Trump ameaça interromper comércio com UE após convite ao Canadá
Donald Trump ameaçou nesta quarta-feira (16) interromper o comércio com a União Europeia caso o bloco avance na proposta de tornar o Canadá seu primeiro membro associado, ideia defendida por Ursula von der Leyen.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (16) interromper o comércio com a União Europeia caso o bloco leve adiante a proposta de tornar o Canadá seu primeiro membro associado. A declaração foi dada a repórteres, após o plano ser divulgado pela presidente da UE, Ursula von der Leyen.
Trump classificou a ideia como ridícula e condicionou a reação americana à leitura que fizer do movimento europeu. Segundo ele, se considerar a medida um ato hostil, imporá tarifas muito pesadas ou interromperá o comércio com a Europa.
A proposta foi apresentada mais cedo por von der Leyen durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney. A presidente da UE afirmou que gostaria de trabalhar com Carney para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado do bloco. A fala foi recebida com aplausos pelos eurodeputados.
O que significa membro associado
O estatuto de membro associado não é definido juridicamente pelos tratados da União Europeia. A Alemanha já havia proposto medida semelhante para a Ucrânia, que permitiria ao país participar de reuniões e cúpulas europeias, mas sem direito a voto. Ou seja, o arranjo em discussão não equivale a uma adesão formal ao bloco, o que reduz o alcance jurídico da proposta, mas não o seu peso político.
Carney é o primeiro chefe de governo estrangeiro a acompanhar um discurso sobre o Estado da União Europeia. Ele deverá falar aos eurodeputados nesta quinta-feira (17), também em Estrasburgo.
Por que isso importa para o comércio
O convite ocorre em um momento de tensão nas relações do Canadá com os Estados Unidos, que travam uma disputa comercial desde o retorno de Trump à Presidência americana. Ottawa busca ampliar suas parcerias internacionais, enquanto a UE também enfrenta atritos com Washington e procura reforçar sua posição diante das duas maiores potências econômicas, Estados Unidos e China.
Para quem acompanha mercado, a ameaça de Trump adiciona ruído a uma agenda comercial já carregada. Uma ruptura entre EUA e UE afetaria cadeias de suprimento, custos de importação e, por tabela, a inflação em economias que dependem de bens industriais europeus e americanos. O ciclo sempre vira, e o que hoje é retórica pode virar tarifa amanhã. O ponto de observação é se a proposta europeia avança ou se fica no campo simbólico, como ocorreu com a ideia alemã para a Ucrânia.