DIs fecham em baixa após dados fracos de emprego nos EUA
A surpresa negativa com o payroll dos EUA derrubou os rendimentos dos Treasuries e conduziu as taxas dos DIs no Brasil à baixa. Entenda o impacto na curva de juros.
Taxas dos DIs fecham em baixa após dados fracos de emprego nos EUA
A surpresa negativa com o mercado de trabalho dos Estados Unidos nesta sexta-feira disparou a queda firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior, o que conduziu as taxas dos DIs no Brasil à baixa. O movimento reflete a percepção de que o Federal Reserve deve manter os juros americanos no curto prazo, aliviando a pressão sobre a curva de juros doméstica.
O que aconteceu com as taxas dos DIs hoje?
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,78%, em baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,853% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,425%, com recuo de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,45%. Na semana, as quedas acumuladas foram de 8 e 22 pontos-base, respectivamente.
O movimento foi liderado pela reação dos investidores ao payroll americano, que veio muito abaixo do esperado. A fraqueza dos dados reduziu as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo, o que derrubou os rendimentos dos Treasuries e, por consequência, puxou as taxas dos DIs no Brasil.
Payroll fraco nos EUA: o que os números mostraram?
O Departamento do Trabalho dos EUA informou pela manhã que foram fechados 23 mil postos de trabalho no país em julho, contrariando a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa da Reuters de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, ante 4,2% projetados.
O dado anterior foi revisado para pior, passando a apontar criação de 20 mil vagas em junho, ante os 57 mil postos de trabalho inicialmente informados. A revisão negativa reforça o cenário de desaceleração do mercado de trabalho americano, um sinal de que a economia pode estar perdendo fôlego.
Reação dos Treasuries e do dólar
Em reação, os rendimentos dos Treasuries despencaram, com investidores avaliando que a fraqueza dos dados reduz as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo, tinha queda de 5 pontos-base, a 4,191%. Já o retorno do título de dez anos, referência global para decisões de investimento, caía 3 pontos-base, a 4,639%.
No Brasil, as taxas dos DIs, que registravam mais cedo variações contidas, se firmaram em baixa após os números norte-americanos, em paralelo ao recuo do dólar ante o real. Após marcar 13,830% (-2 pontos-base) às 9h29, pouco antes da divulgação do relatório nos EUA, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima intradia de 13,755% (-10 pontos-base) às 9h33, já depois dos dados. Perto deste horário o dólar também estava na mínima do dia ante o real.
O que dizem os especialistas sobre o cenário de juros?
"Esse enfraquecimento do mercado de trabalho é consistente com a precificação atual do mercado, que já não espera mais alta de juros em setembro, e sim manutenção, com um aumento de 0,25 p.p. em outubro, o único movimento esperado para o restante de 2026", disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito.
A leitura é de que o Fed deve manter a taxa básica americana no próximo encontro, com um possível ajuste de 0,25 ponto percentual apenas em outubro. Esse cenário reduz a pressão sobre os juros globais e, por tabela, sobre a curva de juros brasileira.
Impacto para o investidor brasileiro
Para quem acompanha o mercado de renda fixa, a queda das taxas dos DIs tem efeito direto sobre os títulos públicos e privados atrelados à taxa de juros. Quando as taxas caem, os papéis que já foram emitidos com taxas maiores tendem a se valorizar, o que pode beneficiar quem já está posicionado.
No entanto, a volatilidade deve continuar. Além dos dados norte-americanos, os investidores se mantiveram atentos durante o dia ao noticiário sobre o Oriente Médio, com o conflito entre EUA e Irã ainda em curso. Esse tipo de evento geopolítico pode influenciar o apetite por risco e, consequentemente, as taxas de juros.
O que esperar da curva de juros daqui para frente?
O mercado segue precificando um ciclo de juros mais brando nos EUA, o que tende a favorecer ativos de maior risco, incluindo o real e a curva de juros brasileira. Ainda assim, o cenário doméstico segue sendo um fator relevante, com a atenção voltada para a política fiscal e a trajetória da inflação.
Para o investidor, o momento pede cautela. A queda das taxas pode ser uma oportunidade para alongar o prazo dos investimentos em renda fixa, mas é preciso acompanhar de perto os próximos dados econômicos, tanto nos EUA quanto no Brasil, para ajustar a estratégia.
Perguntas Frequentes
O que são os DIs?
Os DIs (Depósitos Interfinanceiros) são títulos que representam as taxas de juros negociadas entre bancos no Brasil. Eles servem de referência para o mercado de renda fixa e para a precificação de diversos ativos financeiros.
Por que o payroll dos EUA afeta os juros no Brasil?
O payroll americano é um indicador da saúde da economia dos EUA. Quando ele vem fraco, o mercado reduz as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve, o que derruba os rendimentos dos Treasuries e, por consequência, influencia as taxas de juros em outros países, incluindo o Brasil.
O que é o Federal Reserve?
O Federal Reserve (Fed) é o banco central dos Estados Unidos. Ele define a taxa básica de juros americana, que influencia o custo do dinheiro em todo o mundo. o que é o federal reserve
Como a queda dos DIs afeta meus investimentos?
A queda das taxas dos DIs tende a valorizar títulos de renda fixa já emitidos com taxas maiores. Para quem investe em Tesouro Direto, CDBs ou fundos de renda fixa, o movimento pode representar ganho de capital, mas também indica que novas aplicações terão retornos menores.
O que é a curva a termo?
A curva a termo, também chamada de curva de juros, mostra as taxas de juros para diferentes prazos de vencimento. Ela é usada pelo mercado para precificar expectativas futuras de juros e é uma referência importante para decisões de investimento.