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Vorcaro amplia defesa e tenta terceira delação premiada

Vorcaro amplia defesa e tenta emplacar terceira versão de delação premiada

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, determinou que sua equipe de defesa realize uma nova devassa em documentos para apresentar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma terceira versão da colaboração premiada. A decisão ocorre após duas propostas terem sido rejeitadas e com o empresário há cinco meses na prisão.

Por que Vorcaro tenta uma nova delação?

Com duas propostas de delação rejeitadas e cinco meses de prisão, Vorcaro busca reverter o cenário desfavorável. A defesa tenta desfazer a impressão deixada nas tentativas anteriores, quando investigadores viram pouca disposição do banqueiro em ajudar nas investigações. A nova estratégia envolve a análise de mensagens, e-mails, contratos e o rastreamento de pen drives, HDs e telefones cujas íntegras ainda não foram acessadas por policiais.

O papel de Daniel Bialski na nova estratégia

A banca reunida por Vorcaro tem especialistas nas áreas criminal, empresarial e financeira. O criminalista Daniel Bialski é a contratação mais recente e pediu uma audiência com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Bialski, que já defendeu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), quer levar a Mendonça um pedido para que os advogados fiquem mais horas por dia com Vorcaro.

A rotina na Papudinha, onde Vorcaro está preso, prevê visitas diárias de uma hora de advogados e familiares no parlatório. Na visão da defesa, esse tempo não é suficiente para a complexidade dos processos envolvendo o banqueiro. Na terça-feira, Bialski disse à GloboNews que Vorcaro "quer falar e colaborar". A intenção é destravar a tentativa de delação ainda neste mês, para minimizar a influência do calendário eleitoral.

A rotina de Vorcaro na Papudinha

Instalado em uma das oito celas de 65 metros da Papudinha, em Brasília, Vorcaro ganhou um direito que não tinha na Superintendência da Polícia Federal: um televisor com acesso aos canais abertos, já que o aparelho não pode ter conexão com a internet. No alojamento, ele tem acesso a banheiro com box, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Ele está há 48 dias no local.

Vorcaro recebe advogados diariamente na cela e passa boa parte dos dias discutindo estratégias para convencer as autoridades a aceitarem a delação. A ordem é buscar provas que possam corroborar linhas de apuração já em andamento ou abrir novas frentes. Há também um braço defensivo: segundo interlocutores, Vorcaro insiste que os fundos do Master não eram inflados por ativos podres, como sustenta a investigação, e quer comprovar essa tese.

As rejeições anteriores e o cenário atual

Integrantes da Polícia Federal e da PGR rejeitaram duas propostas de delação feitas pelos advogados de Vorcaro, a primeira encampada por José Luis Oliveira Lima, o Juca, e a segunda por Sergio Leonardo. O argumento foi o de que elas não traziam novos elementos de provas. Segundo a percepção dos investigadores, o banqueiro não estaria disposto a cooperar e teria poucas condições de corroborar seus relatos com documentos, pois já não tem o controle do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Além disso, os investigadores avaliaram que os anexos entregues não apresentam fatos suficientemente inéditos. Vorcaro, por sua vez, demonstra abatimento e desconfiança com a decisão da PF e da PGR em não querer ouvi-lo.

O reforço na equipe de defesa

Para construir essa saída jurídica, Vorcaro recebeu sete advogados diferentes nas últimas semanas. Além de Bialski e de Sergio Leonardo, amigo do banqueiro e integrante da defesa desde o início do caso, passou pela Papudinha o advogado Cézar Bittencourt. O banqueiro avalia que é necessário construir uma relação menos turbulenta com o STF. Em maio, por exemplo, o criminalista Juca deixou a defesa de Vorcaro após um desentendimento com Mendonça.

Bittencourt pode servir também como uma espécie de conselheiro sobre a relação com a Corte. Ele foi o responsável pela delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, uma das bases da denúncia que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro na Corte pela trama golpista.

A preocupação com a prisão domiciliar

Uma das preocupações do banqueiro é a possibilidade de Bolsonaro perder o direito da prisão domiciliar, o que poderia fazer com que o ex-mandatário voltasse a ocupar a cela onde hoje Vorcaro está. No mês passado, o ministro do STF Alexandre de Moraes considerou que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares impostas por ele, mas, no fim, manteve-o em casa.

Com o reforço na equipe de advogados e tentando passar o recado de que agora quer falar, Vorcaro ainda nutre esperança de obter uma prisão domiciliar do Supremo.

Perguntas Frequentes

Quantas delações Vorcaro já tentou?

Duas propostas de delação foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR. A primeira foi encampada por José Luis Oliveira Lima, o Juca, e a segunda por Sergio Leonardo.

Quem é Daniel Bialski?

Daniel Bialski é o criminalista mais recente contratado pela defesa de Vorcaro. Ele já defendeu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-governador do Rio Cláudio Castro.

Onde Vorcaro está preso?

Vorcaro está preso na Papudinha, em Brasília, em uma cela de 65 metros quadrados. Antes, ele estava na Superintendência da Polícia Federal.

O que Vorcaro busca com a nova delação?

Vorcaro busca apresentar uma terceira versão da colaboração premiada, com novas provas e documentos, para convencer as autoridades a aceitarem a delação e, possivelmente, obter uma prisão domiciliar.

Qual a situação do Banco Master?

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Vorcaro já não tem controle da instituição, o que, segundo investigadores, dificulta a corroboração de seus relatos com documentos.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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