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Taxas dos DIs caem com Treasuries e petróleo em baixa

Taxas dos DIs caem em dia de recuo dos Treasuries e do petróleo

As taxas dos DIs com prazos a partir de janeiro de 2028 fecharam a segunda-feira com baixas, em movimento que acompanhou o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior. A expectativa de que possa haver um acordo entre Estados Unidos e Irã ajudou a ditar o tom do pregão. No Brasil, uma nova pesquisa eleitoral, indicando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Planalto, também justificou a queda das taxas.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,805%, com baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,861% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,42%, com queda de 23 pontos-base ante 14,646%.

Por que os DIs caíram hoje: Treasuries, petróleo e a pesquisa eleitoral

O dia foi marcado por dois vetores principais. No exterior, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no fim de semana o adiamento de um novo ataque ao Irã. Ele afirmou que a República Islâmica e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para concluir um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo e do gás exportados pelos países.

No domingo, o chefe da Casa Branca afirmou que suspenderia um ataque planejado contra o Irã e iniciaria nesta segunda à tarde tratativas com Teerã, solicitadas por Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar. Nesta segunda-feira, o Irã desmentiu que estivesse negociando com os EUA, mas Trump confirmou que as conversas estão em andamento e voltou a ameaçar punir Teerã caso um acordo não seja fechado.

Nesse cenário ainda nebuloso, os agentes se apegaram à possibilidade de avanços nas negociações de paz, o que conduziu a queda do petróleo Brent para a faixa de US$83 o barril e o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries.

Pesquisa BTG/Nexus: Lula e Flávio Bolsonaro colados

No Brasil, a baixa das taxas também foi influenciada, conforme dois profissionais ouvidos pela Reuters, pela pesquisa BTG/Nexus. O levantamento mostrou Lula com 46% das intenções de voto em eventual segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 45% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Na pesquisa BTG/Nexus anterior, Lula tinha 47% e Flávio somava 43%.

Os números sugeriram que, ao contrário do que mostraram pesquisas de outros institutos, Flávio não está tão distante de Lula, cuja candidatura, principalmente por conta da política fiscal, gera desconfiança em parte do mercado.

Mercado reduz projeção da Selic para 2026 e aposta em corte esta semana

Os investidores também seguiram consolidando nesta segunda-feira as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará novamente a taxa básica Selic esta semana. Na última quinta-feira, atualização mais recente, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 93,5% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic esta semana, contra 6,5% de probabilidade de manutenção em 14,25%.

Para o encontro seguinte, em setembro, a precificação indica 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base, contra 27,5% de chance de manutenção.

Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central informou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic no fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75%, com os analistas passando a projetar dois cortes de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. No caso do Focus, porém, a expectativa é de corte de 25 pontos-base esta semana e de outros 25 pontos-base apenas em novembro.

A inflação para 2026 projetada no Focus foi de 5,12% para 5,03% e para 2027 seguiu em 4,22%.

Treasury de 10 anos: referência global em queda

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caía 6 pontos-base, a 4,688%.

O que esperar dos DIs e da Selic nas próximas semanas

O cenário segue nebuloso. A negociação entre EUA e Irã ainda não é um fato consumado, e o Irã desmentiu que esteja conversando com Washington. A pesquisa eleitoral, por outro lado, trouxe um elemento novo ao mercado: a proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro pode aumentar a percepção de risco fiscal, já que a candidatura do atual presidente gera desconfiança em parte do mercado.

Para o investidor, o movimento das taxas dos DIs deve continuar sensível a dois fatores: o desenrolar das tratativas no Oriente Médio e a sinalização do Copom sobre a trajetória da Selic. A precificação atual indica alta probabilidade de corte esta semana, mas o Focus sugere um ritmo mais gradual. como a queda da Selic afeta seus investimentos

Perguntas Frequentes

O que são os DIs?

Os DIs (Depósitos Interfinanceiros) são títulos que negociam a expectativa do mercado para a taxa de juros no Brasil, funcionando como referência para contratos futuros.

Por que as taxas dos DIs caíram hoje?

As taxas caíram com o recuo dos Treasuries e do petróleo, em meio à expectativa de acordo entre EUA e Irã, e também com a pesquisa eleitoral mostrando Lula e Flávio Bolsonaro colados.

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma rota por onde circulam 20% do petróleo e do gás exportados pelos países do Oriente Médio.

O que o mercado espera para a Selic?

A precificação das opções de Copom indica 93,5% de chance de corte de 25 pontos-base esta semana, e o Focus reduziu a projeção para o fim de 2026 de 14,00% para 13,75%.

Como a pesquisa eleitoral afeta os DIs?

A pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 45%, indicando uma disputa mais apertada, o que pode aumentar a percepção de risco fiscal e influenciar as taxas.

o que é a curva de juros e como interpretar copom o que esperar da decisão desta semana

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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