Enchentes no Nepal e Tibete: o que se sabe até agora
Enxurradas e deslizamentos de lama devastaram vales no Himalaia, matando ao menos 160 pessoas e deixando centenas desaparecidas, incluindo turistas. Entenda o que se sabe.
As enchentes mortais que atingiram o Himalaia nesta quarta-feira (26) devastaram vales fluviais na fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete, arrastando vilarejos e deixando um rastro de destruição. Autoridades nepalesas registraram 157 mortes, enquanto a agência estatal chinesa Xinhua informou que um deslizamento de terra matou ao menos três pessoas e deixou 265 desaparecidas no lado chinês. Centenas de pessoas estão mortas ou desaparecidas, incluindo turistas estrangeiros.
As águas avançaram pelo vale do rio Trishuli, cercado por montanhas íngremes, destruindo pelo menos 19 pontes e 40 quilômetros de estradas, segundo comunicado do primeiro-ministro do Nepal. Imagens da polícia nepalesa mostram o rio transbordando e arrastando casas, enquanto cidades ficaram parcialmente soterradas pela lama. O fenômeno que desencadeou a tragédia foi uma avalanche de gelo: uma avaliação preliminar de geólogos e glaciologistas indica que um enorme bloco de gelo se desprendeu de uma geleira de alta altitude, despencando milhares de metros e gerando um grande volume de água que alimentou as enchentes. O impacto foi tão forte que o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a registrar o evento como um terremoto de magnitude 5,2.
O desastre pegou as autoridades de surpresa, pois não chovia na região, segundo Narendra Pariyar, principal autoridade administrativa do distrito de Rasuwa. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o governo recebeu informações preliminares sobre a avalanche na manhã de quarta-feira. O episódio lembra o desastre de 2021 na Índia, quando o rompimento de uma geleira no Himalaia matou mais de 100 pessoas em Uttarakhand.
No lado humano, centenas de viajantes seguem desaparecidos, incluindo 391 estrangeiros, conforme o conselho de turismo do Nepal. Entre eles, mais de 100 indianos, uma dúzia de britânicos e ao menos três americanos, além de cidadãos da Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul. O influente líder espiritual Sadhguru, cuja Fundação Isha organiza peregrinações ao Monte Kailash, afirmou que 77 participantes de suas excursões estavam no centro de imigração da fronteira quando as águas avançaram. "Não houve nenhuma informação oficial sobre o paradeiro das pessoas que estavam no escritório de imigração", disse ele, acrescentando que a fundação está pronta para participar dos esforços de resgate.
O Nepal é especialmente vulnerável a deslizamentos quando as monções atingem algumas das montanhas mais altas do mundo, incluindo o Monte Everest. O aquecimento global tem tornado esses eventos mais frequentes e letais, aumentando enchentes associadas ao derretimento de geleiras e intensificando chuvas extremas. A expansão urbana desordenada também amplia os riscos de perdas humanas. Para quem acompanha o noticiário, a lição é clara: eventos extremos no Himalaia tendem a se repetir com maior frequência, e a preparação de comunidades ribeirinhas será cada vez mais decisiva como o aquecimento global intensifica desastres naturais.