Economia

Startups: Metade das empresas que demitiram por IA vai recontratar até 2027

ResumoPesquisa do Gartner indica que, até 2027, metade das empresas que demitiram funcionários por causa da inteligência artificial vão recontratar. O movimento reflete a imaturidade da tecnologia para substituir completamente habilidades humanas. Casos como Klarna e Commonwealth Bank já demonstram o efeito bumerangue, com a necessidade de reverter demissões.

Uma pesquisa do Gartner indica que, até 2027, metade das empresas que demitiram por IA vão recontratar. O movimento reflete a imaturidade da tecnologia para substituir habilidades humanas. Casos como Klarna e Commonwealth Bank já mostram o efeito bumerangue.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 19 de julho de 2026
Startups: Metade das empresas que demitiram por IA vai recontratar até 2027

A promessa da inteligência artificial como ferramenta para cortar custos com pessoal pode estar prestes a sofrer uma correção. Segundo pesquisa recente do Gartner, até 2027, metade das empresas que atribuíram a redução de quadro à IA vão recontratar colaboradores para desempenhar funções semelhantes, ainda que sob títulos de cargo diferentes.

Até 2027, metade das empresas que demitiram por IA vão recontratar colaboradores para funções semelhantes, mas com novos títulos. O Gartner aponta que as demissões foram mais influenciadas por condições econômicas do que pela automação, e a IA ainda não substitui experiência, empatia e discernimento humanos.

O discurso andou mais rápido que a realidade

A leitura da consultoria é clara: o discurso sobre demissões por IA avançou mais rápido que a realidade. "Embora as demissões impulsionadas pela IA tenham chamado a atenção, a realidade é mais complexa", afirma Kathy Ross, analista diretora sênior da área de atendimento e suporte ao cliente do Gartner.

"A maioria das reduções recentes na força de trabalho foi influenciada por condições econômicas mais amplas, e não apenas pela automação. À medida que as organizações se deparam com os limites da IA e com as crescentes expectativas dos clientes, precisarão reinvestir em talentos humanos para manter a qualidade do serviço e o crescimento", completa.

Para o Gartner, o efeito bumerangue tem a ver com questões práticas. Por mais que a ideia de automação com IA seja sedutora para muitos CEOs, para muitos casos ainda não é o momento.

Os limites da IA: empatia e discernimento

"A IA simplesmente não está madura o suficiente para substituir completamente a experiência, a empatia e o discernimento que os agentes humanos oferecem", afirma Emily Potosky, diretora sênior de pesquisa da área de atendimento e suporte ao cliente do Gartner. "Confiar exclusivamente na IA neste momento é prematuro e pode levar a consequências indesejadas."

A própria consultoria coloca um freio na narrativa de "IA substitui tudo". Uma outra pesquisa do Gartner, divulgada em maio, mostrou que, entre as organizações que testam ou implementam capacidades de negócios autônomos, cerca de 80% relatam reduções na força de trabalho, mas esses cortes não se traduzem em retorno sobre o investimento (ROI).

O levantamento ouviu 350 executivos globais no terceiro trimestre de 2025, todos de empresas com receita anual de pelo menos US$ 1 bilhão que já testavam ou tinham implementado ao menos um item entre agentes de IA, automação inteligente e tecnologias autônomas.

Casos reais do efeito bumerangue

Apesar da previsão do Gartner valer para 2027, já apareceram os primeiros casos desse efeito bumerangue. Um dos mais marcantes é o da fintech sueca Klarna. Em 2024, a empresa anunciou que um chatbot de IA fazia o trabalho de 700 agentes de atendimento e projetou US$ 40 milhões em lucro adicional por ano.

Um ano e meio depois, veio a meia-volta. Com a queda de qualidade e a insatisfação do cliente subindo, a empresa admitiu que o "foco em eficiência e custo" acabou reduzindo a qualidade e erodindo a confiança.

A Klarna, que havia enxugado o quadro de 5.500 para 3.400 funcionários, iniciou a recontratação de agentes humanos e passou a operar num modelo híbrido, combinando IA com pessoas. O CEO Sebastian Siemiatkowski assumiu publicamente o erro: "Nós fomos longe demais", disse.

Mais recente e ainda mais rápido, o Commonwealth Bank of Australia cortou 45 postos em seu call center em 2025 e os substituiu por um sistema de voz baseado em IA. Levou semanas para voltar atrás: o volume de chamadas subiu, a qualidade do serviço caiu e as vagas tiveram que ser reabertas.

O que esperar dos próximos anos

Para o investidor que acompanha startups, o ciclo sempre vira. A euforia com a IA como substituta total de empregos cede lugar a uma visão mais realista: a tecnologia complementa, mas não elimina a necessidade de talento humano. As empresas que demitiram por IA podem até ter economizado no curto prazo, mas a correção de rota pode custar mais caro.

O movimento de recontratação, segundo o Gartner, não significa que a IA perdeu o valor. Pelo contrário: a tecnologia segue sendo uma ferramenta poderosa, mas seu uso precisa ser calibrado. O modelo híbrido, com humanos e máquinas trabalhando juntos, parece ser o caminho mais viável.

Perguntas Frequentes

Por que as empresas estão recontratando após demitir por IA?

Porque a IA ainda não substitui habilidades humanas como empatia, experiência e discernimento. O Gartner aponta que a tecnologia não está madura o suficiente para funções complexas.

O que diz a pesquisa do Gartner sobre demissões por IA?

A pesquisa indica que, até 2027, metade das empresas que demitiram por IA vão recontratar. As demissões foram mais influenciadas por condições econômicas do que pela automação.

Quais empresas já voltaram atrás na substituição por IA?

A Klarna, fintech sueca, e o Commonwealth Bank of Australia são exemplos. Ambos cortaram postos de atendimento, mas tiveram que recontratar devido à queda na qualidade.

A IA ainda vale a pena para reduzir custos?

Sim, mas com cautela. O Gartner mostra que 80% das organizações que testam IA relatam cortes, mas sem retorno sobre o investimento. O modelo híbrido é mais eficaz.

Quando as empresas devem começar a recontratar?

Segundo o Gartner, o movimento deve se intensificar até 2027. Alguns casos, como Klarna e Commonwealth Bank, já mostram o efeito bumerangue em andamento.

O que significa "efeito bumerangue" no contexto de IA?

É quando a demissão por IA gera queda na qualidade do serviço e insatisfação do cliente, forçando a empresa a recontratar talentos humanos para corrigir o problema.

Leia também

Publicidade