Mercado Valor 🔍
Mercado Valor
Editorias
Institucional
Economia

Soja encerra em alta em Chicago com petróleo e chuva nos EUA

Os contratos futuros da soja negociados na bolsa de Chicago (CBOT) fecharam em alta nesta segunda-feira (14), sustentados por dois vetores: a valorização dos combustíveis, incluindo o petróleo, e a ameaça de atrasos na colheita no Meio-Oeste. A leitura é dos operadores que acompanham o pregão.

O contrato de soja para novembro encerrou o dia em alta de 7,75 centavos, ou 0,6%, cotado a US$13,04-1/4 por bushel. O milho para dezembro subiu 3 centavos, a US$5,3325 por bushel, mas seguiu dentro da faixa de negociação de sexta-feira e abaixo da máxima do contrato registrada em 2 de setembro. Já o trigo para dezembro caiu 3,25 centavos, a US$7,22 por bushel, após recuar para US$7,10, o menor nível do contrato desde 26 de agosto.

O que puxou a soja para cima

O primeiro fator é climático. As previsões apontavam chuvas intensas que poderiam retardar a colheita em partes do Meio-Oeste ao longo da semana, incluindo Iowa, maior produtor agrícola dos Estados Unidos e segundo maior Estado produtor de soja. Na tarde de segunda, o Serviço Nacional de Meteorologia emitiu alertas de enchentes para o centro e o sudoeste de Iowa.

O segundo fator vem do mercado de energia. A alta nos preços dos combustíveis, com o petróleo entre eles, costuma dar suporte às cotações agrícolas porque encarece o custo de produção e reforça a correlação entre as duas classes de ativos.

Sinais de melhora na demanda por exportações também ajudaram a sustentar o mercado. Os operadores aguardam a visita do presidente chinês Xi Jinping a Washington no final deste mês, movimento que pode mexer com as expectativas de compra de soja americana.

Milho acompanha, trigo recua

O milho seguiu a força da soja e do petróleo, mas com ganho modesto. A alta de 3 centavos não foi suficiente para romper a máxima do contrato de 2 de setembro, o que indica que o mercado ainda opera dentro de um intervalo definido.

No trigo, a direção foi oposta. A expectativa de desescalada no conflito do Mar Negro, que vinha prejudicando as exportações de grãos da região, pesou sobre os preços. O contrato de dezembro recuou para o menor patamar desde 26 de agosto, antes de fechar a US$7,22 por bushel.

Para quem acompanha o mercado físico, a leitura é de um dia de ajuste técnico em Chicago, com o clima americano no centro das atenções. A colheita em Iowa nos próximos dias deve definir se o prêmio de risco embutido nos preços se mantém ou se dissipa. Dinheiro em commodities é decisão baseada em informação, não em sorte.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
Ver todos os artigos →