Economia

Usina solar ou ferrovia? Na Suíça, são as duas

ResumoA startup suíça Sun-Ways instalou painéis solares removíveis entre os trilhos de trem em Buttes, na Suíça. O sistema gera energia limpa diretamente na infraestrutura ferroviária, com potencial para suprir até 30% da demanda elétrica do transporte público nacional. A tecnologia aproveita áreas ociosas sem ocupar terreno adicional, integrando geração fotovoltaica à malha existente.

Uma startup suíça instalou painéis solares entre trilhos de trem em Buttes, gerando energia limpa. Entenda como a ideia pode suprir até 30% da demanda do transporte público do país.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 29 de agosto de 2026
Usina solar ou ferrovia? Na Suíça, são as duas

Na Suíça, uma ferrovia virou também uma usina solar. A empresa Sun-Ways instalou painéis solares entre os trilhos em Buttes, no início de um projeto-piloto que une transporte e geração de energia limpa. A iniciativa, em parceria com a operadora local TransN, começou em abril do ano passado e já demonstrou viabilidade técnica.

O teste cobriu um trecho equivalente ao comprimento de um campo de futebol. Apesar do tamanho reduzido, a estimativa da Sun-Ways é ambiciosa: se a tecnologia fosse adotada em toda a malha ferroviária suíça, seria possível suprir até 30% da demanda energética do transporte público do país. A Suíça tem a rede ferroviária mais densa da Europa, com mais de 5 mil quilômetros de trilhos.

A ideia não é totalmente nova. Joseph Scuderi, fundador da Sun-Ways, explica que ela já apareceu em mais de uma dúzia de patentes. A diferença agora é a praticidade: os painéis, fixados por pistões que pressionam os trilhos de aço, podem ser removidos rapidamente para manutenção. Um único trabalhador consegue retirar os módulos em cerca de dez minutos.

O interesse se espalhou. Em fevereiro, a SNCF, companhia ferroviária nacional da França, firmou parceria com a Sun-Ways para avaliar a tecnologia em sua rede, que se estende por cerca de 29 mil quilômetros. "Queremos nos tornar um enorme produtor de energia solar", afirmou Nicolas Phan-Trong, responsável pelos projetos de energia e descarbonização da SNCF. A empresa francesa testa pelo menos dez modelos diferentes de instalações solares e planeja uma operação em escala maior. Um benefício adicional, segundo Phan-Trong, é que os painéis impedem o crescimento de vegetação entre os trilhos, reduzindo custos de manutenção.

O sistema também chegou à Coreia do Sul, onde o governo aprovou em setembro passado um projeto-piloto de dois anos no Instituto Coreano de Pesquisa Ferroviária. Na Itália, um projeto piloto está previsto para o próximo ano, com licença negociada pelo engenheiro Giuseppe Fulco. Ele calcula que, se 20% da malha ferroviária italiana fosse equipada, seriam adicionados cerca de 1 gigawatt de capacidade, suficiente para abastecer até 1 milhão de residências.

Há desafios. Grande parte da energia poderia ser usada pelos próprios trens elétricos, mas o excedente precisa ser transportado sem perdas. Julien Pouget, pesquisador da Universidade de Ciências Aplicadas da Suíça Ocidental, trabalha em uma arquitetura elétrica específica para minimizar essas perdas. O custo também está em avaliação. Valerio Tamellini, gerente de projetos da TransN, acredita que a viabilidade econômica ficará mais clara até o fim do piloto em Buttes, previsto para 2028. "Se o preço fizer sentido, por que não implementar isso em todos os lugares?", questionou.

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