Economia

Trump ameaça cortar comércio com UE após convite ao Canadá

ResumoDonald Trump ameaçou impor tarifas pesadas ou interromper o comércio com a União Europeia caso o bloco torne o Canadá membro associado. O convite foi feito por Ursula von der Leyen a Mark Carney em Estrasburgo, gerando reação do presidente dos Estados Unidos.

Trump disse que pode impor tarifas pesadas ou interromper o comércio com a Europa se a UE tornar o Canadá membro associado. O convite foi feito por Ursula von der Leyen a Mark Carney em Estrasburgo.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 17 de setembro de 2026
Trump ameaça cortar comércio com UE após convite ao Canadá

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira, 16, interromper o comércio com a União Europeia (UE) caso o bloco leve adiante a proposta de tornar o Canadá seu primeiro membro associado.

Trump disse que pode impor tarifas pesadas ou cortar o comércio com a Europa se considerar a medida um ato hostil. O convite foi feito mais cedo por Ursula von der Leyen, presidente da UE, ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

"Acho isso ridículo", afirmou Trump a repórteres ao ser questionado sobre o plano. "Se eles fizerem isso, se eu considerar que se trata de um ato hostil, imporei tarifas muito pesadas ou interromperei o comércio com a Europa."

O que muda para quem compra e investe

A fala de Trump reacende o risco de uma nova rodada de tarifas entre Washington e Bruxelas. Para o consumidor brasileiro, o efeito chega por três caminhos concretos: preço de importados, câmbio e custo de produtos com insumos europeus ou americanos.

Se tarifas forem aplicadas, itens como eletrônicos, peças automotivas e bens de capital tendem a subir nos dois lados do Atlântico. O Brasil, que exporta para ambos os mercados, pode ganhar espaço em nichos específicos, mas também sente o encarecimento de componentes importados.

No câmbio, a incerteza costuma empurrar o dólar para cima, o que pressiona a inflação de produtos importados e o custo de viagens internacionais. Quem tem investimentos atrelados ao comércio global, como fundos de ações internacionais, tende a ver mais volatilidade nos próximos dias.

O convite que acendeu o estopim

Durante o discurso no Parlamento Europeu, von der Leyen propôs a Carney que o Canadá se torne o primeiro membro associado da UE. A fala foi recebida com aplausos pelos eurodeputados.

"Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE", declarou von der Leyen.

O estatuto de membro associado não é definido juridicamente pelos tratados da União Europeia. A Alemanha já havia proposto medida semelhante para a Ucrânia, que permitiria ao país participar de reuniões e cúpulas europeias, mas sem direito a voto.

Carney é o primeiro chefe de governo estrangeiro a acompanhar um discurso sobre o Estado da União Europeia. Ele deve falar aos eurodeputados nesta quinta-feira, 17, também em Estrasburgo.

O convite ocorre em um momento de tensão nas relações do Canadá com os Estados Unidos, que travam uma disputa comercial desde o retorno de Trump à Presidência. Ottawa busca ampliar parcerias internacionais, enquanto a UE também enfrenta atritos com Washington e procura reforçar sua posição diante das duas maiores potências econômicas, Estados Unidos e China.

Para o investidor pessoa física, a leitura prática é simples: mais ruído geopolítico significa mais oscilação em ativos ligados a comércio exterior. Não é hora de decisão por impulso, e sim de acompanhar os próximos capítulos da negociação.

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