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USDA corta safra de milho dos EUA e eleva soja

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu, nesta sexta-feira (11), sua estimativa para a safra de milho do país, após o calor do verão acender preocupações com danos às plantações, e elevou a previsão para a produção de soja.

A resposta direta: os agricultores colherão 15,8 bilhões de bushels de milho neste outono, com rendimento médio de 178,5 bushels por acre, e 4,535 bilhões de bushels de soja, com 52,8 bushels por acre, segundo o relatório mensal da agência. Em agosto, o USDA projetava 16,013 bilhões de bushels de milho (180,7 por acre) e 4,519 bilhões de soja (52,7 por acre).

O corte no milho veio abaixo do que o mercado esperava. Analistas consultados pela Reuters projetavam 15,785 bilhões de bushels e rendimento de 178,2 bushels por acre, além de 4,501 bilhões de bushels de soja com 52,5 bushels por acre. Os contratos futuros do milho subiram na bolsa de Chicago, e alguns operadores apostam que o USDA pode reduzir ainda mais a estimativa em relatórios futuros.

"Não é uma safra ruim, mas está bem aquém da do ano passado", afirmou Jim Gerlach, presidente da A/C Trading em Brookston, Indiana. A leitura de quem opera o dia a dia é que o número, embora não desastroso, perde para a temporada anterior e ajuda a sustentar preços. preços do milho em Chicago

O USDA também elevou o preço médio da safra em 30 centavos por bushel para o milho e em 60 centavos para a soja. Os preços da soja atingiram máxima de três anos na sexta-feira, embalados pelo otimismo de que a China, principal importadora, compre suprimentos dos EUA durante uma cúpula comercial em Washington neste mês entre o presidente Donald Trump e o homólogo chinês Xi Jinping.

Preço alto, porém, não se traduz automaticamente em lucro. Os produtores enfrentam custos recordes com diesel e fertilizantes, ambos disparados desde que o governo Trump atacou o Irã, levando a interrupções no comércio pelo Estreito de Ormuz. "A lucratividade para o produtor talvez não tenha mudado tanto quanto o simples aumento dos preços em si sugeriria", disse Jim McCormick, diretor de operações da AgMarket.net.

Não está claro se os preços ficarão altos por tempo suficiente para reverter um problema de quatro anos na economia agrícola dos EUA. Produtores e economistas afirmam que o ambiente de negócios atual está entre os piores desde a onda de execuções hipotecárias e falências que atingiu os agricultores americanos na década de 1980.

Nos estoques, o USDA estimou 1,567 bilhão de bushels de milho em 31 de agosto de 2027 e 310 milhões de bushels de soja. Os analistas esperavam 1,528 bilhão e 298 milhões, respectivamente. Em agosto, as projeções eram de 1,653 bilhão (milho) e 320 milhões (soja). Para o trigo, os estoques finais de 2026/27 ficaram em 717 milhões de bushels, sem alteração ante agosto e levemente abaixo dos 719 milhões esperados.

No Brasil, o USDA elevou a safra de milho 2025/26 para 141 milhões de toneladas, 1 milhão acima de agosto, com a colheita quase finalizada. A projeção para 2026/27 foi mantida em 139 milhões de toneladas, em início de plantio. As estimativas de soja brasileira seguem em 186 milhões de toneladas (2026/27) e 180,50 milhões (2025/26). safra de milho do Brasil

Setembro é o primeiro mês do ano em que os estatísticos do USDA usam amostras de campo para medir as produtividades de milho e soja, além de pesquisas com agricultores e dados de satélite. É por isso que o relatório de setembro costuma mexer mais com o mercado do que os anteriores.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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