Serviços patinam em julho e favorecem cortes de juros pelo BC
A atividade de serviços no Brasil voltou a patinar em julho, com estabilidade de 0,0% no mês, depois de uma leve alta de 0,1% em junho e de uma queda de 0,2% em maio. Para os economistas ouvidos sobre a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o comportamento reforça a leitura de desaceleração da economia, moderação que tende a permitir ao Banco Central seguir cortando os juros, hoje em 14% ao ano.
O número conta a história pelo lado do fluxo: a alta de 2,4% do setor de serviços nos 12 meses até julho é a menor desde setembro de 2024, segundo André Valério, economista sênior do Inter. Ele destaca ainda a dependência do setor aos serviços de informação e comunicação. No ano, apenas os serviços de TI, subdivisão desse grupo, respondem por dois terços do crescimento total observado.
O que mudou em julho
Na avaliação da XP, os resultados desagregados de julho foram quase a imagem espelhada de junho. Quatro dos cinco grandes segmentos registraram alta na comparação mensal, mas os Serviços de Comunicação e Informação, que vinham sendo o motor do setor, deram uma pausa. Os Serviços de TI caíram 3,0% e os Audiovisuais recuaram 3,7% na comparação mensal, após um junho forte. A XP interpreta o movimento como ajuste parcial, não como ponto de inflexão, já que o grupo ainda subiu 4,6% em termos anuais.
O Transporte Aéreo, por sua vez, registrou seu primeiro ganho mensal em várias leituras. André Matos, CEO da MA7 Capital, lembra que o volume de serviços cresceu 0,9% em doze meses enquanto a receita avançou 7,1%, o que indica que quase todo o faturamento adicional vem de preço, não de serviço efetivamente prestado.
O que isso muda para os juros
Matheus Pizzani, economista do PicPay, avalia que a fraqueza maior do setor, sob a ótica do hiato do produto, abre espaço para o Banco Central dar prosseguimento ao ciclo de calibragem nas próximas reuniões. Ele ressalva que a rigidez dos preços do setor segue como impeditivo para um avanço mais significativo. O PicPay mantém projeção de PIB de 2026 em +1,70% e de Selic a 13,50% no fim do ano.
Valério, do Inter, projeta corte de 25 pontos-base em setembro como consenso e espera que o Copom siga cortando nas reuniões restantes do ano, com a Selic alcançando 13,25% em dezembro. A XP projeta receitas totais do setor crescendo cerca de 2,0% em 2026, após alta de 2,9% em 2025, e vê o Monitor para o PIB do 3º trimestre em 0,0% na comparação trimestral.
calendário do Copom e próximas reuniões
Onde está o freio
Leonardo Costa, economista do ASA, diz que a PMS de julho veio mais fraca que o esperado e projeta +0,2% para o PIB do 3º trimestre de 2026. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimento, vê a estagnação por dois meses seguidos como sinal de perda de ritmo, ainda que o setor opere perto das máximas da série.
André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, observa que o volume de serviços acumula alta de 1,9% no ano, já descontado o efeito dos preços, enquanto a receita nominal cresce em ritmo superior. Com crédito caro e maior seletividade bancária, ele aponta que mercado de capitais, securitização, FIDCs e crédito estruturado tendem a ganhar peso no funding das empresas médias. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, acrescenta que o cenário externo, marcado por conflitos, protecionismo e inflação resistente, chega ao Brasil pelo dólar, pelas commodities e pelos fluxos internacionais de capital.
como a Selic afeta o crédito das empresas