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Correios em greve: trabalhadores param por tempo indeterminado

Trabalhadores dos Correios entraram em greve nacional por tempo indeterminado. A decisão foi aprovada em assembleias dos sindicatos estaduais na noite desta quinta-feira, depois que as negociações salariais com a estatal terminaram sem acordo.

Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), a paralisação começou às 22h e teve o aval de 35 sindicatos. No Acre, a votação estava prevista para a tarde desta sexta-feira.

A Findect afirma que, após "sucessivas rodadas de negociação", incluindo tentativas de mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), os Correios mantiveram a posição na negociação salarial. Diante disso, os trabalhadores rejeitaram as propostas apresentadas.

Impasse também envolve o plano de saúde

Além da questão salarial, outro ponto trava o acordo: o plano de saúde dos funcionários. De acordo com a federação, a direção dos Correios quer deixar de manter o benefício. Na avaliação dos trabalhadores, a mudança pode transferir para eles o custeio da cobertura e prejudicar a assistência médica.

Em comunicado, a entidade sindical declarou que seguirá acompanhando o movimento ao lado dos sindicatos filiados e reafirmou disposição para negociar uma saída que atenda às reivindicações da categoria.

Crise financeira e empréstimos bilionários

A greve ocorre em meio a uma crise financeira da estatal, que encerrou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.

No ano passado, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos para reestruturar a operação. Como contrapartida ao aval do Tesouro Nacional, a estatal deveria colocar em prática um plano que envolvia o fechamento de agências, a retirada de gratificação de R$ 500 para funcionários que exercem atendimento ao público e a adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas.

As medidas, no entanto, foram interrompidas em julho devido à ameaça de greve dos funcionários.

Neste início de setembro, conforme noticiado, os Correios avançaram na negociação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões e enviaram a proposta para análise do Ministério da Fazenda sobre a capacidade de pagamento da empresa na semana passada. O governo federal deve ser avalista e dar a garantia para o financiamento.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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