Economia

Trabalhador precisa de 106 horas por mês para comprar a cesta básica

ResumoPesquisa da Conab e do Dieese revela que o trabalhador brasileiro precisa de 106 horas mensais para adquirir a cesta básica. O custo médio nas 27 capitais chegou a R$ 779,95 em junho, comprometendo 52,02% do salário mínimo líquido.

Pesquisa da Conab e do Dieese aponta que o trabalhador brasileiro precisa dedicar quase 106 horas por mês para comprar a cesta básica. O custo médio nas 27 capitais atingiu R$ 779,95 em junho, consumindo 52,02% do salário mínimo líquido.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 30 de julho de 2026
Trabalhador precisa de 106 horas por mês para comprar a cesta básica

O trabalhador brasileiro precisa dedicar quase 106 horas por mês para comprar a cesta básica, segundo pesquisa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O gasto com alimentação consome 52,02% do salário mínimo líquido no país.

O custo médio da cesta básica nas 27 capitais atingiu R$ 779,95 em junho, um avanço de 8,69% frente ao mesmo mês do ano passado. Em São Paulo, a média é a maior do país, chegando a R$ 965,47, consumindo 64,39% do salário mínimo líquido.

Para conseguir adquirir o conjunto essencial de suprimentos, um trabalhador remunerado pelo piso nacional precisa empenhar 105 horas e 51 minutos de sua jornada mensal, considerando uma escala padrão de 8 horas diárias.

O salário mínimo necessário para uma família

Com base nesse encargo financeiro, o Dieese e a Conab calculam que o salário mínimo necessário para cobrir os custos de manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92.

A quantia representa cinco vezes o valor do piso atual de R$ 1.621 e supera com folga o rendimento médio do trabalhador brasileiro, apurado em R$ 3.726 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O mapa da inflação dos alimentos nas capitais

A disparidade no custo de vida entre os estados evidencia realidades orçamentárias opostas no país.

A cesta mais cara

São Paulo (SP) lidera o topo do custo absoluto, com a cesta valendo R$ 965,47 (alta de 9,37% em 12 meses). Na capital paulista, o compromisso atinge 64,39% do piso líquido, demandando 131 horas e 2 minutos de trabalho.

A maior escalada

Cuiabá (MT) registrou a maior alta percentual em 12 meses (14,71%), levando a cesta a R$ 937,93, cifra R$ 27,54 inferior à média paulistana.

Opções mais acessíveis

Aracaju (SE) ostenta o conjunto de alimentos mais barato (R$ 630,40), exigindo 85 horas e 34 minutos de trabalho, ou quase dois dias a menos de trabalho que em São Paulo. São Luís (MA) foi a única capital com deflação no período (-0,09%), fechando o custo em R$ 654,73.

Na variação mensal entre maio e junho, o indicador recuou em dez capitais, sendo sete localizadas no Nordeste, e avançou em 17. As altas mais expressivas ocorreram em Boa Vista (RR), de 3,28%, Palmas (TO), com 3,01%, Rio Branco (AC), com 2,2%, e Porto Alegre (RS), com reajuste de 2,18%.

O tempo necessário de empenho profissional cobrado em cada capital

O número de horas que um trabalhador precisa dedicar para comprar a cesta básica varia conforme a cidade:

  • Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos
  • Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos
  • Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos
  • Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos
  • Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos

Perguntas Frequentes

O que é a cesta básica?

A cesta básica é um conjunto de alimentos essenciais definido pelo Dieese para medir o custo mínimo de alimentação de um trabalhador adulto.

Qual o valor da cesta básica em junho de 2026?

O custo médio nas 27 capitais foi de R$ 779,95, segundo pesquisa Conab e Dieese.

Quantas horas de trabalho são necessárias para comprar a cesta básica?

Em média, 105 horas e 51 minutos por mês, considerando jornada de 8 horas diárias.

Qual capital tem a cesta básica mais cara?

São Paulo (SP), com R$ 965,47, exigindo 131 horas e 2 minutos de trabalho.

Qual capital tem a cesta básica mais barata?

Aracaju (SE), com R$ 630,40, exigindo 85 horas e 34 minutos de trabalho.

O salário mínimo atual cobre a cesta básica?

Não. O gasto com alimentação consome 52,02% do salário mínimo líquido, segundo a pesquisa.

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