Economia

Selic a 13,75%: Ibovespa, juros futuros e dólar pós-Copom

ResumoA Selic foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano pelo Copom, na quinta flexibilização consecutiva e unânime. A decisão deve gerar reação amena no Ibovespa, com o EWZ subindo 1,39% no after market, enquanto o cenário externo segue determinando o ritmo dos mercados brasileiros.

Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, a quinta flexibilização consecutiva e unânime. Com o EWZ subindo 1,39% no after market, o Ibovespa deve ter reação amena, enquanto o exterior segue ditando o ritmo.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 17 de setembro de 2026
Selic a 13,75%: Ibovespa, juros futuros e dólar pós-Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, a quinta flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime. O corte veio em linha com o esperado pelo mercado.

Com a decisão já assimilada, os investidores tentam antecipar como o Ibovespa deve se comportar no pregão desta quinta-feira (17). A reação deve ser mais amena, com o exterior seguindo como principal vetor do índice, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. O EWZ, fundo que replica o MSCI Brasil, subia 1,39%, a US$ 38, por volta das 19h, após encerrar o pregão regular em queda de 0,79%, a US$ 37,46.

Ibovespa e juros futuros: o que o mercado precifica

Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, vê abertura positiva por o Banco Central não ter fechado a porta para novos cortes. Nesta quarta-feira (16), o Ibovespa terminou com queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos.

Na curva de juros futuros, a Warren Rena espera movimento moderado. "Não esperamos reação relevante no mercado de juros decorrente dessa decisão", afirmaram os estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró. O Copom, segundo eles, entregou decisão em linha com a precificação majoritária e com alterações mínimas na comunicação.

Antes da decisão, a curva já precificava corte de 13 pontos-base na Selic para novembro. O DI para janeiro de 2027 fechou praticamente estável, a 13,580% ante 13,579% do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2036 recuou a 14,190%, ante 13,375% do fechamento anterior, queda de quase 19 pontos-base.

Dólar pressionado pelo diferencial com os EUA

O dólar à vista encerrou a quarta-feira a R$ 5,1514, com leve recuo de 0,07%, na contramão do DXY. Para Parente, o real deve ter mais um dia negativo, com investidores digerindo a elevação dos juros pelo Federal Reserve para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, observa que a combinação de queda de juros no Brasil com alta nos EUA diminui o diferencial entre as economias. "Isso reduz, na margem, a atratividade do carry brasileiro e pode adicionar pressão sobre o real, principalmente em momentos de maior aversão global a risco, quando há busca por dólar e Treasuries", afirmou.

O Fed elevou os juros em 25 pontos-base pela primeira vez desde julho de 2023. Na coletiva, o presidente Kevin Warsh manteve tom hawkish ao dizer que a inflação está muito alta e há muito tempo. Após Warsh, o mercado consolidou aposta em nova alta até dezembro: a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 50,9% de chance de elevação em outubro e 87,7% de probabilidade de ao menos um ajuste de 25 pontos-base em dezembro.

No comunicado, o Copom afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. O colegiado trouxe poucas novidades em relação ao comunicado de agosto.

Leia também

Publicidade