Economia

Revolut quer entrar no segmento de empresas no Brasil com câmbio e cartões

ResumoA Revolut, fintech britânica avaliada em US$ 115 bilhões, planeja entrar no segmento de serviços financeiros para empresas no Brasil, com foco em pequenas e médias empresas que importam, exportam ou mantêm negócios no exterior. A oferta deve incluir câmbio e cartões corporativos, ampliando a atuação da empresa no mercado brasileiro.

A fintech britânica Revolut, avaliada em US$ 115 bilhões, prepara uma ofensiva no mercado de serviços financeiros para empresas no Brasil, com foco em PMEs que importam, exportam ou mantêm negócios no exterior.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 14 de setembro de 2026
Revolut quer entrar no segmento de empresas no Brasil com câmbio e cartões

A fintech britânica Revolut, avaliada em US$ 115 bilhões (quase metade do Nubank), prepara sua entrada mais forte no mercado de serviços financeiros para empresas no Brasil. A companhia pretende lançar, nos próximos meses, uma solução de banco para pessoas jurídicas com câmbio, gestão de caixa, cartões corporativos, reembolsos e automação de processos.

A nova frente é considerada estratégica. Segundo Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, aproximadamente 25% do resultado global da fintech já vem do Revolut Business, o braço voltado a empresas.

"Estou trabalhando forte agora para que, a partir dos próximos meses, possa trazer o produto de banco para empresas da Revolut", afirmou o executivo em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube.

A aposta brasileira mira principalmente pequenas e médias empresas, sobretudo as que têm alguma relação com o exterior. Para Mota, esse público ainda enfrenta dificuldades para acessar serviços bancários e, principalmente, operações de câmbio.

"As grandes empresas estão muito bem servidas pelos grandes bancos. Os pequenos e médios hoje batalham para conseguir abrir a conta, imagina para poder fazer câmbio relativo aos seus negócios", disse.

Uma das principais apostas é levar para as empresas a mesma proposta de câmbio que a fintech já oferece às pessoas físicas. A Revolut ganhou espaço no Brasil com a conta global e serviços de movimentação de dinheiro no exterior. Agora, pretende adaptar essa estrutura para companhias que importam, exportam ou mantêm negócios fora do país.

"Para todo mundo que faz importação, exportação ou tem negócio no exterior, vai ser um dos grandes potenciais que a gente gostaria de trabalhar bem", afirmou Mota. O dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0918 em 11 de setembro de 2026, referência para quem opera câmbio no dia a dia.

A estratégia coloca a Revolut em uma disputa diferente da travada no varejo bancário. Em vez de buscar inicialmente a empresa de grande porte, já atendida pelos maiores bancos, a fintech pretende explorar uma parcela do mercado em que, segundo o executivo, há mais espaço para serviços digitais. É uma mudança relevante de posicionamento para a operação brasileira, que até agora concentrou boa parte de sua oferta em pessoas físicas.

A proposta para empresas não deve ficar restrita à conta bancária e ao câmbio. Mota cita serviços que fazem parte do modelo do Revolut Business em outros mercados e que devem ser incorporados à oferta brasileira, como cartões corporativos, processos de reembolso e aprovação automática de políticas internas.

A fintech também pretende usar inteligência artificial para reduzir etapas burocráticas. Um exemplo mencionado pelo executivo é o reconhecimento automático de recibos para facilitar a prestação e a aprovação de despesas.

"Depois vêm todas as soluções de banco para empresas, no sentido de cartão corporativo, processo de reembolso, aprovação de políticas de maneira automática, usando tecnologias mais avançadas, incluindo inteligência artificial para reconhecer o recibo e fazer o processo de aprovação mais conveniente, fácil e barato de usar", afirmou.

A ideia é transformar o produto em uma plataforma de gestão financeira empresarial, e não apenas em uma conta para movimentação de recursos.

A expansão para empresas ocorre ao mesmo tempo em que a Revolut começa a estudar uma atuação mais ampla no crédito brasileiro. A fintech já oferece cartão de crédito no país, mas ainda tem exposição pequena à modalidade quando comparada ao potencial de sua operação. Segundo Mota, a companhia pretende abrir outras linhas de crédito.

O mercado brasileiro, porém, apresenta desafios adicionais. O executivo cita os juros reais elevados, a inadimplência e a volatilidade econômica como fatores que tornam a concessão de crédito mais complexa. A aposta está no uso de tecnologia e dados para melhorar a avaliação de risco. Modelos de inteligência artificial podem permitir que a companhia analise volumes maiores de informação e seja mais precisa na definição de limites e condições.

"Uma das grandes questões do crédito é a análise de risco", afirmou. A fintech pretende usar dados e modelos preditivos para avaliar a capacidade de pagamento dos clientes e dimensionar o crédito de acordo com o risco de cada operação. O executivo ressalva que a estratégia ainda está em fase inicial.

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