Taxas curtas de DIs perdem força com Caged, mas fecham em alta
As taxas dos DIs de curto prazo reduziram seus ganhos após dados mostrarem uma geração de vagas formais menor que o esperado no Brasil, mas a curva a termo encerrou a sexta-feira majoritariamente em alta, refletindo um discurso duro do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh. No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 marcava 13,805%, em alta de 4 pontos-base ante 13,765%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 estava em 14,61%, com elevação de 13 pontos-base ante 14,479%.
Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou que o Fed "terá trabalho a fazer" se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%. "Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer", disse. Com isso, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo dispararam, e investidores ampliaram apostas de alta de juros em setembro. Durante a tarde, os Fed Funds precificavam 57,5% de probabilidade de alta de 25 pontos-base em setembro, ante 35,7% antes do discurso.
O avanço dos Treasuries deu força às taxas dos DIs no Brasil, mas o cenário mudou com o vazamento do Caged. O cadastro apontou criação de 58.568 vagas formais em julho, abaixo das 112.000 projetadas. "A forte frustração aponta para possível perda de fôlego do mercado de trabalho formal", disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. O DI para janeiro de 2028 zerou ganhos e chegou a ceder, reforçando expectativa de novos cortes da Selic, atualmente em 14%.
Nos prazos longos, as altas seguiram firmes. Às 16h35, o Treasury de dois anos subia 12 pontos-base, a 4,354%, e o de dez anos, 6 pontos-base, a 4,728%. Para quem investe em renda fixa, o cenário misto exige atenção: taxas curtas podem cair com Selic menor, mas as longas seguem sensíveis ao Fed.