Economia

Renault e Geely investirão R$ 2 bi no Brasil para produzir carro elétrico

ResumoRenault e Geely investirão R$ 2 bilhões no Brasil para produzir o primeiro carro elétrico da parceria e desenvolver tecnologia híbrida a etanol. O novo aporte eleva o total investido pelas duas montadoras no país para R$ 5,8 bilhões até 2027, reforçando a aposta na eletrificação do mercado automotivo brasileiro.

Renault e Geely anunciaram um novo investimento de R$ 2 bilhões no Brasil, elevando o total da parceria para R$ 5,8 bilhões até 2027. O aporte financia o primeiro carro elétrico da dupla e a tecnologia híbrida a etanol.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 16 de setembro de 2026
Renault e Geely investirão R$ 2 bi no Brasil para produzir carro elétrico

A Renault e a chinesa Geely anunciaram um novo investimento de R$ 2 bilhões no Brasil. O aporte se soma aos R$ 3,8 bilhões já firmados na parceria iniciada em novembro de 2025 e eleva o total para R$ 5,8 bilhões, com conclusão prevista até o fim de 2027. Os recursos serão usados no desenvolvimento do primeiro carro fruto da parceria e de tecnologia híbrida a etanol.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa na fábrica da Renault Geely do Brasil, no Paraná. "A ambição é que, unindo os pontos fortes da Renault e da Geely, nos tornemos líderes no Brasil e no mercado latino-americano a longo prazo", disse Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group.

O que muda com o novo aporte

O investimento confirma a produção da tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4×4 flex fuel no Brasil em 2027. A operação também iniciou neste mês a produção local do Geely EX5 EM-i Hybrid, com lançamento previsto para o fim do ano.

O modelo 100% elétrico EX2 terá produção local em São José dos Pinhais, no Paraná, a partir de dezembro. O carro atraiu a atenção do consumidor brasileiro pelo preço de entrada: R$ 123.800.

A Geely concordou em adquirir cerca de 26% da Renault do Brasil, o que dá à dona da Volvo Cars acesso à rede de distribuição da Renault e a um centro de engenharia. Com o acordo, a operação passou a se chamar Renault Geely do Brasil, sob comando do argentino Ariel Montenegro.

Da parceria à disputa por mercado

A aliança entre as montadoras começou em novembro de 2025, com investimento conjunto de R$ 3,8 bilhões (US$ 714 milhões) e produção de dois modelos da marca chinesa na fábrica da francesa no Paraná. A decisão de unir forças veio da necessidade de competir no maior mercado automobilístico da América do Sul.

"Quando vim ao Brasil há dois anos, pensei que estava na hora de despertar e saber para onde ir", afirmou François Provost, CEO do grupo Renault, um dos idealizadores da parceria. "Tínhamos que seguir a mesma velocidade dos competidores chineses."

O Brasil e a América do Sul são, ao lado da Índia, prioridades do grupo Renault para expandir vendas fora da Europa. A Geely, segundo Provost, "mostrou maturidade" para a parceria. A francesa ofereceu sua estrutura industrial e comercial de 26 anos no Brasil; a chinesa trouxe conhecimento em eletrificação.

O modelo de aliança é inédito, mas as duas já têm acordo semelhante na Coreia do Sul, onde a Renault usa plataforma da chinesa. Em 2024, ambas se uniram na Horse, fabricante global de motores que pertenceu à Renault.

A ofensiva chinesa no mercado brasileiro começou em 2023, quando BYD e Great Wall Motor passaram a trazer modelos eletrificados a preços competitivos. As marcas chinesas agora detêm 18,3% de participação de mercado no Brasil no acumulado dos oito primeiros meses do ano, segundo dados da Fenabrave mercado brasileiro de carros elétricos.

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