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IA nas empresas: como gerar resultado de verdade

Sua empresa usa IA, mas ela está gerando resultado? A pergunta ganha peso diante dos números: no Brasil, apenas 23% das empresas conseguiram colocar em produção 40% ou mais de seus projetos-piloto de IA, segundo o estudo State of AI in the Enterprise, da Deloitte, que ouviu 115 executivos brasileiros em 2026. Em 58% delas, no máximo 20% dos pilotos chegaram à implementação. O problema não é mais convencer a testar IA, é fazer os testes virarem operação e retorno.

A pesquisa mostra um avanço: 42% dos executivos brasileiros afirmam usar IA para promover mudanças estruturais, acima dos 34% registrados globalmente. Mas a escala ainda trava. A diferença entre quem adota e quem transforma está no desenho dos processos. Adicionar um assistente de IA à rotina de um funcionário economiza algumas horas. Redesenhar o processo inteiro pode reduzir custos e aumentar a capacidade de atendimento. No Brasil, 30% das empresas dizem redesenhar fluxos críticos em torno da IA, enquanto 27% ainda têm uso superficial.

Os ganhos aparecem de forma desigual. Apenas 22% dos executivos brasileiros percebem aumento de receita diretamente ligado à IA, mas 87% acreditam que a tecnologia vai impulsionar o crescimento nos próximos anos. Esse descompasso entre expectativa e resultado concentra a oportunidade. O Work Trend Index 2026, da Microsoft, que ouviu cerca de 20 mil trabalhadores em dez mercados, reforça: dois terços dizem que a IA libera tempo para atividades de maior valor, mas só 26% afirmam que a liderança está claramente alinhada sobre o tema.

A responsabilidade, porém, não desaparece com a automação. No mercado financeiro, a Resolução CVM 19, que regula a consultoria de valores mobiliários, mantém obrigações para os consultores mesmo com uso crescente de tecnologia. A máquina participa da decisão, mas a responsabilidade continua humana e empresarial. A conta fica mais complexa com a IA agêntica, que executa múltiplas etapas com autonomia. A Deloitte estima que 95% das organizações brasileiras pretendem adotar esse tipo de IA em dois anos, mas só 27% têm governança madura. Autonomia avança mais rápido que controle, e é aí que parte do valor se perde. A pergunta final não é apenas o que a IA consegue fazer, mas o que vale a pena deixar ela fazer e quem responde pelo resultado.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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