Exportações brasileiras para os EUA caem ao menor patamar com tarifaços de Trump
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram ao menor patamar histórico no primeiro semestre de 2026, segundo a Amcham Brasil. Com tarifaços de Donald Trump, as vendas somaram US$ 17,4 bilhões, 13% menos que no mesmo período de 2025. A fatia dos EUA no comércio exteri
Os tarifaços impostos por Donald Trump derrubaram as exportações brasileiras para os Estados Unidos ao menor patamar da série histórica. Levantamento da Amcham Brasil aponta que, no primeiro semestre de 2026, as vendas somaram US$ 17,4 bilhões, 13% abaixo do mesmo período de 2025. A fatia dos EUA no comércio exterior brasileiro encolheu a 9,4%, o menor índice desde o início da série, em 1997.
Tarifaço de Trump e o impacto no comércio bilateral
O tarifaço americano, que entrou em vigor em agosto de 2025, atingiu em cheio os produtos brasileiros. Apesar de uma lista de exceções que cobre cerca de 60% da pauta de exportação do Brasil para os EUA, os manufaturados ficaram de fora. Hoje, um novo tarifaço de 25% entra em vigor, definido pela Casa Branca a partir de investigação do escritório comercial do governo, o USTR.
As transações totais entre os dois países caíram 12,8% na comparação com janeiro a junho de 2025, somando US$ 36,4 bilhões. Em paralelo, o Brasil ampliou em 11,5% suas exportações globalmente, com salto para a China (21,9%) e União Europeia (12,8%).
Produtos mais atingidos: petróleo, café e sucos
Cinco dos dez principais produtos de exportação brasileira recuaram em vendas no semestre, todos alvo de taxação. O petróleo bruto caiu 30,4%, os semi-acabados de ferro ou aço recuaram 21,7%, e o café não torrado despencou 34,8%, caindo da terceira para a sétima posição entre os mais vendidos. A celulose recuou 9,4% e o ferro-gusa, 1,2%.
Categorias sobretaxadas foram ainda mais duramente impactadas. O caso mais emblemático é o dos sucos de frutas: as remessas aos EUA foram cortadas quase pela metade (-48,2%), caindo para US$ 153,1 milhões e saindo da lista dos dez bens mais vendidos.
Setores que resistiram: aeronaves e carne bovina
Nem tudo caiu. Cinco dos dez principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA tiveram expansão. As maiores altas foram em aeronaves (32,9%), carne bovina (41%), óleos combustíveis (13,7%), equipamentos de engenharia (23,8%) e máquinas de energia elétrica (16%).
Importações brasileiras dos EUA também encolheram
As compras brasileiras de produtos americanos recuaram 12,5% no período. O tombo foi puxado por máquinas e motores, com queda de 76% (menos US$ 2,7 bilhões), e aeronaves e partes, com recuo de 14,6% (US$ 100 milhões).
Sinais de recuperação em junho e riscos adiante
Em junho, após dez meses consecutivos de queda, as exportações brasileiras para os EUA subiram 3,7% em valor, embora em volume ainda tenha havido decréscimo. A Amcham, no entanto, calcula que o horizonte é de incerteza, considerando a possível taxação adicional de importações brasileiras pelo USTR e o conflito no Oriente Médio, que onera produtos derivados de óleo e gás.
"O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301", afirmou Abrão Neto, presidente da Câmara de Comércio americana no Brasil. "Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos."
Perguntas Frequentes
Quanto caíram as exportações brasileiras para os EUA no primeiro semestre de 2026?
Caíram 13% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 17,4 bilhões, o menor patamar histórico.
Qual produto brasileiro mais sofreu com o tarifaço?
Os sucos de frutas tiveram a maior queda proporcional, com recuo de 48,2% nas remessas aos EUA.
O que diz Abrão Neto, da Amcham, sobre o cenário?
Ele afirma que o comércio bilateral está sob forte pressão e defende um acordo para evitar novas tarifas da Seção 301.
O comércio total entre Brasil e EUA caiu quanto?
As transações totais caíram 12,8%, para US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre.
Houve algum sinal de recuperação em junho?
Sim, as exportações subiram 3,7% em valor em junho, após dez meses de queda, mas o volume ainda caiu.