Economia

Wall Street tomba após decisão do Fed com maior dissidência em uma década

ResumoWall Street tombou após decisão do Federal Reserve (Fed) de manter juros inalterados, com três diretores votando por alta, a maior dissidência desde 2016. O Dow Jones caiu 1.100 pontos, registrando o pior pregão desde abril de 2025, enquanto o petróleo disparou com a retomada de tensões entre EUA e Irã.

Wall Street tombou após decisão do Fed manter juros inalterados, com três diretores votando por alta, a maior dissidência desde 2016. Dow Jones caiu 1.100 pontos, pior pregão desde abril de 2025, enquanto petróleo disparou com retomada de tensões entre EUA e Irã.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 29 de julho de 2026
Wall Street tomba após decisão do Fed com maior dissidência em uma década

Os índices de Wall Street fecharam em forte queda nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de manter os juros inalterados. O movimento foi acompanhado por uma dissidência histórica entre os diretores do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), a maior em uma década.

O Dow Jones caiu 1.100 pontos, registrando o pior pregão desde abril de 2025. Os investidores avaliaram se o BC conseguirá manter a inflação sob controle diante das divergências internas.

Decisão do Fed mantém juros, mas revela racha histórico

O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Fed manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva, como esperado pelo mercado. A novidade foi a dissidência: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram pela alta de 0,25 ponto percentual.

Esta foi a primeira vez desde 2016 que três dos oito diretores do Fed discordaram da decisão unificada. O presidente da instituição, Kevin Warsh, afirmou durante a coletiva de imprensa que as divergências foram intencionais e bem-vindas. Ele disse que queria uma "boa briga de família" dentro do Fomc e que os três votos dissidentes mostram que o Comitê está debatendo os temas de forma aberta e intensa.

Warsh reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2% e indicou que o BC está reavaliando não apenas a política monetária, mas também sua estratégia de comunicação e o uso de seus instrumentos.

Rendimento dos títulos atinge maior nível desde 2007

Em reação à decisão, o rendimento do título do Tesouro com vencimento em 30 anos, referência para o mercado de hipotecas, atingiu o nível mais alto desde julho de 2007. O yield do título bateu 5,201%, alta de 10,5 pontos-base ante o fechamento anterior.

O movimento reflete a percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo, especialmente diante da pressão inflacionária e das incertezas geopolíticas.

Petróleo dispara com retomada de tensões entre EUA e Irã

A trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã, estabelecida pelo presidente norte-americano Donald Trump no último sábado, chegou ao fim. Hoje, os EUA e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque.

O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou mais uma rodada de sanções contra o Irã, direcionadas a 10 entidades, sendo seis delas sediadas na China, e mais oito petroleiros. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou no comunicado: "Os Estados Unidos não permitirão que o Irã mantenha o comércio global como refém ou use o transporte marítimo internacional para financiar o terrorismo, a agressão e a repressão da Guarda Revolucionária Islâmica".

O Irã, por sua vez, rejeitou uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz e afirmou ter disparado contra navios no estreito e contra bases norte-americanas na Jordânia.

Impacto nos preços do petróleo

A retomada dos combates e os reveses diplomáticos fizeram os preços do petróleo subirem pela primeira vez desde a semana passada. O contrato futuro do Brent para outubro terminou o dia com salto de 7,32%, a US$ 88,09 o barril. O contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro avançou 6,56%, a US$ 84,46 o barril.

Balanços corporativos no radar

Os balanços corporativos seguiram no radar dos investidores, com expectativa pelos números de Meta Platforms e Microsoft do segundo trimestre. As empresas divulgam os resultados após o fechamento regular dos mercados.

Perguntas Frequentes

Por que Wall Street tombou após a decisão do Fed?

Wall Street tombou porque o Fed manteve os juros inalterados pela quinta vez consecutiva, mas três diretores votaram por alta, a maior dissidência desde 2016. O mercado interpretou o racha como sinal de incerteza sobre o controle da inflação.

O que significa a dissidência de três diretores do Fed?

Três dos oito diretores do Fomc, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan, votaram por alta de 0,25 ponto percentual. Foi a primeira vez desde 2016 que três diretores discordaram da decisão unificada.

Quanto caiu o Dow Jones?

O Dow Jones caiu 1.100 pontos, registrando o pior pregão desde abril de 2025.

Por que o petróleo subiu?

O petróleo subiu porque a trégua entre EUA e Irã terminou. Os EUA e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos no Iraque, e o Tesouro norte-americano anunciou novas sanções contra o Irã, elevando os preços do Brent e do WTI.

Qual foi o rendimento do título de 30 anos do Tesouro?

O rendimento do título com vencimento em 30 anos atingiu 5,201%, o maior nível desde julho de 2007, com alta de 10,5 pontos-base.

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