Vale: produção de minério de ferro pode superar 85 mi toneladas; veja o que esperar
A Vale apresenta dados de produção e venda nesta terça-feira (21). Analistas do Santander e da Genial projetam EBITDA em torno de US$ 3,8 bilhões e produção de minério de ferro que pode superar 85 milhões de toneladas no 2º trimestre, impulsionada por projetos de expansão em Mina
Vale: produção de minério de ferro pode superar 85 mi toneladas; veja o que esperar
A Vale apresenta seus dados de produção e venda após o fechamento do mercado nesta terça-feira (21). Analistas do Santander e da Genial projetam números que indicam recuperação operacional, mas com pressão de custos. O EBITDA consolidado deve ficar em torno de US$ 3,8 bilhões, e a produção de minério de ferro pode superar 85 milhões de toneladas no segundo trimestre.
A Vale deve reportar produção de minério de ferro de 85,3 milhões de toneladas no 2º trimestre de 2026, segundo a Genial, alta de 22,5% ante o trimestre anterior. O Santander projeta embarques de 80,6 milhões de toneladas. O EBITDA consolidado deve ficar entre US$ 3,8 bilhões e US$ 3,85 bilhões, com custos C1 subindo para US$ 25-25,2 por tonelada.
Projeções de EBITDA da Vale para o 2º trimestre
O Santander estima EBITDA consolidado de US$ 3,85 bilhões entre abril e junho, queda de 1% na comparação trimestral e crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a Genial projeta EBITDA de US$ 3,8 bilhões, recuo de 1,7% frente ao primeiro trimestre e avanço de 11,8% na base anual. As estimativas ficam próximas ou ligeiramente acima do consenso de mercado.
Ambas as instituições consideram a divisão de minério de ferro como o principal motor dos resultados da companhia. O resultado final, porém, ainda dependerá de novos votos a serem computados, incluindo os de detentores de ADRs, que serão representados na AGE pelo JPMorgan Chase Bank.
Produção de minério de ferro: recuperação após chuvas
Na avaliação da Genial, o segundo trimestre deve marcar uma forte recomposição dos volumes de minério de ferro após um início de ano prejudicado pelas chuvas. A corretora estima produção de 85,3 milhões de toneladas, alta de 22,5% em relação ao trimestre anterior e avanço de 2,1% na comparação anual.
O movimento seria sustentado pela normalização das condições climáticas e pela maturação dos projetos de expansão em Capanema, Vargem Grande e Brucutu, em Minas Gerais.
O Santander também vê um trimestre operacionalmente sólido. Embora não tenha divulgado projeção de produção total de minério de ferro, o banco estima embarques de 80,6 milhões de toneladas, crescimento de 4% na comparação anual, impulsionados justamente pelo avanço dos projetos de expansão de Capanema e Vargem Grande. O desempenho é parcialmente compensado pelas paralisações ainda vigentes nas operações de Fábrica e Viga.
Preços realizados e o mercado de pelotas
Em relação aos preços, o Santander projeta preço realizado de US$ 94,70 por tonelada para os finos, enquanto a Genial estima US$ 95,2 por tonelada. Segundo a corretora, apesar da resiliência da referência de 61% de teor de ferro, parte do ganho deve ser compensada por ajustes no sistema de precificação provisória e pela redução dos prêmios de qualidade.
No mercado de pelotas, a Genial vê desempenho mais favorável. A expectativa é de preço realizado de US$ 136,7 por tonelada, alta de 2,1% em relação ao trimestre anterior. A corretora destaca que a combinação entre preços internacionais ainda sustentados e a valorização dos produtos de maior qualidade deve amenizar parte das pressões sobre os resultados.
Custos C1: o ponto de atenção
Os custos continuam sendo o principal ponto de atenção para os analistas. O Santander estima custo caixa C1, da mina ao cliente e excluindo compras de terceiros, de US$ 25 por tonelada, acima dos US$ 24 registrados no primeiro trimestre, refletindo efeitos cambiais, alta do petróleo, inflação do diesel e aumento dos custos de frete. A Genial trabalha com projeção semelhante, de US$ 25,2 por tonelada.
Apesar do avanço dos custos, a Genial avalia que o movimento representa um pico temporário, não uma deterioração estrutural da competitividade da companhia. Segundo a casa, os fatores que pressionaram o período incluem a valorização do real frente ao dólar, o carregamento de custos de produção do trimestre anterior, reajustes do diesel e os impactos decorrentes da desconsolidação da Aliança Energia.
A corretora também chama atenção para a alta do frete unitário, estimado em US$ 22,3 por tonelada, avanço de 24% na comparação trimestral. Ainda assim, a exposição da Vale à volatilidade do mercado de fretes é limitada, uma vez que mais de 90% dos contratos da companhia estão protegidos por acordos de médio e longo prazo, deixando o combustível marítimo como principal variável de risco.
Metais para Transição Energética (ETM): cobre e níquel
Na divisão de Metais para Transição Energética (ETM), o Santander segue vendo contribuição relevante para os resultados. O banco estima EBITDA de US$ 1,07 bilhão para a unidade, equivalente a cerca de 28% do EBITDA consolidado. A produção de cobre é projetada em 94 mil toneladas, enquanto a de níquel deve atingir 48 mil toneladas.
A Genial também destaca o desempenho dos metais básicos, mas estima números um pouco diferentes. A corretora projeta produção de cobre de 97,7 mil toneladas e de níquel de 42,8 mil toneladas. Embora o níquel deva ser impactado por paradas de manutenção, os preços dos dois metais permanecem em patamares favoráveis, ajudando a sustentar a rentabilidade da divisão.
Recomendações e preço-alvo para VALE3
Em termos de recomendação, a Genial manteve classificação de manter, mas com viés construtivo. A casa afirma que uma eventual confirmação da recuperação operacional, da manutenção dos prêmios e do caráter transitório da alta dos custos pode abrir espaço para uma revisão positiva da recomendação após a divulgação dos números. O preço-alvo é de R$ 86 para VALE3 e US$ 17 para os ADRs negociados em Nova York, implicando potencial de valorização de cerca de 16%. Já o Santander não divulgou recomendação ou preço-alvo no relatório analisado.
Preocupações com a inflação global seguem no radar, em meio à alta do petróleo. Para o investidor, o cenário sugere que os números do 2º trimestre podem indicar uma recuperação operacional sólida, mas com custos ainda pressionados, algo que deve ser monitorado de perto.
Perguntas Frequentes
Quando a Vale divulga os resultados do 2º trimestre de 2026?
A Vale apresenta seus dados de produção e venda após o fechamento do mercado nesta terça-feira (21).
Qual a projeção de EBITDA da Vale para o 2º trimestre?
O Santander estima EBITDA de US$ 3,85 bilhões, enquanto a Genial projeta US$ 3,8 bilhões.
Quanto a Vale deve produzir de minério de ferro no 2º trimestre?
A Genial estima produção de 85,3 milhões de toneladas; o Santander projeta embarques de 80,6 milhões de toneladas.
Quais projetos impulsionam a produção da Vale?
Os projetos de expansão em Capanema, Vargem Grande e Brucutu, em Minas Gerais, são os principais motores.
Qual o preço-alvo da Genial para VALE3?
A Genial mantém preço-alvo de R$ 86 para VALE3 e US$ 17 para os ADRs, com potencial de valorização de cerca de 16%.
Os custos da Vale estão subindo?
Sim. O custo caixa C1 deve subir para US$ 25-25,2 por tonelada, pressionado por câmbio, diesel e frete, mas a Genial vê o movimento como temporário.