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Trump alerta para falha do Brasil contra PCC e CV

O governo dos Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, afirmou que o Brasil tem falhado no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações terroristas estrangeiras, e cobrou medidas mais agressivas contra as duas facções.

A avaliação consta de determinação presidencial sobre países ligados ao trânsito ou à produção de drogas ilícitas no ano fiscal de 2027, entregue ao Congresso americano na terça-feira, 15, e publicada nesta quarta-feira, 16. O que mudou, na prática, é o tom: a crítica ao Brasil aparece de forma nominal em um documento oficial da Casa Branca, e não apenas em declarações isoladas.

No texto, o governo americano sustenta que PCC e CV transformaram o Brasil em um centro relevante para os fluxos internacionais de substâncias ilícitas. "O governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas PCC e CV, que transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína", diz o documento.

Washington acrescenta que as duas organizações representam uma "ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo" e que o governo brasileiro "precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam". O texto, porém, não detalha quais ações específicas os EUA esperam das autoridades brasileiras nem apresenta dados sobre o volume de drogas atribuído às facções.

Onde a crítica aparece e o que ela não significa

As críticas ao Brasil integram uma seção em que a Casa Branca avalia os esforços de diferentes governos do Hemisfério Ocidental contra o narcotráfico e grupos classificados pelos EUA como "narcoterroristas". O documento cita Argentina, Equador e El Salvador entre aliados elogiados por sua atuação na área.

Apesar da cobrança sobre PCC e CV, o Brasil não integra a relação de países que Washington identificou formalmente como grandes territórios de trânsito ou de produção ilícita de drogas. A lista inclui Colômbia, México, Venezuela, Peru, Equador e Bolívia, entre outros. O próprio documento ressalta que a inclusão nessa relação não representa necessariamente uma avaliação negativa dos esforços antidrogas de cada governo, já que também considera fatores geográficos, comerciais e econômicos que facilitam a circulação ou a produção de entorpecentes e seus precursores.

O contexto que acompanha o documento

A divulgação ocorre enquanto os EUA voltam a atacar embarcações no Oceano Pacífico. O Comando Sul dos EUA informou hoje o afundamento de outro barco do Equador que supostamente apoiava operações ilícitas de tráfico de drogas em alto-mar.

Para quem acompanha o ciclo de política externa americana, a leitura é de continuidade, não de ruptura: a retórica endurece, mas os instrumentos formais seguem os mesmos. A cobrança sobre o Brasil chega sem prazo, sem meta e sem contrapartida definida no documento política externa e comércio. É um recado, não uma sanção.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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