Selic a 13,75%: Copom corta juros em 0,25 p.p.
O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na quinta redução seguida e com decisão unânime. O comunicado manteve o tom de cautela e citou incerteza externa e expectativas desancoradas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16). Foi a quinta redução seguida e, mais uma vez, a decisão saiu unânime.
O corte veio em linha com o que o mercado esperava. Na última atualização, com data de referência da segunda-feira (14), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava 94,5% de chance de corte de 0,25 p.p. Havia ainda 1% de probabilidade de corte maior, de 0,50 ponto, e 3,5% de chance de manutenção a 14% ao ano. Segundo o Banco Central, a Selic meta seguiu em 13,75% nas leituras diárias de 30 e 31 de outubro e de 1º a 4 de novembro de 2026.
O que mudou em relação ao comunicado anterior
Pouca coisa. O Copom reforçou que o ambiente externo segue incerto por causa da indefinição sobre os conflitos no Oriente Médio, mesma avaliação da decisão anterior.
"Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz o comunicado.
Entre os riscos de alta para a inflação, o documento manteve os possíveis impactos de choques de oferta ligados ao petróleo e seus derivados, além de efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia. Do lado baixo, aparecem uma desaceleração global mais pronunciada, decorrente do choque de comércio e do petróleo, e um cenário de maior incerteza.
Atividade modera, trabalho segue aquecido
No cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade mostra moderação gradual, principalmente em setores mais cíclicos, ainda em patamar resiliente. O mercado de trabalho continua aquecido, mantiveram.
"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-as abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta", diz o comunicado.
As expectativas seguem desancoradas. Segundo o Copom, a pesquisa Focus apura inflação de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027, ambas acima da meta. A projeção do próprio Comitê para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, de alta e de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. O Comitê também afirmou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a cautela.
Sobre o ciclo, o Copom manteve a indicação de que a "magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações".
"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", diz o comunicado.
Votaram pelo corte de 0,25 ponto Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. Para quem acompanha o ciclo de perto, a leitura é a de sempre: decisão unânime e comunicado repetido significam que o Copom não sinaliza mudança de passo antes de ver a desancoragem ceder. Quem opera renda fixa ou cripto com alavancagem sente isso no custo de carregar posição, e nem toda queda de juros vira tendência de risco no dia seguinte.