Soja e milho: BTG vê US$ 12 e US$ 5 com El Niño
Soja e milho podem superar US$ 12 e US$ 5 em Chicago com efeitos do El Niño, diz BTG
O mercado de grãos começa a virar a página. Depois de meses com o clima dos Estados Unidos no centro das atenções, investidores mudam o foco para a América do Sul. Com oferta confortável no país e preços pressionados, o principal risco para soja e milho passa a estar no desenvolvimento da safra brasileira e argentina, especialmente diante da possibilidade de intensificação do El Niño.
Resposta direta: Segundo o BTG Pactual, a soja pode superar US$ 12 por bushel e o milho avançar para US$ 5 por bushel em Chicago, caso o El Niño se intensifique e atrase o plantio no Brasil. O mercado ainda não precifica essa deterioração das safras sul-americanas.
A transição do foco climático: dos EUA para o Brasil
Vitor Novaes, analista de commodities do BTG Pactual, descreve o momento como uma transição. As boas projeções para a safra norte-americana continuam limitando uma reação das cotações, mas a atenção deve se voltar para o plantio brasileiro a partir do fim de agosto e início de setembro.
"É exatamente esse momento que a gente está agora, numa transição de parar de olhar para o mercado climático estadunidense e começar a olhar aqui para o Brasil", afirmou Novaes.
Na prática, o clima dos EUA perdeu força como motor de preço. As previsões de chuvas para os próximos dias e temperaturas menos extremas reduziram o prêmio climático embutido nas cotações.
Preços atuais e mínimas de cinco semanas
Atualmente, a soja é negociada na faixa de US$ 11,76 por bushel, no contrato de novembro de 2026. O milho está próximo de US$ 4,50 por bushel. Com a melhora climática nos EUA, os contratos futuros de soja e milho chegaram a mínimas de aproximadamente cinco semanas.
Algumas regiões produtoras norte-americanas apresentaram deterioração nas condições das lavouras. Novaes avalia que os problemas permanecem localizados e não devem comprometer a oferta do país no segundo semestre.
"Isso não vai restringir a oferta como um todo para o segundo semestre desse ano", disse.
El Niño como principal fator de risco
Na avaliação de Novaes, o principal fator de risco para o mercado nos próximos meses é uma eventual intensificação do El Niño. O fenômeno climático pode provocar alterações no regime de chuvas brasileiro durante o início do plantio da soja.
Um dos principais problemas, segundo o analista, não seria necessariamente uma perda direta de produtividade da oleaginosa, mas um atraso no calendário agrícola. Isso poderia comprimir a janela para o plantio da segunda safra de milho em 2027 e, consequentemente, afetar a oferta brasileira da próxima temporada.
Para o produtor, o efeito prático é claro: o atraso no plantio da soja pode empurrar a safrinha de milho para uma janela mais apertada, com maior risco de perda por clima.
Além do Brasil: Argentina e Europa no radar
O mercado também deve acompanhar a evolução das condições climáticas na Argentina e na Europa. Na França, por exemplo, a deterioração do clima já representa um risco para a produção de milho.
Isso amplia o leque de riscos para a oferta global, mas os contratos futuros ainda refletem principalmente a perspectiva de uma oferta global confortável e estoques elevados.
O que o mercado ainda não precifica
Na prática, o mercado ainda não incorporou completamente uma eventual deterioração das safras sul-americanas provocada pelo El Niño, tampouco uma intensificação dos problemas climáticos na Europa ou uma aceleração das compras chinesas.
"Hoje, quando a gente olha as cotações dos contratos futuros, ele está mais refletindo essa ampla oferta global de grãos, estoques também elevados, ao invés de precificar essa possível deterioração das safras sul-americanas", explicou Novaes.
É aqui que mora o potencial de alta. Caso algum desses fatores se agrave de forma significativa, há espaço para uma reação relevante das commodities.
Cenários de alta: US$ 12 para soja e US$ 5 para milho
Segundo Novaes, a soja poderia superar os US$ 12 por bushel, enquanto o milho teria potencial para avançar para US$ 5 por bushel.
"Tudo depende de como foi o clima sul-americano nesse segundo semestre, principalmente aqui olhando para o Brasil e, em 2027, olhando milho safrinha", afirmou.
O cenário não é uma projeção automática, mas uma possibilidade condicionada à evolução do clima. O mercado, hoje, parece confortável com a oferta ampla. A virada de chave depende de eventos concretos no campo.
O que observar nos próximos meses
Para quem acompanha o mercado de grãos, os pontos de atenção são claros: o início do plantio da soja no Brasil, a janela da safrinha de milho em 2027 e as condições climáticas na Argentina e na Europa. Qualquer sinal de atraso ou deterioração pode reacender o prêmio de risco nas cotações.
A leitura do BTG Pactual é de cautela: o mercado ainda não paga pela possibilidade de quebra, mas o risco existe e pode se materializar rapidamente. como o clima afeta os preços das commodities
Perguntas Frequentes
O que é o El Niño e como ele afeta a soja?
O El Niño é um fenômeno climático que pode alterar o regime de chuvas no Brasil. No início do plantio da soja, isso pode atrasar o calendário agrícola, comprimindo a janela para a safrinha de milho.
Qual o preço atual da soja em Chicago?
A soja é negociada na faixa de US$ 11,76 por bushel, no contrato de novembro de 2026. O milho está próximo de US$ 4,50 por bushel.
Quais os níveis projetados pelo BTG para soja e milho?
Segundo o BTG Pactual, a soja pode superar US$ 12 por bushel e o milho pode avançar para US$ 5 por bushel, caso os fatores de risco se agravem.
O mercado já precifica o risco do El Niño?
Não. Segundo o analista, os contratos futuros ainda refletem a ampla oferta global e estoques elevados, sem incorporar a possível deterioração das safras sul-americanas.
Quando o mercado deve voltar a atenção para o Brasil?
A atenção deve se voltar para o plantio brasileiro a partir do fim de agosto e início de setembro, segundo o BTG Pactual.