Tarifaço: setor de máquinas se reúne com Alckmin e se diz contra uso da reciprocidade
O setor de máquinas e equipamentos se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade como resposta ao tarifaço americano. Em reunião com Alckmin, a Abimaq defendeu negociação e apresentou propostas para baixar custos e ampliar o programa Brasil Soberano.
O setor brasileiro de máquinas e equipamentos se reuniu nesta terça-feira com o vice-presidente Geraldo Alckmin e se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade como resposta ao novo tarifaço americano. Para a indústria, a saída para o impasse comercial passa pela negociação, e não pela revanche.
O setor de máquinas e equipamentos, representado pela Abimaq, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade para retaliar os EUA. A entidade defende negociação diplomática e apresentou propostas para reduzir custos internos e ampliar o programa Brasil Soberano.
Por que o setor rejeita a Lei da Reciprocidade
O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, foi enfático ao dizer que a entidade é contrária ao uso da reciprocidade. Ele explicou que o mecanismo não é simples de acionar, pois depende de etapas como uma consulta pública no Brasil, na qual, em sua avaliação, a maioria dos setores se posicionaria contra., Nós não somos a favor (da aplicação da Lei da Reciprocidade). Entendemos que nós temos que continuar pela via diplomática-empresarial, que é o que nós estamos fazendo. Para fazer a Lei de Reciprocidade, teria que fazer uma consulta pública antes, aqui no Brasil. E eu tenho a impressão de que, se essa consulta pública for feita, a maioria dos setores vão ser contra nessa consulta. E nós, com certeza, seremos, disse Velloso.
Para o dirigente, retaliar não resolve um problema que é, na origem, político. Ele lembrou uma audiência pública realizada em Washington pelo órgão de comércio dos Estados Unidos (USTR), na qual entidades e empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil, sem praticamente nenhuma defesa da taxação de máquinas.
Os argumentos econômicos contra o tarifaço
Ainda que o governo americano tenha mantido a medida mesmo contra a vontade de seus próprios empresários, Velloso destacou que os argumentos econômicos pesam contra o tarifaço. Entre eles, o fato de os EUA terem superávit no comércio com o Brasil desde 2009 e de as empresas americanas serem as que mais investem no país.
O impacto do tarifaço nas máquinas brasileiras
O tarifaço prevê a cobrança de uma taxa extra de 25% sobre as máquinas e demais produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções. O setor já havia enfrentado uma medida parecida, derrubada em fevereiro. Agora, a essa taxa pode se somar uma cobrança adicional de 12,5%, ligada a uma acusação de trabalho forçado, o que levaria o total a 37,5%.
Segundo Velloso, apesar de grave, esse empilhamento de tarifas é menos danoso do que os 25% aplicados só ao Brasil, porque a cobrança de 12,5% atingiria também os concorrentes de outros países., A tarifa de 25% é pior porque é uma tarifa para o Brasil. Então, tira a competitividade do nosso produto em relação ao produto asiático, ao europeu, de outras origens, explicou.
A ressalva sobre a concorrência americana
A ressalva é que os Estados Unidos fabricam máquinas e, por isso, competem diretamente com o produto brasileiro. Assim, a taxa extra de 12,5% faria o Brasil perder terreno para o fabricante americano, ainda que não em relação a asiáticos e europeus. Para Velloso, a medida tem caráter protecionista e seria uma forma de o governo americano contornar uma decisão recente da Suprema Corte do país que limitou o uso de um dos mecanismos anteriores de taxação.
A saída: buscar novos mercados
Diante desse quadro, o dirigente afirmou que a principal saída, com tarifa de 25% ou de 37,5%, é buscar novos compradores fora dos Estados Unidos. E, segundo ele, o setor tem mostrado fôlego para isso: mesmo com a queda nas vendas aos americanos, as exportações de máquinas cresceram 12% no acumulado dos últimos doze meses, em nível recorde. A fatia dos EUA nas exportações do setor, que já foi de 31% antes do tarifaço e de 26% na primeira fase, caiu para 22%., Mesmo caindo nos Estados Unidos, nós crescemos. Então, a expectativa é muito boa. É um setor que responde muito ao estímulo às exportações, disse Velloso.
As propostas apresentadas ao governo
Na reunião com Alckmin, a Abimaq apresentou propostas em duas frentes. A primeira busca baixar custos internos que encarecem o produto brasileiro, o chamado Custo Brasil, com medidas como a redução de tributos que sobram na cadeia de produção e dificultam a exportação, além de mais crédito, seguro e a devolução de impostos pagos por quem produz para vender ao exterior (o drawback).
Ajustes no Brasil Soberano
A segunda frente pede ajustes no Brasil Soberano, programa de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço. O principal ponto, nesse caso, é facilitar a entrada de empresas no programa. Velloso citou como exemplo a regra que exige que a companhia comprove já ter exportado aos Estados Unidos em determinado período., É um programa bom, que já mostrou resultado. Se a gente conseguir ampliar a elegibilidade, vamos conseguir melhorar ainda mais o resultado, afirmou.
O que esperar dos próximos passos
O encontro desta manhã, voltado só ao setor de máquinas, seria seguido de novas reuniões à tarde no ministério do Desenvolvimento com outros grupos de entidades. Segundo Velloso, o diálogo com Alckmin é constante, e a expectativa é de que o vice-presidente acolha as propostas e sinalize o que poderá avançar.
Perguntas Frequentes
O que é a Lei da Reciprocidade?
É um instrumento que permitiria ao Brasil retaliar os Estados Unidos com sobretaxas equivalentes como resposta ao tarifaço americano. O setor de máquinas é contra seu uso.
Qual o valor do tarifaço sobre máquinas brasileiras?
O tarifaço prevê taxa extra de 25%, que pode chegar a 37,5% com acréscimo de 12,5% ligado a acusação de trabalho forçado.
O que a Abimaq propôs ao governo?
A associação apresentou duas frentes: redução do Custo Brasil (tributos, crédito, drawback) e ajustes no programa Brasil Soberano para ampliar elegibilidade.
Como o setor está reagindo às tarifas?
As exportações de máquinas cresceram 12% nos últimos doze meses, em nível recorde, mesmo com queda nas vendas aos EUA. A fatia americana caiu de 31% para 22%.
Haverá novas reuniões com o governo?
Sim. O encontro com o setor de máquinas foi seguido de outras reuniões no ministério do Desenvolvimento com diferentes grupos de entidades.