Economia

Taxas de DIs sobem ao fim da sessão após EUA revogarem licença para petróleo iraniano

ResumoAs taxas dos DIs subiram no fim da sessão de 14 de maio após os EUA revogarem a licença para petróleo iraniano. O movimento pressionou a curva de juros futuros e impactou projeções de inflação no mercado brasileiro.

As taxas dos DIs subiram no fim da sessão desta quarta-feira, 14 de maio, após os EUA revogarem a licença para petróleo iraniano. O movimento pressiona a curva de juros futuros e impacta projeções de inflação.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 07 de julho de 2026
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Taxas de DIs sobem ao fim da sessão após EUA revogarem licença para petróleo iraniano

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em alta no fim da sessão desta quarta-feira, 14 de maio, após os Estados Unidos revogarem a licença para petróleo iraniano. O movimento elevou o prêmio de risco e pressionou a curva de juros futuros, com impactos diretos nas projeções de inflação e na política monetária.

Segundo o Banco Central, a Selic encerrou maio em 9,75%, patamar não visto desde 2024. A revogação da licença iraniana acendeu alertas sobre oferta global de petróleo, elevando o barril Brent e, por consequência, as expectativas de inflação. O DI para janeiro de 2027 subiu de 10,45% para 10,62% ao final do pregão (dados da B3, 14/05/2026).

Por que a revogação da licença iraniana impacta os DIs

A decisão dos EUA de revogar a licença para exportação de petróleo iraniano reduz a oferta global do combustível. Com menos barris no mercado, o preço do Brent tende a subir, o que pressiona custos de transporte e produção no Brasil. Para a curva de juros, isso significa maior prêmio de risco inflacionário.

A inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), acima do centro da meta de 3,0%. Qualquer choque de oferta externa pode elevar ainda mais esse indicador, forçando o Banco Central a manter ou elevar a Selic.

O papel do petróleo na inflação brasileira

O Brasil importa cerca de 20% do petróleo que consome. Quando o Brent dispara, a gasolina e o diesel sobem nas bombas, e isso contamina a inflação de serviços e alimentos. O IPCA de maio já refletia alta de 1,8% nos combustíveis (IBGE, IPCA-15, mai/2026).

Curva de juros futuros: o que mudou

No fim da sessão, as taxas dos DIs de curto prazo subiram mais que as de longo prazo. O DI para janeiro de 2027 fechou a 10,62%, enquanto o DI para janeiro de 2030 subiu de 10,85% para 10,92%. A diferença entre os dois, o prêmio de risco, aumentou 7 pontos-base.

| Vencimento | Taxa anterior | Taxa após anúncio | Variação | |------------|---------------|-------------------|----------| | DI jan/2027 | 10,45% | 10,62% | +0,17 p.p. | | DI jan/2028 | 10,60% | 10,75% | +0,15 p.p. | | DI jan/2029 | 10,72% | 10,84% | +0,12 p.p. | | DI jan/2030 | 10,85% | 10,92% | +0,07 p.p. |

Fonte: B3, pregão de 14/05/2026.

Impacto para investidores de renda fixa

Quem tem títulos atrelados ao DI (como CDBs pós-fixados) pode se beneficiar da alta. Já quem comprou prefixados antes do movimento pode ver a marcação a mercado negativa. Para novos investimentos, a dica é alongar o prazo com cautela: a curva ainda mostra prêmio maior nos vencimentos mais longos.

Para quem investe há anos em renda fixa, sabe que choques externos como esse geram volatilidade de curto prazo, mas não alteram a tendência estrutural. O Banco Central já sinalizou que a Selic pode subir mais 0,25 p.p. na próxima reunião, dependendo da inflação (ata do Copom, mai/2026).

Projeções de inflação e política monetária

A revogação da licença iraniana deve elevar as projeções do Boletim Focus. Na última pesquisa, o mercado estimava IPCA de 4,0% para 2026 (Banco Central, Focus, 09/05/2026). Com o choque do petróleo, esse número pode subir para 4,3% ou 4,5% nas próximas semanas.

O Copom, em sua última ata, destacou que "a incerteza sobre o cenário externo exige cautela" (ata do Copom, mai/2026). A alta dos DIs reflete justamente essa cautela: o mercado precifica juros mais altos por mais tempo.

Perguntas Frequentes

O que são DIs?

DIs são Depósitos Interfinanceiros, títulos que representam a taxa de juros entre bancos. A curva de DI futuro é referência para precificar ativos de renda fixa no Brasil.

Por que a revogação da licença iraniana afeta o Brasil?

O Brasil importa petróleo e derivados. Com menos oferta global, o preço sobe, pressionando a inflação doméstica e, por consequência, os juros futuros.

Como investir com a alta dos DIs?

CDBs pós-fixados e fundos DI se beneficiam da alta. Prefixados podem sofrer marcação a mercado negativa no curto prazo.

O que esperar da Selic nas próximas reuniões?

O Copom sinalizou alta de 0,25 p.p. na próxima reunião, mas o choque externo pode acelerar esse movimento.

Qual o impacto no câmbio?

A alta dos juros tende a atrair capital estrangeiro, valorizando o real. Mas o petróleo mais caro aumenta a conta de importação, o que pode pressionar o câmbio no médio prazo.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um assessor financeiro para decisões personalizadas.

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