Economia

Juro na Suíça: Trump diz que é subsidiado por superávit com EUA

ResumoO presidente dos EUA, Donald Trump, atribuiu os juros suíços de 0,5% ao superávit comercial da Suíça com os Estados Unidos, contrastando com a taxa americana de 3,50%-3,75%. A declaração ocorreu em entrevista, na qual Trump vinculou a diferença de juros ao saldo positivo europeu. A Suíça mantém política monetária independente, com inflação baixa e franco forte, fatores que explicam a taxa reduzida.

Trump comparou os juros dos EUA (3,50%-3,75%) com os da Suíça, que disse estarem em 0,5%. Para ele, o superávit comercial europeu explica a diferença. Veja os detalhes da entrevista.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 07 de agosto de 2026
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Trump diz que juro na Suíça é baixo porque é subsidiado por superávit com os EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar por cortes nos juros americanos e usou a Suíça como exemplo. Em entrevista à Punchbowl News divulgada nesta sexta-feira, ele afirmou que o país europeu mantém taxas baixas porque é subsidiado pelo superávit comercial que tem com os EUA. A declaração reacende o debate sobre política monetária e o impacto dela no bolso de quem investe ou planeja viajar.

Segundo Trump, os EUA deveriam pagar a taxa de juros mais baixa do mundo. Hoje, a taxa americana está na faixa entre 3,50% e 3,75%. Na Suíça, o juro está zerado desde 2025, embora o presidente tenha citado o número de 0,5%. A diferença, para ele, tem explicação clara: o superávit comercial que o país europeu mantém ante os EUA.

O que Trump disse sobre os juros e o Federal Reserve

Durante a entrevista, Trump disse que a decisão sobre cortar ou não os juros não depende inteiramente do atual chairman do Federal Reserve, Kevin Warsh. "Não depende totalmente dele, depende de um Conselho. Acho que ele é ótimo. Não o criticarei", afirmou.

A fala sinaliza uma mudança de tom em relação ao banco central americano, mas mantém a pressão por uma política monetária mais frouxa. Para o presidente, os juros altos atuais não refletem a força da economia.

A comparação com o passado e a lógica invertida

Trump também comparou o comportamento dos mercados de hoje com o de 20 ou 25 anos atrás. Na época, segundo ele, se um governo anunciasse bons números, as taxas de juro desciam, porque isso significava melhor crédito.

"Faz sentido, certo? Agora está tudo ao contrário. Agora é tudo uma coisa diferente. Se anunciar grandes números, todos ficam deprimidos porque temos grandes números. Eles pensam que vai aumentar as taxas de juro. Antigamente, quando se anunciavam grandes números, as taxas de juro desciam. Portanto, quero voltar a esses dias", defendeu.

A declaração reflete uma visão de que o mercado hoje penaliza o crescimento, algo que afeta diretamente quem decide onde investir ou quando financiar um imóvel.

O caso da Suíça e o déficit comercial citado por Trump

Foi nesse contexto que Trump passou a comentar as taxas dos "países de elite". "Olhe para a Suíça. Temos um déficit de US$ 39 bilhões. Posso eliminar esse déficit com uma canetada e eles já não são um país de elite. No entanto, pagam meio por cento de juro [na verdade, a taxa na Suíça está zerada desde 2025]. São os mais baixos", comparou.

O número citado por Trump, US$ 39 bilhões, refere-se ao déficit comercial americano com a Suíça. Segundo ele, bastaria dizer: "Não quero nenhum dos seus relógios (...) não quero nenhum dos seus produtos. E poupamos US$ 39, US$ 41 bilhões e eles passam de elite a muito problemáticos. Felizmente, sou uma pessoa simpática", comentou.

A ameaça implícita de retaliação comercial tem efeito prático: se os EUA reduzirem importações, o superávit suíço encolhe, e o país pode perder parte da vantagem que mantém os juros baixos.

Por que isso importa para a sua vida financeira

Se você investe em renda fixa americana ou planeja viajar para os EUA, a política de juros do Federal Reserve afeta diretamente seus rendimentos e o câmbio. Juros mais baixos tendem a enfraquecer o dólar, o que pode encarecer viagens ao exterior. Por outro lado, quem tem dívidas em dólar pode se beneficiar.

Trump defendeu que os EUA voltem a ter a taxa de juros mais baixa do mundo. "Devíamos ser a taxa de juro mais baixa novamente porque muitos destes países que têm taxas de juro muito baixas, só são baixas por nossa causa. Porque estamos dispostos a subsidiar muitos dos países do mundo, muitos dos países mais de elite", explicou.

Na prática, isso significa que a guerra comercial e a política monetária americana andam juntas. Quem acompanha o noticiário econômico precisa entender que declarações como essa podem mexer com o mercado antes mesmo de qualquer decisão oficial do Fed.

O que esperar da política monetária americana

A entrevista não trouxe datas nem valores oficiais sobre novos cortes. O que se sabe é que o próprio Trump reconhece que a decisão passa pelo Conselho do Fed, não apenas pelo chairman. Isso reduz o poder de fogo de uma interferência direta do presidente.

Para o investidor comum, a recomendação é manter o foco nos fundamentos e não reagir a declarações isoladas. A taxa americana segue na faixa de 3,50% a 3,75%, e qualquer mudança dependerá de dados oficiais de inflação e emprego.

Perguntas Frequentes

O que Trump disse sobre os juros da Suíça?

Trump afirmou que a Suíça tem juros baixos porque é subsidiada pelo superávit comercial com os EUA, citando um déficit de US$ 39 bilhões. Ele também disse que os EUA deveriam ter a menor taxa do mundo.

Qual é a taxa de juros atual dos EUA?

A taxa americana está na faixa entre 3,50% e 3,75%, segundo a fala de Trump na entrevista. Não há confirmação oficial de mudança imediata.

O que é o superávit comercial citado por Trump?

É a diferença entre o que a Suíça exporta para os EUA e o que importa. Trump disse que o déficit americano é de US$ 39 bilhões, e que poderia eliminá-lo com uma canetada.

Quem decide os juros nos EUA?

O Federal Reserve, por meio de um Conselho. Trump afirmou que a decisão "não depende totalmente" do chairman Kevin Warsh, mas de um colegiado.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Mudanças nos juros americanos afetam o câmbio, a renda fixa global e o apetite por risco. Juros mais baixos tendem a enfraquecer o dólar, o que pode impactar investimentos em moeda estrangeira.

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