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Trigo sobe para maior valor em 3 anos com tensões no Mar Negro

Os futuros do trigo em Chicago subiram nesta sexta-feira, atingindo mais uma máxima de três anos, enquanto o mercado seguia atento à escalada militar no Mar Negro, que ameaça causar um aperto prolongado nas exportações russas e ucranianas. O contrato de trigo na bolsa de Chicago (CBOT) fechou com alta de 23,25 centavos, a US$7,84 por bushel. Antes, havia subido para US$7,9025 por bushel, seu nível mais alto desde fevereiro de 2023, acima das máximas dos últimos três anos atingidas nesta semana.

Uma notícia divulgada nesta semana de que a Rússia estaria considerando intensificar os ataques com mísseis contra a Ucrânia abalou as esperanças de uma rápida recuperação dos embarques do Mar Negro, depois que ataques recíprocos nas últimas semanas praticamente paralisaram os carregamentos de grãos nos portos russos e ucranianos. Para o consumidor, o risco é de pressão sobre os preços de alimentos derivados do trigo, como pães e massas, caso a oferta global continue restrita.

O movimento não ficou restrito ao trigo. O milho fechou com alta de 3 centavos, a US$5,365 por bushel, após atingir nova máxima de três anos, apoiado pelas dúvidas sobre a produtividade nos EUA. A soja na CBOT subiu 20 centavos, a US$12,88 por bushel, após tocar outra máxima de 2 anos e meio, impulsionada por uma onda de demanda chinesa por soja norte-americana. A combinação de oferta apertada e demanda firme tende a manter os preços das commodities agrícolas sob pressão altista no curto prazo.

Para quem acompanha o mercado, a leitura é de cautela: a interrupção dos fluxos no Mar Negro, somada a fatores climáticos e de demanda, pode prolongar o ciclo de alta. Acompanhar os desdobramentos geopolíticos e os relatórios de safra será essencial para calibrar expectativas. impacto das commodities na inflação de alimentos

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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