Estrategista-chefe vê ações com potencial de 100% de alta; veja quais
O estrategista-chefe Marco Saravalle, da Krivo Capital, afirma que há empresas negociando com descontos de 50% a 100% do valor justo. Em entrevista, ele revela as ações favoritas e a estratégia do novo fundo FIA Krivo Exponencial.
Estrategista-chefe vê ações com potencial de 100% de alta; veja as favoritas
Qual é o melhor momento para investir em Bolsa: quando os índices batem recordes e o mercado está eufórico ou em meio às incertezas que fazem os ativos perderem valor? Para o estrategista-chefe Marco Saravalle, da Krivo Capital, a resposta está no meio da crise. "Há empresas que deveriam valer 50%, 70% ou até 100% mais", afirma.
O momento atual: entre recordes e incertezas
Em abril, o Ibovespa chegou a encostar nos 200 mil pontos, impulsionado por uma enxurrada de capital estrangeiro. Até meados de maio, o fluxo internacional acumulado batia R$ 70 bilhões, mais que o dobro do total registrado em 2025, quando o saldo anual foi de R$ 25,47 bilhões.
Porém, a guerra no Irã freou essa disparada. O petróleo acima de US$ 90 o barril mexeu com as expectativas para os juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O resultado: os juros podem ficar mais altos por mais tempo, uma notícia nada boa para a Bolsa.
"Existe uma máxima no mercado que devemos comprar quando há medo e vender quando há euforia. Na prática, isso é muito difícil, porque o investidor normalmente faz exatamente o contrário", explica Saravalle.
A aposta do estrategista: fundo FIA Krivo Exponencial
Com passagem por XP e Safra e mais de 20 anos de mercado, Saravalle acaba de lançar um novo fundo de ações para a Krivo Capital: o FIA Krivo Exponencial, com meta de captar R$ 20 milhões no primeiro mês de operação.
Voltado para investidores comuns, o fundo permite aplicações a partir de R$ 15. Outro ponto importante é a liquidez: o prazo de resgate será de cerca de D+10, considerando o período de liquidação. Na prática, o cotista recebe os recursos entre 10 e 12 dias após solicitar o resgate.
A ideia é "garimpar" boas ações escondidas na Bolsa. Mas não só: o fundo também poderá investir em ações fora do Brasil. "Se enxergarmos melhores oportunidades nos Estados Unidos, podemos aumentar a exposição por lá. Se encontrarmos oportunidades em commodities ou em outros mercados internacionais, também podemos investir nesses ativos", diz Saravalle, em entrevista ao Money Times.
Ações favoritas: Itaú (ITUB4)
No receituário do estrategista-chefe, o remédio para atravessar o momento de incerteza é seguir pelo caminho mais seguro: apostar em empresas com qualidade comprovada. Entre os papéis que cita está um velho conhecido do mercado: o Itaú (ITUB4).
Nos seus cálculos, o banco negocia a um múltiplo inferior a oito vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, enquanto sua média histórica gira entre 10 e 11 vezes. Além disso, a instituição entrega um retorno sobre o patrimônio (ROE) acima de 20%, "com resultados bastante consistentes".
"Isso significa que a ação não pode cair mais? Claro que não. Se o cenário macroeconômico piorar, ela pode sofrer como qualquer outra empresa." Mas, ele explica, se o investidor olhar além do curto prazo e imaginar um ambiente de inflação em queda e redução dos juros nos próximos 12 a 24 meses, "é fácil enxergar um potencial importante de valorização".
"Talvez ela não seja a ação mais barata da Bolsa, mas qualidade também tem preço. Em momentos como este, preferimos pagar um pouco mais caro por uma empresa excelente do que comprar um ativo muito barato apenas porque ele parece descontado."
C&A (CEAB3): a aposta no varejo
Outra empresa na mira é a C&A (CEAB3). Pelas estimativas do estrategista, a companhia negocia a cerca de três vezes o EV/Ebitda (valor da empresa sobre o Ebitda), enquanto empresas comparáveis costumam negociar entre cinco e sete vezes.
"Isso significa que a ação necessariamente vai dobrar? Não. Mas mostra que o mercado está atribuindo um desconto muito elevado para um ativo que, caso o cenário econômico melhore, pode passar por uma reprecificação relevante. É justamente isso que queremos dizer quando falamos em assimetria."
Cury (CURY3): resiliência no setor imobiliário
Por fim, ele cita a Cury (CURY3). A companhia atua em um segmento considerado bastante resiliente, principalmente ligado ao programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, na sua visão, possui uma estrutura de capital saudável, com baixa alavancagem quando comparada a outras incorporadoras. Esse perfil, diz, faz com que a empresa consiga atravessar períodos de juros elevados muito melhor do que boa parte do setor.
"É verdade que empresas de maior qualidade normalmente negociam com múltiplos superiores aos da média. Ainda assim, quando vemos ações como Itaú, C&A e Cury caindo 20%, 30% ou até 40%, entendemos que surgem oportunidades interessantes para quem tem uma visão de longo prazo."
A estratégia de total return
Saravalle explica que o fundo foi estruturado com uma estratégia de total return, ou seja, o objetivo é gerar retorno independentemente do comportamento dos juros, da Bolsa brasileira ou de um mercado específico.
Segundo ele, existem diversas empresas de qualidade negociando com descontos significativos. Evidentemente, é preciso avaliar caso a caso, analisar a estrutura de capital, o nível de endividamento e os riscos específicos de cada companhia. "Mas, para quem investe olhando o longo prazo, acreditamos que há boas oportunidades."
Perguntas Frequentes
Qual é o potencial de valorização das ações citadas?
Saravalle afirma que enxerga potencial de valorização de 50%, 70% ou até 100% no longo prazo para algumas empresas, como Itaú, C&A e Cury.
Como investir no fundo FIA Krivo Exponencial?
O fundo permite aplicações a partir de R$ 15, com prazo de resgate de cerca de D+10. É voltado para investidores comuns.
O fundo investe apenas em ações brasileiras?
Não. O fundo também poderá investir em ações fora do Brasil, como nos Estados Unidos e em outros mercados internacionais.
Qual é a estratégia do fundo?
O fundo adota uma estratégia de total return, buscando retorno independentemente do comportamento dos juros, da Bolsa brasileira ou de um mercado específico.
Por que o estrategista está otimista com Itaú, C&A e Cury?
Ele vê descontos significativos em relação ao valor justo, com múltiplos abaixo das médias históricas e setoriais, além de fundamentos sólidos em cada empresa.
fundos de investimento em ações como investir na bolsa em 2026 análise de múltiplos de mercado