Economia

Sinal de diálogo EUA-Irã não anima Ibovespa; juros no foco

ResumoIbovespa opera perto da estabilidade nesta segunda-feira (20), com sinal de diálogo entre EUA e Irã incapaz de animar o mercado. Cautela com possível tarifa extra de 12,5% e foco nos juros mantêm investidores em alerta.

O Ibovespa opera perto da estabilidade nesta segunda-feira (20), com o sinal de diálogo entre EUA e Irã incapaz de animar o mercado, que segue cauteloso com a possibilidade de tarifa extra de 12,5% e o foco nos juros.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 20 de julho de 2026
Sinal de diálogo EUA-Irã não anima Ibovespa; juros no foco

O Ibovespa opera perto da estabilidade nesta segunda-feira (20), com o sinal de diálogo entre EUA e Irã incapaz de animar o mercado, que segue cauteloso com a possibilidade de tarifa extra de 12,5% e o foco nos juros. Às 11h02, o Índice Bovespa subia 0,10%, aos 173.881,54 pontos, ante alta de 0,24% na máxima aos 174.133,59 pontos e mínima em 173.221,86 pontos (-0,28%), com abertura estável em 173.714,08 pontos. Na sexta-feira (17), o Ibovespa fechou em baixa de 0,06%, aos 173.714,08 pontos, acumulando perdas de 2,33% na semana.

Sinal de diálogo EUA-Irã não anima Ibovespa

O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira que recebeu propostas apresentadas por mediadores para reduzir as tensões com os Estados Unidos. "Mediadores transmitiram mensagens a Teerã nos últimos dias e recebemos propostas", destacou. Mais cedo, o Irã disse que qualquer negociação deve respeitar os interesses nacionais do país e que os direitos soberanos sobre o Estreito de Ormuz são inegociáveis. No domingo (19), as Forças Armadas dos EUA realizaram nova rodada de ataques contra o Irã pela nona noite consecutiva.

O petróleo Brent, que avançou na madrugada a US$ 91 o barril, passou a cair, mas na sequência voltou a apresentar volatilidade, com a cotação em US$ 88, dado o cenário incerto. O minério de ferro também pesa: queda de 0,39% em Dalian e de 0,85% em Cingapura.

Tarifa extra de 12,5% e juros no radar

No Brasil, a possibilidade de tarifa extra, de 12,5%, dos EUA fica no radar, o que eleva temores inflacionários e com juros. O mercado aguarda a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Expert XP 2026, em São Paulo, na sexta-feira.

Boletim Focus: IPCA de 2028 preocupa

No Focus, a mediana para o IPCA de 2026 caiu pela terceira semana seguida, de 5,16% para 5,15%, 0,65 ponto percentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. A estimativa para 2027 continuou em 4,20%. Já a mediana para a inflação de 2028, que entra no horizonte relevante da política monetária do Banco Central, aumentou de 3,70% para 3,78%. Não houve alterações nas expectativas para a Selic.

Segundo Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, o aumento na previsão para o IPCA de 2028 no boletim sugere uma diferença entre o que o mercado e o BC pensam. "Alguém parece que está equivocado. Deve ocorrer uma queda na Selic de 14,25% para 14% na próxima reunião, mas a curva não precifica uma Selic menor em 2028, como no Focus, que está em 10,50%", diz.

Vale e Petrobras: pesos opostos

Entre as ações de peso, Vale (VALE3) cedia 0,51%, enquanto Petrobras (PETR3; PETR4) virou um pouco antes para o positivo. O movimento reflete a cautela com o minério de ferro e a volatilidade do petróleo.

Semana de agenda esvaziada, mas com eventos

A semana toda deve ser de agenda esvaziada de indicadores, tanto aqui quanto no exterior, mas não faltarão assuntos para guiar a Bolsa. No exterior, sai a decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE), na quinta. Entre balanços, estão Alphabet, Intel e Tesla nos EUA. Aqui, sai o resultado trimestral da WEG (WEGE3).

Perguntas Frequentes

O que está pesando no Ibovespa hoje?

A cautela com a possibilidade de tarifa extra de 12,5% dos EUA e o foco nos juros, com o mercado aguardando a participação de Gabriel Galípolo na Expert XP 2026.

Como está o petróleo com o conflito EUA-Irã?

O petróleo Brent opera volátil, após atingir US$ 91 o barril na madrugada, caindo e depois voltando a US$ 88, com o cenário incerto.

O que o boletim Focus mostra para a inflação?

A mediana para o IPCA de 2026 caiu para 5,15%, mas a de 2028 subiu para 3,78%, indicando divergência entre mercado e BC sobre os juros futuros.

Qual a expectativa para a Selic?

Felipe Cima, da Manchester Investimentos, espera queda de 14,25% para 14% na próxima reunião, mas a curva não precifica Selic menor em 2028.

Quais balanços são destaque na semana?

Alphabet, Intel e Tesla nos EUA, e WEG (WEGE3) no Brasil.

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