Economia

Cacau sobe com retomada de demanda e previsão de queda na produção

ResumoOs preços do cacau em Londres subiram nesta terça-feira (21) com a retomada da demanda e a previsão de queda na produção para a safra 2026/27. O mercado de chocolate deve refletir essa alta, com possíveis impactos nos custos para consumidores e fabricantes.

Os preços do cacau em Londres subiram nesta terça-feira (21), com a demanda começando a se recuperar e a produção prevista para diminuir na safra 2026/27. Saiba o que esperar para o mercado de chocolate.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 21 de julho de 2026
Cacau sobe com retomada de demanda e previsão de queda na produção

Cacau sobe com retomada de demanda e previsão de queda na produção

Os preços do cacau em Londres subiram nesta terça-feira (21), com a demanda começando a se recuperar e a produção prevista para diminuir na safra de 2026/27. Os futuros do cacau na ICE de Londres fecharam com alta de £76, ou 1,9%, a £4.173 por tonelada. Operadores afirmaram que o mercado foi impulsionado pela perspectiva de um equilíbrio no mercado em 2026/27, após um superávit significativo na safra atual.

Retomada da demanda e perspectiva de equilíbrio

A recuperação da demanda por chocolate está no centro da alta do cacau. O diretor financeiro da fabricante suíça de chocolates Lindt, Martin Hug, afirmou nesta terça-feira que, mesmo sem o El Niño, a próxima safra de cacau não seria tão forte quanto a atual. "Também acreditamos... que a demanda por chocolate provavelmente aumentará em termos de volume. Isso significa que, para as próximas duas safras, não esperamos um excedente tão grande quanto o que vimos na safra atual", disse Hug.

Essa combinação de oferta menor e demanda crescente cria um cenário de equilíbrio mais apertado, o que tende a sustentar os preços no médio prazo. Para quem investe ou consome chocolate, o sinal é de que a commodity pode continuar valorizada.

El Niño e riscos climáticos

No início de julho, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para o surgimento rápido de um forte El Niño, um fenômeno meteorológico particularmente arriscado para o cacau. Embora a Lindt não considere que a próxima safra será tão forte quanto a atual mesmo sem o fenômeno, a presença do El Niño pode agravar ainda mais a redução da produção.

Além do cacau, outros mercados de commodities agrícolas também estão sob atenção. O Rabobank afirmou em nota: "Fora do Brasil, as chuvas na Índia e na Tailândia e o calor na União Europeia também serão acompanhados, com os riscos climáticos aumentando nos três países produtores". Isso vale tanto para o açúcar quanto para outras culturas sensíveis ao clima.

Mercado de cacau em Nova York

O contrato de cacau de Nova York também subiu, fechando em alta de 1,6%, para US$ 5.607 a tonelada. A sincronia entre as duas principais bolsas de cacau reforça a tendência de alta no curto prazo.

Açúcar: recuperação na moagem do Brasil

O açúcar bruto fechou com alta de 0,06 centavo, ou 0,4%, a 14,88 centavos de dólar por libra-peso. Os corretores observaram que a produção de açúcar e cana na importante região centro-sul do Brasil deve ter se recuperado neste mês, após ficar bem abaixo do nível do ano passado durante a segunda quinzena de junho.

A moagem de cana-de-açúcar na importante região brasileira caiu 28,4% na segunda quinzena de junho em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura do país nesta segunda-feira. O mercado também aguarda os dados de produção a serem divulgados pela Unica, entidade setorial brasileira, que adiou alguns de seus relatórios nos últimos dois meses sem apresentar justificativa.

O açúcar branco subiu 0,4%, para US$ 469,30 a tonelada.

Café: estoques no menor nível desde fevereiro de 2024

O café arábica na ICE fechou em queda de 2,45 centavos, ou 0,8%, a US$ 3,221 por libra-peso. Os corretores afirmaram que o mercado foi sustentado inicialmente pela escassez de oferta no curto prazo, refletida em parte nos baixos estoques certificados da bolsa.

Os estoques certificados da ICE ficaram em 329.870 sacas, em 20 de julho, abaixo das 342.574 sacas da semana anterior e bem abaixo das 811.024 sacas registradas no mesmo período do ano passado. Trata-se do nível mais baixo desde fevereiro de 2024. O preço do café robusta caiu 1,7%, para US$ 3.818 por tonelada.

O que esperar para o mercado de chocolate?

Para o consumidor final, a alta do cacau pode se traduzir em preços mais elevados para o chocolate nos próximos meses. A combinação de demanda crescente, oferta reduzida e riscos climáticos cria um ambiente de preços firmes. Para produtores e traders, o momento exige atenção aos dados de safra e ao clima nas principais regiões produtoras.

Perguntas Frequentes

Por que o cacau subiu em Londres?

Os preços do cacau em Londres subiram 1,9%, para £4.173 por tonelada, impulsionados pela retomada da demanda e pela previsão de queda na produção da safra 2026/27.

O que a Lindt disse sobre a safra de cacau?

O diretor financeiro da Lindt, Martin Hug, afirmou que a próxima safra não será tão forte quanto a atual, mesmo sem o El Niño, e que a demanda por chocolate deve aumentar em volume.

Como o El Niño afeta o cacau?

A agência meteorológica da ONU elevou a previsão para um forte El Niño, fenômeno arriscado para o cacau. A Lindt, no entanto, já prevê safra menor independentemente do fenômeno.

O que aconteceu com o açúcar no Brasil?

A moagem de cana na região centro-sul caiu 28,4% na segunda quinzena de junho, mas há expectativa de recuperação em julho. O mercado aguarda dados da Unica.

Qual a situação dos estoques de café?

Os estoques certificados da ICE estão no menor nível desde fevereiro de 2024, com 329.870 sacas em 20 de julho, bem abaixo das 811.024 sacas do ano passado.

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