Luiz Barsi sobre varejistas: 40 empresas quebraram e as próximas quebrarão
A crise do varejo ganhou novo capítulo nesta semana com os pedidos de recuperação judicial de Casas Bahia (BHIA3) e Marabraz. O movimento reacendeu a frase mais conhecida de Luiz Barsi sobre o setor, dita em vídeo de 2022, há quatro anos.
"Pelo menos 40 empresas de varejo quebraram e as próximas quebrarão. Magazine Luiza um dia vai quebrar. Não sei quando, mas vai. Eu não sou profeta, estou falando em termos de histórico. A Máquina de Vendas e Via também estão penduradas", disse o megainvestidor na ocasião. A Via, então Via Varejo, mudou o nome para Casas Bahia.
A lógica de Barsi é direta: "Algumas empresas no passado não tiveram sua vida financeira ajustada, e como o varejo é uma atividade que tem sempre que apontar recurso, é só uma questão de tempo". O histórico dá lastro à tese. A lista de redes que faliram ou foram compradas inclui Ultralar, Lojas Ducal, Mappin, Mesbla, Lojas Brasileiras, Jumbo-Eletro e Casas Buri.
No último fim de semana, Casas Bahia e Marabraz buscaram a Justiça para pedir recuperação judicial, com dívidas que ultrapassam R$ 18 bilhões. Só no varejo, o crescimento das recuperações judiciais chegou a 20,4% em 12 meses.
O setor carrega riscos estruturais. As companhias costumam ter margem de retorno baixa e dependem do cenário macroeconômico. A economia, que já não está boa, pode piorar em 2027, segundo o CEO da varejista, Renato Franklin, em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre.
O prejuízo explodiu para R$ 10 bilhões, a EY apontou riscos para a continuidade da companhia, e a recuperação judicial foi a saída, medida extrema com forte capacidade de destruição de valor. Para Franklin, o cenário de 2027 é mais restritivo: "Nós não trabalhamos com melhora do cenário macro. Dimensionamos essa fase 2 considerando 2027 pior do que 2026. Então, entendemos que o endividamento vai continuar".
Algumas alavancas deram fôlego ao consumo neste ano, como o empréstimo consignado, "mas isso cria um passivo para o futuro dos consumidores". "Podemos ter, sim, ainda uma deterioração do cenário de crédito. Então, dimensionamos para isso", afirmou.
O número conta a história: a frase de Barsi, dita em 2022, agora se materializa em balanços e pedidos na Justiça. Para quem acompanha o fluxo de capital, o varejo segue como setor de risco elevado, e a recuperação judicial de duas grandes redes pode não ser o último capítulo. recuperação judicial de varejistas