços na preservação da rentabilidade, com disciplina financeira e diluição de custos operacionais.
A resposta direta: Segundo a CEO Jeane Tsutsui, crescer bastante é fácil, mas o desafio é crescer mantendo a rentabilidade e uma estrutura de capital adequada. A estratégia do grupo combina expansão orgânica com aquisições estratégicas, priorizando a eficiência e o retorno sobre o capital investido.
A visão da CEO sobre o crescimento e a rentabilidade
Em participação no podcast Expert Talks: Na Mesa com CEOs, produzido pela XP, a executiva detalhou a estratégia. A mediação foi de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, com participação de Gustavo Tiseo, analista de saúde.
Com quase 26 anos de casa e no comando desde 2021, Jeane afirmou: "Crescer bastante é fácil; o difícil é crescer mantendo a rentabilidade e uma estrutura de capital adequada para o momento que vivemos".
A executiva destacou a evolução dos resultados, os diferenciais para ganho de market share e os planos de investimento da empresa, que completa seu centenário.
Market share e fragmentação do setor
O setor de medicina diagnóstica ainda é pulverizado, com cerca de 22.000 laboratórios no país. Para Jeane, a escala operacional e o alcance de diferentes perfis de consumidores são fatores determinantes para ampliar a fatia de mercado.
"Hoje temos 13% de market share de maneira geral, então certamente o mercado de medicina diagnóstica ainda é fragmentado", disse.
A heterogeneidade na penetração da saúde suplementar mantém espaço para capturar novos clientes, tanto por crescimento orgânico quanto por aquisições estratégicas.
Crescimento expressivo e receita recorde
A estratégia combinou expansão própria com fusões e aquisições. A maior movimentação ocorreu em 2023, com a combinação de negócios com o Grupo Pardini.
"O nosso crescimento foi bastante expressivo. De 2018 para cá, temos um CAGR de aproximadamente 13,8%, combinando crescimento orgânico e inorgânico", afirmou a CEO.
No primeiro trimestre de 2026, a receita dos últimos 12 meses atingiu R$ 9,2 bilhões. "Desde 2021, quando assumi, nós mais do que dobramos a receita."
Duas frentes de atuação: B2C e B2B
A expansão consolidou a operação em duas frentes. O atendimento B2C conta com mais de 570 unidades em 14 estados e responde por 70% da receita.
No modelo B2B de apoio laboratorial, o Lab to Lab, o grupo atende mais de 8.000 laboratórios parceiros em 2.200 municípios, cobrindo cerca de 80% da população brasileira.
Estrutura de capital e endividamento
A manutenção de uma estrutura de capital saudável é ponto central neste momento de custo de capital mais elevado. A alavancagem encerrou o 1T26 em 1,0 vez na relação dívida líquida/Ebitda, ante 1,8 vez em 2022.
Os recursos gerados pela operação priorizam o reinvestimento, com foco em modernização de unidades e tecnologia, além da distribuição de proventos aos acionistas.
Reinvestimento e retorno sobre capital
A taxa de reinvestimento em bens de capital se mantém entre 6% e 6,4% ao ano, direcionada à expansão física, sistemas digitais e áreas técnicas. A parcela do lucro distribuída aos investidores oscila entre 85% e 90%.
O plano de reinvestimento foca na maximização do ROIC. Mesmo com a expansão em marcas de segmentos intermediários, que têm margens menores, a menor exigência de capital de giro preserva o retorno.
"Nós olhamos não só o top line, mas a margem e o retorno sobre o capital investido. No final, somos uma empresa lucrativa: no ano passado tivemos R$ 616 milhões de lucro", explicou Jeane.
O que esperar do Fleury daqui para frente
A combinação de crescimento com rentabilidade é o norte da gestão. O grupo aposta na eficiência operacional e na disciplina financeira para navegar o cenário de juros altos.
Para o investidor, a leitura é clara: a companhia prioriza a saúde do balanço e o retorno sobre o capital, mesmo que isso signifique crescer em ritmo mais moderado em segmentos de margem menor. análise de ações FLRY3
Perguntas Frequentes
Qual é o market share do Fleury?
O Grupo Fleury detém cerca de 13% de market share no setor de medicina diagnóstica, segundo a CEO Jeane Tsutsui.
Quanto o Fleury faturou nos últimos 12 meses?
A receita dos últimos 12 meses encerrada no primeiro trimestre de 2026 foi de R$ 9,2 bilhões, mais que o dobro desde 2021.
Qual é o nível de endividamento do Fleury?
A alavancagem ficou em 1,0 vez na relação dívida líquida/Ebitda no 1T26, ante 1,8 vez em 2022.
O Fleury distribui dividendos?
Sim, a parcela do lucro distribuída aos acionistas historicamente oscila entre 85% e 90%.
Quantas unidades o Fleury tem no Brasil?
O grupo opera mais de 570 unidades em 14 estados, além de atender mais de 8.000 laboratórios parceiros em 2.200 municípios. como investir em ações de saúde